Amigos e coletivos lamentam a morte do cineasta Cadu Barcellos e destacam importância de suas obras

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Amigos e coletivos sociais lamentaram a morte do cineasta Cadu Barcellos, nesta quarta-feira. As mensagens de pesar trazem a influência de Carlos Eduardo Barcellos Sabino, de 34 anos, dentro e fora das telas do cinema. Entre as obras de destaque está a participação no longa “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, de 2010, produzido por Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães, com o episódio “Deixa voar”.

A favela e seus moradores não se restringiam às produções de Cadu. Morador da Maré, na Zona Norte do Rio, se dedicou também a dar aula em projetos e ONGs. “Carismático” e “inspirador” foram algumas das maneiras de descrevê-lo, engajado em espalhar arte nas comunidades.

Por trás de suas obras nas telas, Cadu foi o criador do Maré Vive, um canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa por moradores do Complexo da Maré. Em luto, o coletivo destacou o desfecho em decorrência da violência:

“Hoje nós do Maré Vive estamos de LUTO, mesmo que o amanhã ainda seja de Luta.

Perdemos um amigo para essa violência diária, cria da Favela que esteve conosco tantas vezes. Existe um projeto de Estado que continuará tirando vidas, seja direta ou indiretamente.

Nosso abraço forte e solidário pra a família, em especial pra Dona Neilde, e aos nossos amigos que estão sem chão e sem acreditar nessa partida tão precoce.

Seu legado foi deixado, Cadu. Obrigado!”

Cadu Barcellos também dirigiu o curta “Feira da Teixeira”, de 2006, produzido pelo Observatório de Favelas, ong onde coordenava o núcleo de audiovisual; e o programa “Crônicas da Cidade”, de 2007, exibido no Canal Futura. Ele também assinou direção e roteiro da série “Mais x favela”, de 2011, do canal a cabo Multishow, e integrou a equipe do documentário “5x Pacificação”, de 2012.

O diretor teatral, documentarista e escritor Marcus Faustini destacou na trajetória de Cadu a busca por ligar a favela ao mundo por meio de sua arte. A mensagem em memória do cineasta é acompanhada por uma foto de “Deixa voar”, em que uma ponte conecta lados rivais de um mesmo lugar:

“Essa é uma das imagens mais importantes do cinema brasileiro que é feito por cineastas de favelas. Uma ponte no meio do Complexo da Maré, ligando vidas, atravessando fronteiras. Essa imagem foi feita por Cadu Barcellos, no seu filme Deixa voar. Cadu, que buscou criar pontes, foi assassinado num assalto essa noite no centro da cidade. É revoltante perder tanta gente para o ambiente de violência que se alastra pela cidade. É revoltante saber que isso poderia ser evitado se a cidade não estivesse abandonada por governos. É revoltante ver uma vida tão potente e alegre ser interrompida de forma torpe. Cadu estava certo, precisamos de pontes!!!! Cadu será lembrado por todos nós que convivemos, atuamos ou trabalhamos com ele por sua alegria contagiante. Mas quero também, em sua honra, lembrar dessa emblemática imagem que mostra a inteligência criadora que ele tinha. Meus sentimentos a toda família”, escreveu Faustini.

O diretor teatral, documentarista e escritor Marcus Faustini destacou cena de ‘Deixa voar’ em post em homenagem à Cadu Barcellos Foto: Redes sociais / Reprodução

A Redes da Maré, instituição atuante no complexo de favelas há mais de 20 anos, publicou em uma rede social destacando o olhar apurado de Cadu em enxergar a comunidade como uma “potência”:

“Hoje a #RedesdaMaré amanhece em luto pelo assassinato brutal do jovem e nosso querido amigo Cadu Barcellos. Nosso amor a família, que faz parte da nossa história, aos amigos e parceiros desse jovem que tanto produziu pelo nosso território e é fruto da nossa crença e certeza de que a favela , acima de tudo, é potência e inventividade.”



Fonte: Fonte: Jornal Extra