Caí no golpe do WhatsApp, e agora? Polícia diz o que fazer e o que já sabe sobre estes bandidos

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Taxadas de “idiotas” por muitos, arrasadas por não terem percebido o golpe e sem tempo para lamentar, as vítimas de golpistas que clonam o WhatsApp precisam agir rápido. E que ninguém pense que este golpe está ‘manjado’. Pelo contrário. Em média, 12 mil brasileiros são enganados por dia, segundo levantamento da um levantamento do laboratório de segurança da PSafe,

Mas o que fazer? Após mostrar reportagem com o relato de vítimas e também algumas formas que os golpistas utilizam para clonar o aplicativo e pedir dinheiro para conhecidos, a Banda B conversou com o delegado José Barreto, delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná (Nuciber).

Imagem ilustrativa

Qual a primeira providência ao perceber que caiu no golpe?

Delegado Barreto – A primeira providência é, o quanto antes, avisar parentes e amigos, até mesmo antes de fazer um Boletim de Ocorrência. A partir do momento que o indivíduo tem acesso ao Whatsapp da vítima, consegue contatar algumas pessoas, principalmente as que estão em grupos, e se passar por ela para solicitar dinheiro, fazer transferências bancárias. O contato pensa que está transferindo para a pessoa que teve o Whatsapp clonado, mas está transferindo para a conta de um cybercriminoso.

A invasão do aplicativo não faz a vítima perder o acesso ao telefone. Então ligue para pais, mães, filhos, irmãos, amigos, inclusive pessoas que fazem parte dos grupos que integra. Peça, por exemplo, para que o seu pai, seu filho, coloque no grupo da família que aconteceu isso. Ligue para um vizinho e informe, caso tenha grupo do seu condomínio. E se tiver outras redes sociais, como Instagram, Facebook, é muito importante fazer um post falando que houve a invasão.

Também dá para mandar um e-mail para [email protected] informando que aconteceu essa clonagem, incluindo o número de telefone dela, iniciando com o +55, código de área do Brasil. No caso de Curitiba e Região Metropolitana, então, é +55 41 e o número. A vítima avisa que teve o Whatsapp clonado, perdido, roubado por criminosos, e solicita a devolução para ela, porque quem faz esta devolução é o próprio aplicativo. O trabalho da Polícia é identificar os indivíduos que praticaram o crime.

E quando algum parente ou amigo já fez a transferência para o golpista?

Delegado Barreto – Caso alguém entre em contato para informar que já fez a transferência solicitada, oriente para a pessoa entrar em contato com o banco para verificar a possibilidade de cancelar a ordem de transferência.

E a outra providência é fazer o Boletim de Ocorrência, o que pode acontecer inclusive pelo Portal da Polícia Civil do Paraná, onde a vítima deve procurar o campo Estelionato e registrar.

Tem alguma chance de recuperar o dinheiro depositado no golpe?

Delegado Barreto – Com a transferência acontecendo, dá para tentar entrar em contato com o banco imediatamente e verificar a viabilidade de cancelar um DOC ou TED. Hoje temos, também, a situação do PIX, que é até imediato, mas dá para tentar também. Mas, claro, com um trabalho da Polícia Civil que identifique os autores e os localize, eles podem ser responsabilizados e, caso estejam com o dinheiro, as vítimas podem ser ressarcidas.

Golpistas agem em todo o país

Há um padrão para este golpes? O que a polícia sabe sobre estes estelionatários?

Delegado Barreto – Sim, há um certo padrão. A gente vem notando que a maioria destes golpistas estão em São Paulo. Há também uma outra quadrilha grande em Goiânia. Recentemente, foi constatado também que há quadrilhas de clonagem desse tipo dentro de presídios, com uma operação que encontrou milhares de chips e telefones celulares que entraram indevidamente ali e que eram utilizados por detentos para aplicar esse tipo de golpe.

Se num tipo “normal” de estelionato, o criminoso consegue fazer quatro ou cinco vítimas, num golpe desses de Whatsapp, a pessoa consegue fazer até 50 vítimas num dia.

Por isso é muito importante, inclusive, que as pessoas tomem cuidados com as informações que divulgam nas redes sociais, que as protejam, que não as deixem abertas, expostas, sem colocar informações demais sobre a vida pessoal.

Como estes golpistas escolhem as vítimas?

Delegado Barreto – Esse tipo de golpe começou em sites como OLX, Mercado Livre, sites de vendas de carros. O criminoso pegava aquele Whatsapp exposto e o clonava. Mas hoje esse tipo de golpe está mais sofisticado. O indivíduo hoje estuda as vítimas antes de entrar em contato com seus amigos e parentes. Eles entram no Facebook, no Instagram da vítima, quando são abertos, e verificam seus gostos, onde trabalham, que lugares frequentam. Por exemplo, a pessoa vai muito numa determinada churrascaria, aí o criminoso entra em contato com ela se fazendo passar pelo estabelecimento, falando que a vítima ganhou um rodízio e pede informações, principalmente o código de validação, e aí a pessoa perde seu Whatsapp.

Como não cair no golpe?

Delegado Barreto – A principal orientação é para que as pessoas habilitem a verificação em duas etapas no Whatsapp, que é uma camada-extra de segurança que faz com que a pessoa cadastre uma senha PIN. Essa é a camada dupla, com código SMS enviado pelo aparelho, mais essa senha PIN. Dessa forma, mesmo que alguém ligue e convença a passar dados, a pessoa tem mais dificuldade para cair.

As pessoas que caem no golpe são chamadas, muitas vezes, de ‘idiotas’, até por familiares, por terem caído no golpe. O que o senhor diria sobre isso?

Delegado Barreto – Os golpistas são muito convincentes, num trabalho de engenharia social muito forte, usando elementos pessoais previamente estudados. A pessoa até se pergunta “como caí nisso?” Mas o fato é que  os criminosos realmente fazem crer que aquilo que dizem é verdade. Por isso, muito importante essa camada dupla de segurança, com duas etapas. Aí, mesmo que a pessoa passe o código de verificação que vem por SMS, quando o indivíduo pede também a senha PIN, que é pessoal, aí fica mais fácil entender que estão tentando entrar no Whatsapp dela e não fornece.

Eles, inclusive, quando invadem o Whatsapp da vítima, às vezes até instalam a verificação em duas etapas para evitar que a vítima tente acessar o aplicativo de novo em seu aparelho. É importante que a vítima, tentando instalar o Whatsapp no celular novamente, quando pedir a senha PIN, coloque qualquer senha aleatória, várias vezes, justamente para dar erro, aí o próprio aplicativo entende que está havendo alguma situação diferente do habitual e ele mesmo bloqueia aquela conta.

Como configurar o Whats em duas etapas:

Passo 1: Abra o WhatsApp e acesse o menu do aplicativo simbolizado pelos três pontinhos no canto superior direito da tela.

Passo 2: Na aba aberta, clique em “Configurações”.

Passo 3: Agora, acesse a opção “Conta”.

Passo 4: Clique em “Verificação em duas etapas”.

Passo 5: Na nova tela, clique em “Ativar” para iniciar a configuração do recurso.

Passo 6: Neste momento, você deverá criar uma senha de seis dígitos (PIN) e confirmar o código escolhido. Depois, também será possível registrar um endereço de e-mail para recuperar o código caso seja necessário.

Passo 7: Depois da personalização, toque em “Concluído” para finalizar a configuração do recurso.

Serviço

Fone do Nuciber em Curitiba – 41-3304 6800

Email: [email protected]

 



Fonte: Banda B

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