amigos da modelo falam sobre marido abusivo e ligado à máfia

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Foram oito anos de uma bem-sucedida carreira internacional, até que Eloisa Pinto Fontes, de 26 anos, estampasse as manchetes do Brasil e do mundo após ser resgatada de dentro do Morro do Cantagalo, na Zona Sul do Rio, na última terça-feira, direto para o Instituto Municipal Phillipe Pinel, em Botafogo. Mas o drama da alagoana começou muito antes disso, quando ainda brilhava nas passarelas das principais semanas de moda da Europa.

Eloisa deixou a pequena cidade de Piranhas, no interior de Alagoas, aos 17 anos, para ser modelo em São Paulo. Lá, conheceu Andre Birleanu, supermodelo russo que mudaria sua vida. Eles foram viver juntos em Londres, um salto na carreira da aspirante a top model. Mas enquanto a carreira deslanchava, a vida pessoal ficava cada vez mais tumultuada, mesmo após o nascimento da filha do casal.

Amigos contam que Birleanu se revelou abusivo e controlador. Sem apoio da família e com medo de perder o apoio do marido na profissão, Eloisa suportava.

— Acredito que ela tenha chegado a essa situação por falta de suporte. A família sempre esteve por fora do que acontecia — conta uma amiga que não quis se identificar.

Mas a separação se tornou inevitável, e o divórcio saiu em 2016. O ex-casal iniciou, então, uma batalha legal pela guarda da filha. Birleanu saiu vitorioso, o que foi um duro golpe na vida de Eloisa.

Ex-agente da modelo em Nova York, o carioca Paulo Fernando Santos diz que Andre Birleanu “jogou sujo” nos tribunais, usando fotos comprometedoras da ex, o que também manchou a imagem da modelo.

— Ela sofre muito com essas imagens — conta o booker, que também testemunhou o sofrimento da modelo por não conviver com a filha: — No dia em que Eloisa a reencontrar, metade dos problemas dela serão solucionados — acredita.

A menina hoje tem 7 anos e vive sob os cuidados de uma guardiã, instituída pela Justiça britânica. Eloisa não tem acesso à criança.

Birleanu nega todas as acusações de Paulo Fernando Santos.

Eloisa Fontes e o ex-marido Andre Birleanu Foto: reprodução/ Instagram

Ex-namorado fala de ‘perigo’ no casamento

Carioca radicado há anos em Nova York, o ex-namorado de Elisa, que preferiu manter seu nome em sigilo, contou que o ex-marido da modelo é “muito perigoso”.

— Ele (Birleanu) é filho de mafiosos. Prefiro me preservar — disse o modelo por mensagens de voz.

O rapaz e Eloisa romperam o namoro um mês antes de ela se envolver com o russo e continuaram amigos. Segundo ele, Eloisa “caiu no vício” por causa da depressão e do ex-marido, que é uma “grande pedra no sapato dela”.

Uma ex-namorada de Birleanu, que também não quer se identificar, disse que a filha de Eloisa está bem, longe do pai, e sob os cuidados de uma “família de acolhimento”.

— Andre foi preso na Inglaterra depois de bater em outra mulher e perdeu a guarda da menina. Agora está em Milão infernizando a vida de outra garota. Ele tem envolvimento com a máfia. Acabou com a vida de Eloisa e de muitas mulheres. A Eloisa era uma princesa, uma pessoa do bem, não tinha surto nenhum. Foi morar com ele e me dizia que tinha medo, que ele batia nela e a ameaçava de morte.

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Saúde: sinais de instabilidade

Os primeiros sinais públicos de instabilidade de Eloisa Fontes apareceram em junho de 2019, quando a modelo sumiu por cindo dias em Nova York e foi encontrada vagando numa cidade próxima. Mas foi no Rio de Janeiro, ao longo de 2020, que a alagoana de 26 anos perdeu o controle, a ponto de ser internada três vezes em instituições psiquiátricas.

A última foi na última terça-feira, quando foi levada para o Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo, após ser resgatada do Morro do Cantagalo, onde estava vivendo em situação de rua.

Antes disso, já havia tido uma passagem rápida pela mesma unidade e outra pelo Hospital Jurandyr Manfredini, em Curicica. Nas três situações, apresentava sinais de desorientação.

Uma amiga modelo que pediu para não ser identificada, diz que nos últimos tempos percebeu que a saúde mental de Eloisa estava fragilizada.

— A gente vinha conversando por videochamada, ligações e mensagens. Ela tem problemas psiquiátricos e nunca foi assistida — conta. — O mundo da moda é muito complicado e ela carrega muitos traumas — avalia.

Nos últimos meses, a modelo passou a alternar momentos de estabilidade e de crise. Deixou o apartamento que dividia com o ex-namorado na Barra da Tijuca e começou a ser vista pelas ruas e comunidades do Rio. Viveu um tempo na Cidade de Deus e outra temporada do Jacarezinho, de onde saiu em agosto para a primeira internação, na Zona Oeste. Sob cuidados médicos, reencontrou a mãe, que veio de Alagoas quando soube a situação da modelo. Dias depois da alta, ainda instável, foi levada pela primeira vez para o Instituto Pinel, onde passou duas semanas.

Deixou o Rio, mas retornou e foi viver nas ruas do Morro do Cantagalo, de onde saiu para a nova internação no Pinel. Nos próximos dias, Eloisa Fontes deve ser transferida para uma instituição psiquiátrica particular na Zona Oeste do Rio.

Carreira de sucesso

Do primeiro contrato, aos 17 anos, à temporada que passou em Nova York, antes de voltar para o Brasil, Eloisa Fontes viveu o sonho de toda jovem aspirante a modelo. Foram oito anos de viagens internacionais, desfiles nas principais “fashion weeks” da Europa, encontros com celebridades do mundo da moda.

Entre 2013 e 2015, período em que viveu o ápice profissional — antes da desgastante batalha judicial pela guarda da filha —, Eloisa construiu um portfólio invejável de capas e campanhas, mesmo enfrentando graves problemas de ordem pessoal.

Nas semanas de moda de Paris e Milão, ela desfilou para algumas das mais importantes grifes do planeta, como Armani, Givenchy, Dolce & Gabbana, Kenzo e Stella McCartney. Também estampou capas de publicações renomadas, como Elle, Glamour, L’Officiel e Harper’s Bazaar.

A reputação de Eloisa no mundo da moda era das melhores:

— Poucas vezes faltava a um casting ou chegava atrasada. Era trabalhadora e ganhava seu dinheiro — relembra o ex-agente Paulo Fernando Santos.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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