Carro dirigido por Marcinho estaria acima de 60 quilômetros por hora, estima perito

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Uma análise a partir de fotos da perícia do carro envolvido no atropelamento de dois professores do Cefet/RJ, e dos ferimentos descritos no laudo cadavérico das duas vitimas, feita pelo perito forense Ricardo Molina a pedido do Extra, nesta quinta-feira, revela a estimativa de que o veículo, dirigido na ocasião pelo jogador Marcio Almeida de Oliveira, o Marcinho, estivesse trafegando acima da velocidade que o ex-lateral do Botafogo disse estar no momento do acidente. Ao depor, na última segunda-feira, Marcinho alegou que o Mini Cooper trafegava a 60 quilômetros por hora. Já para o perito forense, o mais provável é que o jogador estivesse entre 65 e 70 quilômetros por hora, no momento do impacto, que ocorreu com a parte frontal do automóvel.

Na foto, peritos examinam o Mini Cooper Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

A conclusão de Molina é parecida com a linha seguida pela Polícia Civil. Na última quarta-feira, o delegado Alan Luxardo, da 42ª DP ( Recreio), que investiga o caso, havia mencionado já ter indícios que Marcinho trafegava acima de 60 quilômetros. O atropelamento ocorreu na noite de 30 de dezembro, na Avenida Sernambetiba, via que tem a velocidade máxima permitida de 70 quilômetros.

O casal de professores Maria Cristina e Alexandre
O casal de professores Maria Cristina e Alexandre Foto: Reprodução / Agência O Globo

Na análise feita por Molina, o perito levou em conta principalmente os ferimentos descritos no laudo cadavérico do professor de engenharia mecânica Alexandre Silva Lima. Alexandre morreu ainda no local do acidente. Segundo o perito, o traumatismo craniano sofrido pelo educador pode ter sido fruto do impacto da cabeça da vítima ( ao ter o corpo impulsionado para cima) com a moldura superior do para-brisa do veículo. O mesmo impacto também teria sido responsável por uma fratura da coluna cervical do professor. A foto do carro, com a frente totalmente amassada e o vidro dianteiro quebrado, reforçam a hipótese levantada pelo perito.

Segundo Molina, o risco de morte em vítimas de atropelamentos com a parte da frente dos veículos aumenta para velocidades acima de 60 quilômetros.

“O risco de morte em atropelados cujo impacto principal foi com a região frontal do veículo aumenta exponencialmente para velocidades acima de 60 quilômetros, embora diferentes estudos apresentem percentuais levemente diferentes. Uma estimativa segura é a seguinte: para impacto a 60 quilômetros por hora, 45% de chance de a vítima morrer. A 70 quilômetros por hora, cera de 70%, e a 80 quilômetros por hora, cerca de 80%”, escreveu o perito, no parecer feito por e-mail.

De acordo com laudo cadavérico feito no Instituto Médico-Legal do Rio, o professor teve como causa da morte o traumatismo craniano. Além disso, ele sofreu ainda traumatismo do tórax e do abdômen, este último com hemorragia interna. O exame descreve ainda fratura nos cotovelos, no joelho direito e laceração de figado e baço.Já o cadavérico da professora Maria Cristina José Soares, de 66, coordenadora do curso de engenharia ambiental, revela que a educadora teve, como causa da morte, traumatismo do tórax e de membros inferiores, este último com uma complicação causada por uma infecção. Além disto, ela também sofreu fraturas nas costas, do fêmur direito e esquerdo, em uma das tíbias e no tornozelo direito.

Maria chegou a ser internada em um hospital particular, na Barra da Tijuca, mas morreu na última terça-feira. Ela e o professor Alexandre estavam juntos havia 12 anos. Em janeiro de 2019, o casal oficializou a união estável, em um cartório. Segundo o delegado Alan Luxardo, o inquérito que apura o caso deverá ser concluído na próxima semana. Ele adiantou que Marcinho foi indicado por homicídio culposo ( quando não há dolo). Assim, caso seja condenado pela Justiça, o atleta estará sujeito a uma pena que varia de dois a quatro anos de detenção, por cada uma das mortes.

A defesa de Marcinho alegou, na última segunda-feira, que o casal atravessou a via fora da faixa de pedestre. Ainda segundo o advogado do atleta, o jogador não estava em alta velocidade e nem havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Sobre o fato de sair do local sem ter prestado socorro às vítimas, o advogado Gabriel Habib disse, na ocasião, que Marcinho temeu ser linchado, já que algumas pessoas teriam se aglomerado em torno do carro. Na oportunidade, ele também classificou o acidente como inevitável.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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