Moradores reclamam de prejuízos com obras do Metrô na Zona Leste de SP


Projeto de extensão dos trilhos deve ligar a Vila Pudente, que atualmente é a última estação da Linha 2-Verde, com Guarulhos

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Trem do Metrô da Linha 2-Verde de São Paulo; a ampliação dos trilhos tem causado prejuízos aos moradores da Zona Leste da capital paulista

Obras de ampliação da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo têm causado transtornos aos moradores da Zona Leste da capital paulista. Moradores do bairro Vila Mafra reclamam de danos na estrutura de suas casas. O projeto de extensão dos trilhos deve ligar a Vila Pudente, que atualmente é a última estação da linha, com Guarulhos. A primeira etapa estende a linha até a penha, com previsão de entrega para 2026. A construção ainda está na área do Parque Linear Rapadura, que tem uma área protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras mal começaram e já causaram diversos prejuízos aos moradores.

Consultado pela reportagem da Jovem Pan News, Alexandre Carpinelli mora no local há sete anos e começou a ter problemas já em 2021. Ele, a esposa e o filho de dois anos tiveram até que se mudar devido aos transtornos. “Tiveram vários episódios recentes de acidentes, então a gente não sabe se é seguro ou não. Eles falam que é, mas a gente tem aquela desconfiança, né? Eu e minha esposa nos mudamos por razões emocionais mesmo, porque a gente não tem confiança para ficar aqui, fora o barulho e a sujeira da obra. Começou a ter muito barulho, poeira, funcionários trabalhando e agora nós tivemos episódios de rachaduras nas casas. Canos estouraram nas paredes, a casa inclinou para frente e a gente está com o psicológico abalado por não ter certeza se é segura a casa ou não”, declarou o morador.

“Eu estava viajando e uma vizinha me ligou dizendo que a casa estava inundando totalmente. Um cano dentro da parede rachou porque a casa envergou e vazou muita água no chão até as paredes. Eu perdi bastante coisa, roda pé, parede, os móveis. Estragou tudo”, relatou Carpinelli. Além dos moradores, que têm de lidar com tapumes no portão de entrada, algumas casas estão dentro de uma área de risco. É o caso da residência de Marta Cavalcante, que explicou à reportagem que quando recebeu a carta do Metrô, que notificou o início das obras, os moradores se mobilizaram e acionaram o Tribunal de Contas do Município (TCM).

“Verificamos que haviam várias irregularidades na instalação desse canteiro nessa área porque se tratava de uma área de preservação permanente. Com árvores ameaçadas de extinção e vários animais. Em meados do ano passado, já no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Humberto Martins caçou nossa liminar dizendo que o Metrô teria vários prejuízos com a manutenção da obra parada”, afirmou a moradora. Em nota, o Metrô disse que todos os imóveis do entorno das obras da Linha 2-Verde são monitorados, e que as análises já feitas nos imóveis das regiões da Vila Formosa e Rapadura não demonstram danos estruturais.

O documento completa que ao menor sinal de movimentação que comprometa a estrutura as medidas de segurança são adotadas imediatamente. Além de reparos, o Metrô afirmou que custeia eventuais hotéis ou pagamento integral de aluguéis de famílias que forem removidas, mas na prática não é isto que os moradores têm vivido. Marta rebateu tais afirmações: “O Metrô tem um canal de atendimento aos moradores que funciona como telemarketing. Muito gerundismo no atendimento e pouca assertividade. Nós não conseguimos entender como é possível morar em casas rachadas e em situação de risco. O Metrô monitora a situação, mas sabe que é uma área que está sujeita a acidentes. Estamos tentando um diálogo, mas o Metrô nunca recebeu a comissão de moradores e nunca foi em nenhuma audiência pública, realizada na Câmara dos Vereadores por parte da solicitação dos moradores. Hoje, nós somos reféns do Poder Público e não temos voz”.

*Com informações da repórter Nanny Cox





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