Após relatos de tortura dentro da prisão, Edison Brittes é transferido para Casa de Custódia de Piraquara

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Após autorização da Justiça, Edison Brittes foi transferido da Penitenciária Central do Estado (PCE) para a Casa de Custódia de Piraquara (CCP), na Região Metropolitana de Curitiba. A decisão atende a pedido da defesa do réu que relatou estar sofrendo violência física e psicológica dentro da prisão. Ele é acusado pela morte do jogador Daniel Corrêa Freitas em 2018.

Edison Brittes e a esposa, Cristiana (Foto: Reprodução)

A juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, havia determinado que o preso fosse transferido para a Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP). Porém, de acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), a transferência para São José dos Pinhais, como haviam solicitado os advogados de Brittes para que ele ficasse próximo à sua família, não foi possível. Em nota enviada à Banda B, o Depen explicou que a unidade penal possui outro perfil de preso, não sendo adequada para o respectivo réu.

Tortura

Segundo a defesa de Edison Brittes, entre as torturas sofridas por Brittes estariam o isolamento do réu por 60 dias sem motivação; recolocação no isolamento absoluto por mais 50 dias; entrega de comida azeda, não fornecimento de água potável e agressões físicas sistemáticas dos agentes.

Outras reclamações são a internação em ambiente escuro, sem luz (sendo impossível saber quando é dia e quando é noite), sem banho de sol, colchão molhado e recados opressivos com o seguinte conteúdo: “o espaço vai ficar pequeno pra você aqui”.

As violências contra o réu teriam piorado após o mesmo ter relato os abusos para as autoridade de Piraquara.

Ele está preso desde novembro de 2018 e atualmente é a única pessoa presa pelo crime contra o jogador. Edison Brittes Junior responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo.

Relembre o caso

Réu confesso, Edison Brittes afirma que matou Daniel para evitar o que acreditava ser uma tentativa de estupro contra a esposa, Cristiana Brittes. De início, tudo foi visto como um grande mistério e um detalhe intrigava a todos: o órgão sexual da vítima foi decepado antes de o corpo ser abandonado no local.

A filha do casal, Allana Brittes, era a aniversariante do dia 26 de outubro e foi o motivo para Daniel estar na capital paranaense. O jogador do São Bento foi chamado para uma festa em uma casa noturna do bairro Batel, em Curitiba, e posteriormente foi até a casa da Família Brittes, onde o crime viria a acontecer.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Daniel teria sido flagrado por Edison Brittes Junior na cama com Cristiana Brittes, momento em que a série de agressões começou.

Além de Brittes, teriam participado do espancamento os jovens David Willian Vollero Silva, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Ygor King. A vítima, destaca o MP, “encontrava-se sozinha, desarmada e indefesa, impossibilitada de esboçar qualquer gesto defensivo, dada a superioridade numérica dos codenunciados”.

Com Daniel já praticamente desacordado, ele foi levado no porta-malas de um veículo Veloster até a Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde o crime teria terminado de ocorrer.

Nos depoimentos, os acusados afirmam que a intenção até aquele momento era de fazer Daniel passar vergonha pelo ocorrido, mas algo no celular teria feito Edison Brittes mudar de ideia e executar o crime.

Além da Família Brittes e dos três envolvidos nos espancamentos, uma sétima pessoa foi denunciada pelo MP-PR: trata-se de Evellyn Brisona Perusso, que recentemente voltou a figurar no noticiário policial ao ser detida por tráfico de drogas.

Atualmente, mais de dois anos após o crime, os sete acusados aguardam a realização de júri popular.



Fonte: Banda B