Armas de PMs envolvidos em ação que terminou com dois jovens mortos, em Niterói, foram recolhidas

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Um policial militar do 12º BPM, que estava na operação que culminou na morte dos dois jovens em na comunidade Santo Cristo, na Engenhoca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, afirmou em depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) que disparou seis tiros quando estava na favela. Um segundo PM disse também ter feito disparos, mas não soube precisar quantos. As armas dos dois agentes — fuzis 762 — foram apreendidas e passarão por um confronto balístico no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Jefferson Bispo da Silva Freitas tinha 15 anos Foto: Facebook / Reprodução

As informações são do delegado Mário Lamblet, da DHNSGI. A Polícia Civil informou que os dois mortos — Gabriel Machado Estevão, de 19 anos, e Jefferson Bispo da Silva Freitas, de 15 — não tinham anotações criminais.

— Fizemos uma pesquisa e nenhum deles tinha passagens — contou o delegado.

De acordo com ele, além dos dois policiais que já foram ouvidos, outros serão chamados para depor durante esta semana.

— Vou precisar, inicialmente, de uma perícia nas armas e de testemunhas para ajudar (a resolver o caso). Estamos analisando as notícias que estão chegando — disse Lamblet, que completou: — Eles (os militares) alegaram que chegaram na comunidade e teve um confronto com quatro elementos. Após o tiroteio, eles encontraram dois elementos caídos e com os jovens estavam drogas, uma pistola e uma granada.

Segundo a investigação da DHNSGI, por ora não há indícios de que os dois jovens tenham sido executados. Os agentes vão apurar se houve, por parte dos PMs, alteração na cena do crime.

Gabriel Machado Estevão, de 19 anos
Gabriel Machado Estevão, de 19 anos Foto: Reprodução

Mário Lamblet pede para quem viu algo errado na operação policial e tenha algum vídeo procurar a polícia:

— Até agora, ninguém procurou a DH, mas pedimos que a população venha e traga algum vídeo para ajudar. Ontem (terça-feira) ouvimos dois familiares, um de cada vítima. Precisamos de perícias para elucidar o crime.

PM abre inquérito para apurar o caso

Além da investigação da Polícia Civil, a Polícia Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o que aconteceu no local. O 12º BPM (Niterói) ficará responsável pela apuração. É o mesmo batalhão que estava na operação que culminou nas duas mortes.

Ainda de acordo com a corporação, agentes “estavam em patrulhamento pela comunidade Santo Cristo, no bairro Engenhoca, no município de Niterói, quando foram atacados por disparos de arma de fogo e ocorreu reação. Após cessar o confronto, dois indivíduos foram encontrados feridos e houve apreensão de uma pistola com ‘kit rajada’, uma granada, 163 trouxinhas de maconha e 196 pinos de cocaína”.

A PM não explicou com quem a arma, o explosivo e as drogas foram encontrados. Ainda segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, “o Corpo de Bombeiros foi acionado para o socorro dos dois indivíduos. No local, a equipe de bombeiros designada constatou o óbito destes feridos. A perícia foi acionada”.

Segundo IPM em dois dias

O IPM sobre as mortes no Santo Cristo, em Niterói, é o segundo aberto em dois dias para apurar ações policiais. Na segunda, um homem morreu na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, numa situação que envolveu agentes do 18º BPM (Jacarepaguá). Marcelo Guimarães passava pela Rua Edgard Werneck quando foi atingido por um tiro. Moradores e parentes acusam os PMs de terem atirado contra a vítima, que trabalhava numa marmoraria.

Não havia operação na Cidade de Deus. A Polícia Militar informou que houve um confronto após bandidos atacarem a tiros um blindado que estava posicionado na Edgard Werneck. De acordo com a corporação, os PMs revidaram e também dispararam contra os criminosos.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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