Apreensão de cocaína sobe 321% nas estradas do Rio durante a pandemia

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A apreensão de cocaína nas estradas do Rio aumentou 321% na pandemia. Do dia 13 de março até a semana passada, foram apreendidos 1.295kg da substância, contra 307kg no mesmo período em 2019. Parte dessa alta se explica por uma carga de meia tonelada interceptada no início do mês pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em relação a maconha, foram apreendidos 11.941kg durante a quarentena nas rodovias federais no estado, uma redução de cerca de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, mas, ainda assim, um volume expressivo.

Os altos índices de apreensão de drogas nas rodovias mostram que, apesar da redução de fluxo de veículos e atividades econômicas que margeiam as vias, as medidas de restrição impostas pelo novo coronavírus não frearam a ação dos criminosos.

— Houve redução do fluxo de veículos nas rodovias durante a pandemia, mas o crime organizado não parou — diz o chefe do serviço de operações da PRF no Rio, Rômulo Silva.

Recorde: apreensão de meia tonelada de cocaína Foto: Divulgação

Um levantamento obtido com exclusividade pelo EXTRA via Lei de Acesso à Informação mostra que nos últimos 20 meses a PRF e a Polícia Federal (PF) apreenderam juntas mais de 40 toneladas de drogas, o que dá uma média de meia tonelada de entorpecentes interceptados por semana.

O chefe de operações da PRF explica que o aumento das apreensões está relacionado ao investimento em estratégias de inteligência, que aumentaram a eficácia das abordagens a veículos. Segundo Silva, a Rodovia Presidente Dutra é a principal via utilizada por traficantes para entrar com drogas no estado, por ligar Rio e São Paulo a estados do Sul do país, que fazem divisa com países da América do Sul. Para tentar driblar a polícia, no entanto, criminosos têm utilizado outras vias.

— A PRF verificou que, para tentar dificultar a fiscalização, as quadrilhas tendem a variar as rotas, então, utilizam vias como a BR-040 ou a BR-101, antiga Rio-São Paulo. As apreensões têm aumentado nesses corredores — explica.

O delegado da Polícia Federal Bruno Tavares Simões, que está à frente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) no estado, afirma que a apreensão de drogas impõe prejuízos econômicos às quadrilhas, mas não é suficiente para desarticular o crime.

— A simples apreensão de drogas não tem o condão de desmontar a organização criminosa, o que só reforça a necessidade de serem envidados esforços para enfraquecer o braço financeiro das facções criminosas e o isolamento de lideranças do crime — alerta.

Transporte por rodovias, pelo mar e pelo ar

Embora a maior parte dos entorpecentes apreendidos nos últimos 20 meses tenha sido interceptada nas estradas, a quantidade de drogas flagradas nos portos e aeroportos também salta aos olhos. Só no aeroporto internacional do Galeão, a PF apreendeu 192kg de cocaína, 61kg de maconha e quase 40 mil comprimidos de ecstasy.

Nas estradas, as apreensões até setembro já superaram todo 2019. Em nível nacional, a PRF teve aumento de 116% de apreensão de maconha, chegando a 580 toneladas. Em relação à cocaína, este ano foram apreendidos 31% a mais do que em todo o ano passado: mais de 24 toneladas da droga.

R$ 270 milhões de ‘prejuízo’

Para Silvia Ramos, cientista social e coordenadora do Observatório da Segurança do RJ, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), a atuação da PRF nas estradas pode servir de exemplo para outras forças policiais.

— Os métodos da PRF mostram que é possível ter apreensões e interromper o mercado das drogas sem os custos financeiros e humanos das milhares de operações cotidianas em favelas, onde há muito tiroteio e muitos efeitos negativos — diz.

De acordo com Rômulo Silva, a PRF associa a expertise do policial com treinamentos específicos de combate ao narcotráfico. As ações são orientadas pelo setor de inteligência, o que tem gerado apreensão de maiores quantidades de entorpecentes.

— Se a gente monetizar as apreensões de drogas no Rio de Janeiro de 2018 a 2020, podemos calcular em torno de 270 milhões de reais o “prejuízo” imposto ao crime organizado. Esse é o montante de dinheiro que não chegou ao chefe da quadrilha, o que contribui para diminuir o potencial deles de aquisição de armamentos para cometer outros tipos de crimes.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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