Polícia e Forças Armadas do Equador se mobilizam após dissolução da Assembleia


Os principais órgãos de segurança do Equador fizeram posicionamentos oficiais sobre sua atuação nesta quarta-feira (17) após o presidente do país, Guillermo Lasso, ter assinado a chamada “morte cruzada”, com a qual dissolveu a Assembleia Nacional.

O chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, Nelson Proaño Rodríguez, assegurou que tanto as Forças Armadas quanto a Polícia Nacional manterão “inalterável sua posição de absoluto respeito à Constituição e às leis”.

A Polícia Nacional do Equador informou no Twitter que está vigiando as instalações da Assembleia Nacional. No post, há fotos de agentes uniformizados utilizando equipamento antimotim.

Em meio à iminência de sofrer um impeachment, Lasso se valeu de um dispositivo legal. Com a “morte cruzada”, ele anuncia a dissolução da Assembleia Nacional, que iniciou um processo contra ele e que fatalmente acarretaria em um afastamento compulsório.

Agora, ele poderá governar por decretos-lei de urgência econômica enquanto se realizam eleições para presidente e legisladores.

A medida de “morte cruzada” ocorre um dia depois de iniciado um julgamento político contra ele na Assembleia Nacional por sua suposta participação no crime de peculato, no âmbito da investigação denominada “Caso Encuentro”, pela suposta existência de um esquema de peculato em pelo menos quatro empresas públicas, acusações que sempre foram rechaçadas pelo presidente.

Segundo a oposição, o presidente não rescindiu contrato entre a Frota Petroleira do Equador (Flopec) e o consórcio Amazonas Tankers para transporte de derivados de petróleo, o que supostamente teria representado prejuízo aos cofres do Estado.

O presidente tem insistido que é inocente e que aqueles que pretendem destituí-lo querem desestabilizar o país e atacar a democracia. Lasso nega a existência de uma estrutura de corrupção no seu Governo e diz que existem instituições do Estado “preocupadas em derrubar o Governo”.

“Todos os esforços do legislativo estão voltados para desestabilizar o governo com um julgamento político infundado. Neste momento estão promovendo um suposto crime de peculato por omissão que não existe em nossa legislação, com o qual querem garantir que eu seja politicamente responsável por não ter agido contra um caso de corrupção”, disse Lasso em seu anúncio na quarta-feira, 17 de maio.

“É um contrato de 2018, três anos antes de eu assumir a presidência. Um processo sem provas, contraditório, confuso, ilegal e ilegítimo. É o mecanismo para destruir o presidente”, disse.

(Com informações de Ana María Cañizares)

 



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