Câmera de segurança usada em ‘espionagem’ de batalhão da PM foi instalada há dois meses

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A polícia ouviu em depoimento o gerente do hostel que fica no segundo andar do prédio onde estava instalada uma câmera usada num esquema de espionagem de policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque feito por duas mulheres que repassariam as informações. Ele disse que o equipamento foi instalado há quase dois meses, no endereço na Rua Frei Caneca, no Centro do Rio, em frente a um dos batalhões que era monitorado.

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O gerente contou que foi nesse período que uma mulher o procurou dizendo que tinha alugado a loja e que ali funcionaria um depósito de gelo. A mulher então perguntou se ele tinha um monitor para emprestar, pois ela iria instalar uma câmera e queria fazer um teste. Ele negou ter o equipamento. Após alguns dias, ainda de acordo com o que foi dito à polícia, uma nova rede Wi-fi foi percebida por hóspedes do hostel. O nome da rede era “GELO FREI CANECA”. O gerente disse ainda que chegou a ver um homem dentro da loja, que seria o responsável por instalar a câmera.

Uma equipe da 21ª DP realizou uma perícia na manhã desta quarta-feira na loja onde está instalada a câmera. A caixa de eletricidade é outro ponto analisado pelos agentes, que buscam saber de que forma o monitoramento foi montado. Uma escada foi utilizada por eles para alcançar a câmera de segurança. Dentro da loja, vários roteadores de internet estão espalhados pelo chão, indicando que a transmissão das imagens era feita de dentro do imóvel. A polícia também busca recolher impressões digitais nos equipamentos, que ainda estavam funcionando na manhã desta quarta-feira.

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Segundo a polícia, Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos monitoravam a movimentação das tropas em tempo real. Elas foram detidas num veículo branco que acompanhava viaturas do Bope quando teve início o deslocamento da equipe do quartel da unidade com destino à comunidade de Manguinhos para uma ação de apoio a policiais da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP). Com as mulheres, os policiais militares apreenderam seis telefones celulares, com registros de comunicação com diferentes facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas e a milícias.

Um dos PMs, em depoimento, contou que a equipe policial avistou o carro da dupla ao entrar no Túnel Santa Bárbara e que uma moto acompanhava o veículo. Segundo o relato, a abordagem foi feita na altura do bairro de Ramos, Zona Norte, e a equipe chegou a ficar tranquila quando viu que eram duas mulheres no interior do carro. Mas a desconfiança veio quando elas ficaram “desconcertadas” ao responderem sobre o destino. Além disso, um dos policiais viu um celular com a luz ligada dentro do carro e logo depois avistou os outros aparelhos no interior do veículo. Em um determinado momento, Carolina teria tentado tirar um dos telefones das mãos de um agente de forma mais agressiva. Foi quando eles prenderam as mãos dela.

Mulheres foram detidas por suspeita de espionar PMs Foto: Reprodução

De acordo com o relato, num dos celulares tinha mensagens referentes ao Bope. “4 viaturas pegando a Av. Brasil. Sem o grandão (veículo blindado do Bope). Estamos na Linha Vermelha”, diz uma delas. Foi neste momento que Carolina disse ser esposa de um PM que está preso. Ainda segundo os depoimentos, nos outros celulares foram encontrados vários vídeos com imagens das ruas de acesso ao Bope, na Zona Sul do Rio, e também ao Batalhão de Choque, no Centro.

Um homem, também suspeito de integrar o esquema de espionagem, foi detido nessa terça-feira enquanto limpava o apartamento de Carolina, em Laranjeiras. O imóvel fica no 12º andar de um prédio na Rua Pereira da Silva, proporcionando uma vista privilegiada para o quartel do Bope. Os dois e Keley permanecem detidos na 21ª DP (Bonsucesso), delegacia à frente das investigações.

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Fonte: Fonte: Jornal Extra