Ex-PM acusado pela morte do bicheiro Fernando Iggnácio fez buscas sobre assassinatos antes do crime

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A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) descobriu, através da quebra de sigilos da dados telemáticos, que pelo menos um dos seis suspeitos de envolvimento na execução do bicheiro Fernando Iggnácio de Miranda, morto a tiros no estacionamento de um heliporto, no dia 10 de novembro, fez pesquisas meses antes do crime sobre armas e alguns assassinatos cometidos por pistoleiros do escritório do crime (grupo de matadores que presta serviço para contraventores e milicianos no Rio). Entre as mortes pesquisadas pelo ex-PM Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, que teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido, está a execução do então presidente da Portela, Marcos Vieira de Souza, o Marcos Falcon, morto a tiros de fuzil em 2016, dentro de um comitê de campanha, em Osvaldo Cruz, na Zona Norte do Rio. Uma das linhas de investigação do caso, até agora não esclarecido, é a de que o crime esteja ligado à disputa de território por caça-níqueis.

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De acordo como levantamento, a pesquisa foi feita no dia 25 de fevereiro de 2020. Na mesma data, Pedro também pesquisou o assassinato de Alcebíades Paes Garcia, o Bide, morto a tiros naquele mesmo dia, ao chegar em casa na Barra da Tijuca. A DH descobriu ainda que Pedro fez buscas para saber sobre a morte de um major da PM, assassinado em 2018, em Nova Iguaçu. O policial não era ligado à contravenção, mas um dos suspeitos de participar da execução é o ex-PM Antônio Eugênio de Souza, o Batoré, que morreu em 2019 numa troca de tiros com a polícia. Um dos pistoleiros mais requisitados do escritório do crime, Batoré era ligado ao traficante Fernandinho Guarabu, também morto na mesma operação. Ele teria ordenado o assassinato do oficial que investigava o tráfico na Ilha do Governador.

Cartaz pede informações sobre suspeitos de envolvimento com a morte de Fernando Iggnácio Foto: Divulgação

A quebra de dados telemáticos revelou também que o ex-PM Pedro Emanuel fez pesquisas sobre o jogo do bicho e também pela biografia de Castor de Andrade, tio de Rogério de Andrade e genro de Fernando Iggnácio. Rogério é suspeito de envolvimento na morte de Iggnácio, com quem tinha uma desavença há anos pelo espólio de Castor. Ele também teve a prisão decretada pela justiça e está foragido.

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Mas a pesquisa não abrangeu apenas jogo ou execuções do escritório do crime. O levantamento revela que, em setembro, Pedro pesquisou na internet sobre o funcionamento de fuzis. Um deles foi um fuzil parafal, calibre 762. Segundo o Ministério Público, uma arma deste mesmo tipo foi usada para matar Fernando Iggnácio.

Fernando Iggnácio foi assassinado em novembro de 2020
Fernando Iggnácio foi assassinado em novembro de 2020 Foto: Guilherme Pinto/12.10.2006

Além de Pedro Emanuel e Rogério de Andrade, outras quatro pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pela morte do genro de Castor de Andrade. Um deles é o PM reformado Márcio Araujo de Souza. Segundo o MP-RJ, Márcio é suspeito de ter contratado, a mando de Rogério, os pistoleiros que executaram Fernando Iggnácio. Ele está atrás das grades desde o dia 19 de fevereiro de 2021, quando, após ter tido a prisão temporária decretada, se entregou na DH.

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No dia 12 de março, a Justiça rejeitou um pedido da defesa do PM. Alegando que o policial era diabético, os advogados solicitaram que a temporária fosse substituída por prisão domiciliar. O juízo da 1ª Vara Criminal da Capital indeferiu a solicitação e, na mesma data, decretou a prisão preventiva de Márcio. Na mesma decisão, a Justiça determinou que o PM, também apontado pelo MPRJ com um dos seguranças de Rogério de Andrade, seja encaminhado para receber tratamento médico e que passe por uma avaliação de seu estado de saúde.

Outro preso é o cabo Rodrigo Silva das Neves, que foi capturado na Bahia, em janeiro. Estão foragidos, além de Rogério de Andrade, o policial militar de São Paulo Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o irmão dele Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, e Ygor Rodrigues Santos da Cruz.



Fonte: Fonte: Jornal Extra