Pacto Global da ONU alerta para a importância de investimento em responsabilidade social para o planeta


Nesta quarta-feira (26) a campainha da B3, a bolsa de valores brasileira, soou para o anúncio de uma nova “empresa” listada, a Terra, com o ticker “TERR4”. Sim, “empresa” entre aspas porque a cerimônia de IPO, sigla em inglês para Oferta Pública Inicial, era simbólica, pela inclusão do nosso planeta no mercado de capital aberto.

A apresentação em um vídeo mostrou nosso planeta como uma das mais antigas e tradicionais “companhias” que se tem conhecimento, com bilhões de anos de existência. Mesmo sendo única no segmento e com 8 bilhões de consumidores, a Terra atualmente apresenta os piores resultados da sua história.

Indicadores das ONGs Global Footprint Network e WWF apontam que em julho de 2022 a humanidade já tinha utilizado mais recursos naturais do que a natureza seria capaz de regenerar.

Ou seja, seria necessário 1,7 planeta para sustentar o consumo de toda população global no ano passado. A tendência é que esse esgotamento aconteça ainda mais cedo em 2023.

O Pacto Global conta com 18 mil empresas participantes no mundo. O Brasil é o segundo país em signatários, com 1900 companhias, fica atrás apenas da França.

A partir desse chamamento, o objetivo é estimular que mais empresas façam parte do Pacto, iniciativa da ONU para engajar a adoção de políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, por meio de Dez Princípios nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

“Somente com a união de todos esses stakeholders faremos a diferença de fato. Por isso, esse lançamento do IPO da Terra tem um simbolismo muito importante para o Pacto Global da ONU e seus parceiros nessa jornada. Sem deixar ninguém para trás”, afirma Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil.

Neste contexto de linguagem empresarial, a desigualdade social é traduzida para má distribuição dos dividendos e o desmatamento, a poluição de rios e a perda de biodiversidade se traduzem na má gestão dos seus ativos e patrimônio.

“O toque de campainha na B3 marca simbolicamente a criação de um senso de urgência, por meio da linguagem empresarial, para encorajar novos participantes para o Pacto Global, assumindo políticas alinhadas aos princípios de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção”, explicou a Vice-presidente da B3, Ana Buchaim.

Foi criado um site no qual as pessoas podem acompanhar as ações da empresa, em tempo real. O valor inicial foi de U$ 20,30, em referência às metas da ONU para 2030.

O mecanismo de flutuação funciona por meio do monitoramento de diversos portais de notícias do Brasil e do mundo. “A cada notícia sobre mudanças climáticas, desigualdade e outras pautas socioambientais, o valor da ação oscila. Quando negativas, o valor cai. No caso oposto, o valor sobe”, explicou Filipe Bartholomeu, CEO da Almapbbdo, responsável pela campanha.



CNN Brasil