Conselho da Polícia Civil decide demitir investigadora acusada pela morte de copeira no Centro Cívico

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O Conselho da Polícia Civil do Paraná decidiu pela demissão da investigadora Kátia das Graças Belo, acusada pela morte da copeira Rosaira Miranda da Silva, em 23 de dezembro de 2016, durante uma confraternização no Centro Cívico, em Curitiba. A decisão é resultado do julgamento da corporação, que aconteceu nesta segunda-feira (8), e a palavra final será do governador Ratinho Junior (PSD).

De acordo com a Polícia Civil (PCPR), o Conselho decidiu pela condenação e demissão da servidora a partir de infrações administrativas. Entre os nove conselheiros, oito votaram. Um deles, segundo a PCPR, não pôde votar, porque foi testemunha durante o processo. “Todos os participantes votaram a favor da condenação e da demissão da policial”, disse a assessoria da Polícia Civil.

Kátia das Graças Belo – Foto: Reprodução

“Recebemos essa notícia de muita sensatez e ficamos extremamente contentes com a decisão. Ela não traz de volta a vida da Rosaira, mas, com certeza, conforta o coração de uma família desestruturada”, comemorou o advogado da família da vítima, Ygor Nasser Salah Salmen.

Agora, segundo o advogado, a expectativa é que Kátia seja responsabilizada na esfera criminal, e condenada. “Nossa luta continua para que ela seja condenada pelo crime que cometeu. Um crime qualificado, inclusive – e a pena deve ser aumentada. Aí sim, o Sr. Francisco poderá ficar um pouco mais tranquilo”, disse à Banda B.

“Pela primeira vez, depois de muitos anos, vejo um sorriso no rosto de um homem que não quer nada, não quer bens materiais, mas apenas clama e quer Justiça”, disse sobre o viúvo da vítima.

Júri Popular

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em novembro de 2019, que a policial civil Kátia das Graças Belo será levada à júri popular por homicídio qualificado, com três qualificadoras que podem aumentar sua pena. Apesar da decisão, ainda cabe recurso.

Dois anos antes a essa decisão, em 2017, havia sido deliberado que a investigadora fosse à júri popular, porém sem as três qualificadoras, isto é, responderia por homicídio simples.

Rosaira Miranda da Silva – Foto: Reprodução

À época, o advogado da família da copeira explicou quais eram as três qualificadoras que poderiam aumentar a pena da policial. “Motivo fútil, por ter matado alguém em razão do incômodo com o barulho da festa. Perigo comum, porque existiam mais pessoas no local. Torne impossível, por não dar a defesa ao ofendido, já que ela estava longe, de costas e não imaginava que alguém iria atirar”, disse Ygor em entrevista à Banda B no dia 29 de novembro de 2019.

Por se tratar de um homicídio qualificado, a pena prevista é de 12 a 30 anos. Kátia responde ao processo em liberdade e o juiz autorizou que ela siga assim durante os recursos.

Crime

Rosaira, de 44 anos, participava de uma confraternização no dia 23 de dezembro de 2016, no Centro Cívico, em Curitiba, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrida ao hospital, mas morreu nove dias após o disparo, no 1º dia do ano de 2017.

Em depoimento na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Kátia afirmou que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo teria sido feito da janela do apartamento dela.

A investigação da Polícia Civil apontou que Kátia fez mais de um disparo contra a festa em que a vítima estava. De acordo com a análise da Polícia Científica, uma das simulações mostra que a janela de Kátia é compatível com a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Rosaira.

A investigação encontrou ainda um vídeo de monitoramento de uma empresa vizinha, que apontaria que a investigadora fez pelo menos dois tiros contra a festa e não um como afirmou em depoimento na DHPP. As imagens mostrariam clarões vindos da janela da policial.



Fonte: Banda B

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