Por futuros apoios, centrão cobra inclusão de redutos eleitorais em programas federais


No que foi chamada de uma “última chance” para o Palácio do Planalto, o bloco do centrão cobrou na quarta-feira (31) mudanças urgentes na postura do governo federal com o Congresso Nacional. A principal demanda apresentada a articuladores do governo petista foi uma maior participação da base aliada na máquina pública e no orçamento federal.

Os pedidos de mudança foram apelidados de “pacote do centrão” por auxiliares do governo, que comemoraram na quarta-feira (31) a tardia entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação política.

Na lista de mudanças solicitadas por líderes partidários, estão, por exemplo, segundo relatos feitos à CNN, que demandas regionais, sobretudo nos redutos eleitorais de deputados governistas, sejam incluídas em programas e anúncios federais.

A ideia é que, assim, solicitações de parlamentares sejam contempladas no orçamento federal, o que, na prática, amenizaria a perda política sofrida pelo Poder Legislativo com o fim das emendas de relator, apelidada de orçamento secreto.

Uma demanda também citada à CNN é para que Lula peça à sua equipe ministerial que receba mais deputados e senadores, para permitir a discussão de programas, bem como a inclusão deles em comitivas durante viagens regionais.

Após uma série de reuniões ao longo da quarta-feira (31), a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória da reestruturação ministerial. Nas negociações com interlocutores do Palácio do Planalto, também foi citado, de acordo com deputados governistas, o controle da Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

A previsão de não extinção do órgão federal, como queria o governo federal, foi uma vitória do bloco do centrão na votação da quarta-feira. A entidade federal é responsável por políticas e projetos de saneamento básico, o que costuma render dividendos eleitorais para quem lhe controla.

O “pacote do centrão” também incluiria a liberação de emendas parlamentares represadas, a descentralização da articulação política, com maior participação dos líderes do governo no Congresso Nacional, e maior espaço no primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios.

Nos bastidores, no entanto, Lula tem afirmado que não pretende tão cedo fazer uma reforma ministerial, que deve ficar apenas para o ano que vem, e que não avalia uma troca no comando da Saúde, pasta almejada pelo centrão.



CNN Brasil