Delegado irá ouvir perito e médicos que atenderam menino Henry

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O delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), irá ouvir, na próxima semana, o perito legista Leonardo Huber Tauil, que assinou os dois laudos de exame de necropsia que atestam que Henry Borel Medeiros, de 4 anos, sofreu hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. A intenção é esclarecer as possíveis causas das lesões expostas no corpo do menino e apresentadas nos documentos. Os médicos que o atenderam no Hospital Barra D’Or também já foram intimados a prestar depoimento.

De acordo com a mãe da criança, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, ela e o namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, levaram Henry a unidade de saúde por volta das 3h30 do último dia 8. Ela disse ter encontrado o filho caído no chão do quarto do apartamento que divide com o parlamentar, no condomínio Cidade Jardim. O menino estaria com mãos e pés gelados e os olhos revirados.

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Em seu termo de declaração, Monique contou assistir uma série na televisão, em outro cômodo, com Jairinho quando, durante a madrugada, o acordou para irem dormir na cama. Henry teria chegado ao apartamento do casal levado pelo pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, por volta de 19h. A professora Monique disse que, na ocasião, o filho chorava muito e chegou a vomitar. Ela então teria acalmado a criança, a levado a uma padaria e subido para o imóvel onde mora com Jairinho desde novembro do ano passado.

No imóvel, ela conta ter dado banho no filho e não ter percebido qualquer machucado. O menino também não teria reclamado de nenhum ferimento ou dor. Logo após, a criança foi levada a cama da suíte do casal, onde ele costumava dormir. Monique e Jairinho teriam ficado na sala, vendo televisão. Até 1h50, Henry teria levantado três vezes, sendo levado de volta ao quarto pela mãe.

A professora relatou que foi para o quarto de hóspedes com o namorado de modo a continuar vendo uma série sem que o barulho incomodasse o filho. Logo após, Jairinho teria adormecido. Por volta de 3h30, Monique disse ter levantado e chamado o namorado, que foi ao banheiro. Ao voltar ao quarto do casal, ela diz ter encontrado Henry caído.

Questionada se havia lido o laudo com a causa da morte de Henry, Monique afirmou acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão.

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Também em depoimento prestado na 16ª DP, Dr. Jairinho confirmou todas as informações dadas por Monique. Ele contou ter dormido após tomar três medicações que faz uso há cerca de dez anos e, ao ser acordado pela namorada, foi urinar. Com os gritos da moça, ele disse ter caminhado até o quarto. No local, o vereador diz ter colocado a mão no braço de Henry e notado que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal.

Ele disse que acreditou que Henry havia bronco-aspirado, mas seu quadro evoluía mal, já que no caminho para o hospital não respondeu à respiração boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Jairinho contou que, apesar de ter formação em Medicina, nunca exerceu a profissão e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco, durante a graduação.

Dr.Jairinho na Câmara Municipal do Rio: ele foi ouvido na delegacia da Barra
Dr.Jairinho na Câmara Municipal do Rio: ele foi ouvido na delegacia da Barra Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo

Já Leniel disse aos investigadores ter passado o fim de semana com o filho, tendo o levado a uma festa e a um parquinho. Ele contou ter recebido uma ligação de sua ex-companheira por volta de 4h30. Ela teria dito que o filho deles estava “sem respirar” e foi levado ao hospital.

O engenheiro dirigiu-se então até o local e, ao encontrá-la, na companhia de Dr. Jairinho, foi informado de que a criança havia feito um “barulho estranho” enquanto dormia, estando com os “olhos virados” e com dificuldade respiratória.

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No depoimento, o pai do menino contou que a mãe disse ter feito um procedimento de respiração boca a boca em Henry. O pai narrou também ter visto os médicos tentando reanimar a criança, não tendo tido sucesso. Ela faleceu às 5h42 e seu corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro da cidade.



Fonte: Fonte: Jornal Extra