PL se divide sobre indicação de deputado investigado para comandar CPI


Autor do requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os atos do 8 de janeiro, que resultaram na invasão dos prédios da Praça dos Três Poderes em Brasília, o deputado André Fernandes (PL-CE) é cotado para presidir o grupo, que pode ser instalado na semana que vem.

No entanto, apesar de defendido pelos líderes da legenda, outros políticos do PL acreditam que o fato de ele ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode prejudicar o andamento dos trabalhos.

No dia 23 de janeiro, o STF abriu inquérito contra o deputado por incentivo e apoio aos atos. No dia 4 deste mês, Moraes prorrogou a investigação até junho.

André Fernandes é investigado por vídeos publicados no Twitter convocando “ato contra o governo Lula”, e por ter afirmado que estaria presente.

Após as invasões, postou a imagem da porta de um armário vandalizado do STF, com o nome do ministro Alexandre de Moraes, com a legenda: “Quem rir vai preso”.

Por isso, pressionar para que ele presida a comissão pode “parcializar os trabalhos, afrontar o STF, aumentar polarização e prejudicar o andamento dos trabalhos”, de acordo com aliados do próprio Fernandes e que defendem a CPMI.

O discurso ensaiado pela oposição para proteger Fernandes e outros deputados e senadores que convocaram para os atos será o de que o Parlamento não pode se pautar por algo que não foi julgado ainda e que está em investigação pelo STF.

Além de André Fernandes, as deputadas federais Clarissa Tércio (PP-PE) e Silvia Waiãpi (PL-AP) também são investigadas pelos crimes de terrorismo, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça, perseguição e incitação ao crime. Todos negam envolvimento.



CNN Brasil