Dupla que agrediu médica no Grajaú vai pagar indenização a casal que tentou ajudá-la

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Dois envolvidos no caso de agressão contra a médica Tyciana D’Azmbuja, em maio, no Grajaú, Zona Norte do Rio, terão de pagar indenizações a um casal de vizinhos que tentou ajudar Tyciana e acabou se tornando alvo do grupo. O acordo foi firmado em audiência realizada nesta quinta-feira.

Rafael Henrique Del Iudice Ferreira e Ester Mendes de Araújo eram acusados dos crimes de lesão corporal simples e ameaça contra Marco Antônio Guimarães Cardoso e Juliana Castro Martins Cardoso. De acordo com a sentença do juiz do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) André Ricardo de Franciscis Ramos, Rafael deve pagar indenização de danos materiais e morais a Marco Antônio no valor de R$ 10 mil. Já Ester, deve repassar R$ 2 mil para Juliana.

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Foi acordado entre as partes que Rafael fará o pagamento em quatro parcelas de R$ 2.500 a partir do dia 5 de janeiro. Ester se comprometeu a quitar o valor em quatro parcelas de R$ 500, também a partir do mesmo período. No último dia 25, ambos já haviam sido multados no valor de R$ 2.090,90 por realizarem uma festa em meio à pandemia de Covid-19. Não cabe, porém, nenhum acordo em relação crime de lesão corporal contra Tyciana.

Em junho, em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, Marco Antônio contou que levou um soco e foi ameaçado por Rafael Ferreira. Ele relatou que saiu de casa e foi para a rua com a esposa, Juliana, ao ouvir os gritos de socorro de Tyciana.
— Eu mostrei o celular com 190 na tela. Aí ouvi uma outra voz perguntar: ‘Mas quem está defendendo?’ e antes que ouvisse qualquer resposta eu tomei um soco atrás da orelha. Eu me desequilibrei, virei para trás e vi um rapaz gritando. ‘Eu sou polícia! Eu sou polícia! Ele dizia assim: ‘Atravessa meu caminho para ver o que vai acontecer com você. Eu vou quebrar seu joelho’ — lembrou o vizinho.

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Tyciana foi agredida por frequentadores de uma festa no Grajaú Foto: Reprodução

Relembre o caso

O episódio de agressão ocorreu após Ticyana chegar em casa de um plantão de 24 horas. Ela assumiria outro na mesma noite. A médica conta que não conseguia descansar por conta do barulho de uma festa que era realizada na mesma rua onde morava. Ela contou que já havia feito denúncias sobre eventos anteriores no mesmo local que não surtiram nenhum efeito. Naquele dia, decidiu ir até a residência.

Tyciana diz que tocou o interfone, pedindo que a comemoração parasse, mas não foi atendida. A profissional de saúde relata então que num “ato impensado” quebrou com um martelo o para-brisas e o espelho retrovisor de um carro que estava na calçada. Depois disso, contou a médica, alguns homens saíram da casa, dando início às agressões.

As câmeras de segurança de um hospital no bairro registraram o início do episódio de violência. As imagens mostram que Ticyana chega ao local correndo, fugindo dos agressores, e pede ajuda para um motociclista que passava pela rua. Ela tenta subir na moto, sem sucesso, e é alcançada por dois homens. Enquanto ela segura no guidão, o motociclista dá alguns socos no braço de Tyciana e vai embora. Pouco depois, a profissional de saúde desmaia após receber um golpe mata-leão.

As agressões na frente do hospital duraram pouco mais de três minutos e a médica deixa o local carregada no ombro por um dos agressores. Ela é levada de volta para a casa onde foi realizada a festa clandestina em meio à pandemia do coronavírus. No caminho, outros homens e uma mulher agridem ainda mais a médica, puxam o cabelo dela e a jogam no chão. Ticyana teve o joelho esquerdo quebrado e as mãos pisoteadas.



Fonte: Fonte: Jornal Extra