Voto histórico de mulheres e rebelião de ultraconservadores: as polêmicas do Sínodo dos Bispos, que define o futuro da Igreja Católica




Sínodo dos Bispos, reunião em que 242 membros da igreja debatem e votam sobre questões internas, começou nesta quarta (4) no Vaticano. Pela 1º vez, mulheres e fieis não ordenados poderão votar. Futuro da Igreja Católica vai estar em discussão de quarta-feira (04) até o dia 29 de outubro no Vaticano
O Sínodo dos Bispos – a reunião que define o futuro da Igreja Católica – já começou histórico. Tanto pelas mudanças propostas pelo papa Francisco quanto pela resistência de bispos que se opõem a ideias progressistas do pontífice.
Francisco deu o pontapé inicial, nesta quarta-feira (4), ao 16º Sínodo dos Bispos, um dos eventos mais importantes da igreja que comanda – neste encontro, 242 bispos do mundo inteiro debatem e definem questões ideológicas e regimentos internos da Igreja Católica, que são posteriormente adotados ou não pelo pontífice.
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Mas a reunião já começou recheada de polêmicas, a maioria disputas ideológicas entre o papa e a ala ultraconservadora da cúpula da Igreja.
Veja abaixo algumas das principais polêmicas:
Mulheres com direito a voto
Antes mesmo de a reunião ser iniciada, uma das principais mudanças já foi anunciada pelo papa: em abril, após décadas de apelos por mais participação feminina na igreja, o Vaticano anunciou que 54 mulheres, além de fieis não ordenados, terão direito ao voto no Sínodo, pela primeira vez na história da reunião.
Até agora, as únicas pessoas que podiam votar eram os homens.
E, no domingo (1º), há dias do início do Sínodo, Francisco se disse ainda aberto à possibilidade de que casais do mesmo sexo recebam bençãos de padres.
Durante décadas, as mulheres exigiram o direito de voto em sínodos. Desde o Concílio Vaticano II, as reuniões dos anos 1960 que modernizaram a Igreja, os papas convocam os bispos do mundo a Roma por algumas semanas para debater tópicos específicos.
Em julho do ano passado, o papa nomeou, pela primeira vez na história do Vaticano, mulheres para fazer parte de seu conselho, que norteia decisões do pontífice, como a escolha de novos bispos pelo mundo.
Papa defende igualdade para mulheres, mas descarta sacerdócio feminino
As nomeadas foram as freiras Raffaella Petrini – que era a governadora da Cidade do Vaticano – e Yvonne Reungoat, além da advogada Maria Lia Zervino, chefe da associação das organizações de mulheres católicas.
Apesar de promover mais inclusão de mulheres em cargos e decisões da Igreja Católica, o papa Francisco ainda não permite sacerdotes do sexo feminino, outra reivindicação histórica de parte das católicas.
O pontífice ainda defende que apenas cristãos do sexo masculino podem ser sacerdotes, usando como base a premissa da igreja Católica de que Jesus escolheu homens como apóstolos.
Desde que se tornou papa, Francisco nomeou várias mulheres para cargos administrativos e disse no ano passado que “toda vez que uma mulher recebe um cargo (de responsabilidade) no Vaticano, as coisas melhoram”.
No Dia Internacional da Mulher deste ano, em 8 de março, ele criticou a disparidade salarial entre gêneros, que descreveu como “uma grave injustiça”.
Na ocasião, o pontífice condenou ainda a “praga” da violência contra as mulheres, lembrando um discurso que proferiu em 2021, quando falou de “uma ferida aberta resultante de uma cultura patriarcal e machista de opressão”.
Rebelião dos ultraconservadores
Comunidade católica reage à decisão do Papa Francisco de permitir que mulheres votem no Sínodo dos Bispos
As mudanças, que refletem o víeis progressista do papa, foram recebidas com críticas por bispos e cardeais conservadores.
Dois dias antes do início do Sínodo, um grupo deles revelou ter enviado uma carta ao papa exigindo esclarecimentos sobre a bênção para casais do mesmo sexo, o papel das mulheres e outras questões.
O cardeal Raymond Burke, um dos principais críticos do papa, disse que a igreja deve se atentar para o perigo de um “envenenamento da confusão, erro e divisão” que poderia ser introduzido neste Sínodo.
Temas sensíveis
Em um documento de trabalho publicado em junho, o Vaticano apresentou as questões que serão discutidas durante o Sínodo. Entre elas, estão:
O acolhimento de pessoas LGBTQIA+;
A aceitação de pessoas divorciadas;
O debate sobre padres casados, atualmente não permitidos;
A discussão sobre a poligamia;
O lugar das mulheres na Igreja;
A violência sexual.
Mulheres integram, pela primeira vez na história, mesas de debate e votação do Sínodo dos Bispos, um dos encontros mais importantes da Igreja Católica, no Vaticano, em 4 de outubro de 2023.
Yara Nardi/ Reuters
Esta é a primeira vez que o Vaticano aborda tantas questões sensíveis ao catolicismo de forma tão aberta
O que é o Sínodo
O Sínodo dos Bispos foi em 1965 para que Igreja Católica debatesse e adotasse reformas e atualizações.
“É um grande espaço de reflexão da Igreja, sobre sua maneira de ser e de proceder”, resumiu o secretário especial da assembleia, o padre italiano Giacomo Costa.
Para “ter um momento de discernimento mais importante”, o papa Francisco decidiu dividir a assembleia do Sínodo em dois períodos- uma que acontece esta semana e a segunda em outubro de 2024, com uma sessão plenária.



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