Casal gay da propaganda da Volkswagen vai à delegacia após ataques

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O casal Diego e Murillo Xavier registrou Boletim de Ocorrência, nesta quarta-feira (18), após ser vítima de ataques homofóbicos ao protagonizar uma propaganda da Volkswagen. Os crimes foram relatados na Delegacia de Proteção de Pessoas Vulneráveis, em Curitiba.

Acervo Pessoal

As agressões tiveram início em novembro do ano passado, quando o casal gay apareceu pela primeira vez em campanhas do modelo Polo, fabricado pela marca de carros. Pelas redes sociais, dezenas de pessoas, principalmente com perfis falsos, publicaram comentários preconceituosos.

Mas o que assustou Diego e Murillo é que as ameaças ultrapassaram as telas e chegaram ao mundo real. Depois de mais uma foto da propaganda da Volkswagen ser divulgada, no início de maio, o casal passou a viver momentos de terror ao sair de casa.

“Essa campanha segunda etapa da campanha teve muito maior impacto. Chegou ao interior, eu sou um garoto de Cambé. Foram para cima da minha família nas ruas com agressões verbais. Na semana passada eu estava em um restaurante de Guarapuava, a trabalho, e a pessoa falou: ‘esse aqui é o viado da Volkswagen’. O meu marido há uns dias também foi agredido verbalmente na rua. Mas na internet as pessoas não tem limite, acham que é um lugar que não tem regras”, contou Diego, que é jornalista, à Banda B.

A peça publicitária foi publicada com a seguinte legenda: “sabe o que evoluiu junto com você? O Polo”. A presença de dois homens abraçados fez com que grupos iniciassem uma campanha contra o casal gay e a montadora. A publicação na página da Volkswagen no Instagram tem mais de 15 mil comentários, muitos deles recheados de preconceito.

“Desde assim: ‘que nojo, dois homens se beijando’, ‘é o fim do mundo’, ‘homem com homem não se reproduz’, ‘é extinção da família’. E, quando fala em extinção da família, pelo contrário, a gente defende todas as famílias. Eu e o Murilo lutamos diariamente para ter nossa família, para adotar uma criança”, lamentou Diego.

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que declarações homofóbicas e transfóbicas podem ser enquadradas no crime de racismo, com pena de um a três anos, chegando a cinco anos em casos mais graves.

De acordo com dados do Relatório de Mortes Violentas LGBT no Brasil, divulgado pelo Grupo Gay da Bahia, o Brasil segue pelo quarto ano consecutivo como o país que mais mata a população LGBTQIA+.

“A cada 37 horas no Paraná um LGBT faz um boletim de ocorrência e a cada duas horas no Brasil um LGBT é agredido. Então, eu e o Murilo nós somos estatísticas do dia a dia de como está a homofobia nas ruas”, destacou Diego.

O jornalista disse não entender como as pessoas sentem tanto ódio por quem sequer conhecem.

“Mexe muito comigo, eu até travo, porque é amor o que eu tenho com o Murilo, nós somos casados, e tudo o que a gente vê é ódio por duas pessoas estarem se amando. Como as pessoas podem ficar preocupadas com a felicidade e com o que o outro está fazendo? É revoltante”, ressaltou.

Por meio de nota, a Volkswagen afirmou que “a diferença enriquece, o respeito une. A Volkswagen do Brasil celebra a diversidade sexual e de identidade de gênero. Promover a Diversidade & Inclusão é um dos pilares estratégicos da marca”. A montadora informou que “comentários ofensivos e desrespeitosos, são devidamente apagados de nossas páginas”.



Fonte: Banda B