
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e de diversos deputados federais e estaduais foram encontrados em planilhas e listas apreendidas pela Polícia Federal (PF). Os documentos, que ligam os agentes políticos a valores financeiros, estavam em posse do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como “Adilsinho”, apontado como uma das lideranças da contravenção e da “Máfia do Cigarro” no estado.
A descoberta ocorreu no âmbito da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2 de julho de 2026). De acordo com os investigadores, uma das anotações encontradas aponta uma suposta doação de R$ 3,2 milhões direcionada à campanha de reeleição de Castro no pleito de 2022.
A princípio, a Polícia Federal suspeita de que os registros tratem de um esquema de caixa dois eleitoral ou do pagamento de “mesadas” para a ocultação de atividades ilícitas. No entanto, as autoridades ressaltam que as investigações ainda estão em curso para analisar o real contexto dos repasses e que, nesta fase da operação, o ex-governador Cláudio Castro não é alvo direto de mandados de prisão ou de busca e apreensão.
Ofensiva contra o crime organizado
A Operação Unha e Carne cumpre ordens expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro do contexto da ADPF 635 (conhecida como ADPF das Favelas). A determinação do Supremo exige que a PF aprofunde o combate às principais organizações criminosas fluminenses e suas ramificações no Executivo e no Legislativo.
A ação desta quinta-feira mirou a cúpula do jogo do bicho e a lavagem de dinheiro decorrente do comércio de cigarros falsificados. Entre os principais alvos com mandados expedidos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o empresário e pastor Márcio Poncio. Bacellar e Adilsinho, que já cumpriam pena por fases anteriores da operação, receberam novas ordens de prisão preventiva. Diante da suposta periculosidade, a PF confirmou a transferência de Rodrigo Bacellar para um presídio federal de segurança máxima. O STF também bloqueou até R$ 22 milhões em bens dos investigados.
O Outro Lado
Em manifestações anteriores colhidas pela reportagem, a defesa do ex-governador Cláudio Castro negou veementemente qualquer irregularidade, afirmando que ele nunca recebeu vantagens indevidas, pagamentos ou doações ilegais de contraventores.
A defesa do bicheiro Adilsinho divulgou nota oficial informando que “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos” e declarou confiar no devido processo legal.
Os advogados de Márcio Poncio alegaram que, até o momento do cumprimento das medidas, não haviam tido acesso integral aos autos do processo, o que impedia uma manifestação aprofundada sobre os fundamentos da prisão preventiva. As defesas dos demais deputados citados, cujos nomes seguem sob sigilo de Justiça na lista apreendida, não foram localizadas ou preferiram não se manifestar.







