Golpistas usam crachás falsos, montam escritório no Centro do Rio e fingem representar banco para ficar com dinheiro das vítimas

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A delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 14ª DP (Leblon), indiciou pelos crimes de estelionato e associação criminosa um casal que montou um escritório, no Centro do Rio, e se fingia passar por representantes de bancos, oferecia serviços para agilizar e regularizar pendências em contratos de empréstimos e ficava com valores transferidos a eles pelas próprias vítimas. De acordo com as investigações, Felipe Pereira Alves e Maria Luísa Santos de Azevedo deram um prejuízo de mais de R$ 100 mil em três idosos, moradores dos bairros de Ipanema, na Zona Sul, e do Rio Comprido, na Zona Norte.

A dupla usava crachás falsos para dar golpes Foto: Reprodução

O inquérito apontou inicialmente que a dupla fazia contato por telefone com pessoas que já possuíam contratos em instituições financeiras. Eles explicavam haver sido feita uma cobrança indevida, valores residuais que poderiam ser devolvidos, e se prontificavam a auxiliá-los no serviço.

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Em um segundo momento, já na casa ou no trabalho das vítimas, Felipe e Maria Luísa, de posse dos dados pessoais e bancários dos idosos, contratavam novos empréstimos em seus nomes, por telefone, sem autorização e o conhecimento deles. Nos depoimentos prestados, as vítimas narraram que, horas após o encontro com os criminosos, perceberam os créditos entrarem em suas contas correntes e ligaram para os estelionatários.

O casal, então, as orientava a transferir os valores para as contas deles ou através de um boleto. Nos últimos dias, pelo menos duas transações, de R$ 16 mil e R$ 47 mil, foram feitas em benefício de Felipe e Maria Luísa. Uma terceira, de R$ 41 mil, foi interrompida pela polícia.

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Em um dos casos, no último dia 15, um dentista chegou a acionar agentes da 14ª DP que passavam na porta de seu consultório, na Avenida Visconde de Pirajá, para impedir que o casal o obrigasse a realizar a transação bancária. Em outra situação, um homem de 72 anos, cadeirante e deficiente visual, foi levado por Maria Luísa a uma agência bancária para pagar um boleto gerado por ela mesma.

Os suspeitos usavam um
Os suspeitos usavam um “escritório” no Centro para atrair as vítimas Foto: Reprodução

– As provas técnicas e testemunhais que colhemos mostram que esses criminosos se organizaram, em uma associação estruturada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter vantagem econômica, ludibriando pessoas de boa-fé, sobretudo idosos. É importante orientar que todos se atentem a não fornecer dados ou documentos a estranhos, ainda que se identifiquem como funcionários ou representantes de bancos. Em caso de dúvidas, é preciso que procurem diretamente as instituições – explica a delegada.

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Felipe e Maria Luísa foram presos em flagrante, na última quinta-feira. Durante a audiência de custódia, o juiz Pedro Ivo Martins Caruso D’Ippolito converteu as prisões em preventiva. No despacho, o magistrado destacou que a medida restritiva de liberdade contra ambos é necessária para a garantia da ordem pública, já que as investigações revelaram “a audácia e o destemor” do casal , “de modo a atentar contra a paz social e acarretar deletérias repercussões na sociedade, já tão castigada e acabrunhada pela criminalidade”.



Fonte: Fonte: Jornal Extra