Casos de feminicídio voltam a assustar o Estado do Rio e estatísticas preocupam

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Menos de duas semanas depois de a juíza Viviane Vieira do Amaral ter sido assassinada a facadas pelo ex-marido na frente das três filhas, na Barra da Tijuca, novos casos de violência contra a mulher voltam a assombrar o Estado do Rio. Em 36 horas, três jovens foram vítimas de feminicídio na Penha, na Zona Norte da capital, e nas cidades de Paraty e Teresópolis. Um levantamento do Instituto de Segurança Pública mostra que, em 2019, aconteceram 85 casos de feminicídio no Estado do Rio, um aumento de 19,7% em relação a 2018, que teve 71 registros. Os números de 2020 ainda não foram divulgados, mas o ano já ficou marcado pelo assassinato da juíza carioca que chocou todo o país.

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No Rio, três mulheres tiveram as vidas interrompidas. Na cidade da Região Serrana, Natália da Silva Fonseca de Souza, de 29 anos, foi atingida entre três e seis tiros em casa, na localidade de Jardim Feo, no bairro de Barra do Imbuí, na noite de segunda-feira, dia 4. O suspeito é seu ex-marido, Alexsandro Fonseca de Souza, que tentou se suicidar e está hospitalizado. Ele foi autuado em flagrante. No mesmo dia, quase 12 horas antes, uma adolescente de 14 anos não resistiu a disparos que teriam sido feitos por um ex-namorado em Paraty, na Costa Verde. E, na capital, a Polícia Civil investiga o desaparecimento de Bianca Lourenço, de 24: há a suspeita de que um traficante da Favela da Kelson’s mandou executá-la por ciúme.

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No Brasil, dados do Fórum de Segurança Pública mostram que, em 2019, mais de três mulheres foram vítimas de feminicídio por dia. Em apenas um ano, 1.326 famílias perderam uma mãe, uma filha, uma irmã, para esse tipo de crime. Em quase 90% dos casos, o assassino foi o companheiro ou o ex-companheiro da vítima.

De acordo com a juíza Adriana Mello, titular do 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, o Brasil vem fortalecendo o sistema de punição aos crimes contra as mulheres, mas ainda há carência de políticas de prevenção à violência e campanhas de conscientização. Segundo a magistrada, é necessária uma mudança de cultura para frear a violência contra as mulheres:

— O feminicídio faz parte de um ciclo de violência que a mulher sofre e do qual ela demora às vezes de sete a oito anos para sair. Às vezes, esse ciclo começa como uma violência psicológica e a mulher nem nota — diz a juíza.

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Uma das últimas postagens de Bianca Lourenço, jovem morta na Penha Foto: Reprodução / Redes Sociais

Ciúmes marcam os casos

Por quase um ano, Bianca namorou um acusado de envolvimento com o tráfico da comunidade. Ela terminou o relacionamento há cinco meses, e desde então, segundo amigos, vinha sendo ameaçada e perseguida.

— Esse cara já foi armado à rodoviária para não deixá-la viajar. E, uma vez, chegou a fechar a Avenida Brasil, numa tentativa de sequestrar Bianca. Mas não conseguiu — disse uma amiga da jovem, que vinha morando com o pai em Nova Iguaçu, depois de ser agredida pelo ex-namorado na Kelson’s.

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Recentemente, Bianca publicou numa rede social um desabafo, no qual dizia estar feliz por voltar a viver em paz. Porém, sua tranquilidade acabou quando decidiu passar o réveillon na comunidade da Penha, na casa de uma amiga.

— O ex-namorado descobriu e foi até lá, armado com um fuzil. Arrastou a menina até um carro — contou um morador da favela, acrescentando que circulam boatos de que Bianca teria sido jogada, morta, na Baía de Guanabara. O caso vem sendo investigado pela 22ª DP (Penha), e informações podem ser passadas ao Disque-Denúncia (2253-1177).

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Para investigadores, não há mistério em torno do assassinato de Natália. Ela tinha se separado em outubro de Alexsandro, que se encontra internado sob custódia policial no Hospital das Clínicas de Teresópolis. A jovem formada em Serviço Social foi atingida por três a seis tiros. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal, a mulher teve seis perfurações pelo corpo: um tiro atingiu o coração, dois pegaram o braço, um entrou pela barriga, um acertou a cabeça e outro a perna da vítima.

Para família, o crime foi premeditado e com requinte de crueldade. De acordo com parentes, ele estava inconformado com o fato de a ex-mulher ter começado um outro relacionamento. O casal estava separado há três meses, e Natália entrou com uma medida protetiva contra o ex-marido.

— O corpo ainda tinha marcas de agressões físicas, o rosto estava com machucados. Ele quis mostrar que, definitivamente, queria tirar a vida dela. A gente quer que ele pague por esse crime que ele cometeu, que não fique impune. Tudo indica que foi a sangue frio. Ele já tinha essa pretensão de executar, de matá-la. Muito triste o que aconteceu com ela. A nossa família está destroçada e queremos justiça — diz a prima de vítima, Isabela Gomes.

A polícia não divulgou o nome do suspeito de matar a adolescente em Paraty, mas também trata o caso como feminicídio. Parentes e amigos da jovem, que faria 15 anos este mês, já foram ouvidos. O suposto assassino seria um traficante da Costa Verde.

Natália da Silva Fonseca, de 29 anos, era formada em Serviço Social. Deixou uma filha com uma síndrome rara
Natália da Silva Fonseca, de 29 anos, era formada em Serviço Social. Deixou uma filha com uma síndrome rara Foto: Arquivo Pessoal

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Fonte: Fonte: Jornal Extra

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