Os perigos que a orla da Praia do Forte expõem para os turistas nesse carnaval

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A orla da Praia do Forte vai receber centenas de milhares de turistas, a partir dessa sexta-feira, 1º de março, para todo o carnaval. Durante a semana, a Prefeitura realizava a limpeza e manutenção dos canteiros, aparava o mato e instalava a “Arena dos Blocos”, no estacionamento ao lado dos novos quiosques. Porém, existem PERIGOS VISÍVEIS para todo mundo “ao que parece menos para Prefeitura” na orla da Praia do Forte, no trecho entre a Praça das Águas e a entrada da praia na altura do último posto salva-vidas permanente, sentido Arraial do Cabo.

Desde a semana passada, a nossa reportagem vem acompanhando as ações da Prefeitura e esperou para concluir essa matéria, na sexta-feira de carnaval, o dia em que os turistas começam a chegar em massa à cidade. Flagramos uma série de problemas que, à primeira vista, vão ficar como estão, porque há vários meses a situação só vem se agravando, devido à falta de manutenção dessas estruturas. E é improvável que tudo vá ser consertado em apenas um dia.

Vamos começar pela Praça das Águas, investimento milionário da Prefeitura, que está totalmente abandonado e é um “cartão postal negativo” de Cabo Frio. As casas de bombas da estrutura servem até mesmo como abrigo para pessoas em situação de rua. Isso sem contar que quase todas estão sem portas e com muita fiação exposta. O local ainda está com as estruturas internas de madeira que deveriam servir de assento para as pessoas, deterioradas, Além disso, o local acumula água de chuva parada em vários pontos, há semanas, e faltam vidros em alguns locais, o que pode causar acidentes a pessoas desavisadas. Acidente, aliás, que uma tampa de bueiro em concreto quebrada também pode provocar.

Nem mesmo os ídolos do esporte em Cabo Frio passaram imunes ao descaso e desleixo das autoridades. As estátuas em bronze do surfista Vitor Ribas e do jogador de futebol Leandro (ídolo do Flamengo) estão “amputadas” e, com certeza, vão virar memes de carnaval nas redes sociais, afinal, parecem mais personagens de Halloween, ao melhor estilo “The Walkind Dead”. Ribas está sem a mão e Leandro sem a mão e sem parte do braço. Por falar em estátuas, as “Brincadeiras de Crianças” que adornam a praça aos fundos dos novos quiosques, de autoria do artista plástico cabofriense Ivan Cruz, também estão danificadas e desgastadas. Uma delas, a de “pular carniça” é um perigo, porque as mãos de um dos bonecos foram corroídas pelo tempo, o descaso e a falta de manutenção, e estão com arestas expostas.

No mesmo local, há bueiros entupidos. Mas esse é o menor problema. Ao longo de todo o piso inferior, paralelo à nova orla dos quiosques, há gaiolas de ferro que abrigam as estruturas dos poços artesianos que deviam operar na irrigação dos jardins. No mesmo local, estão as “caixas de luz” dessas estruturas, com vários disjuntores. Fiação exposta, sem proteção e despencando pela ação da ferrugem. Nossa reportagem soube de um funcionário de quiosques , inclusive, que comerciantes dali retiram água desses poços ” que é imprópria para o consumo ” para abastecerem os seus estabelecimentos.

E não param por aí os problemas. Ao longo desse mês estamos observando que cresceu muito a população em situação de rua em Cabo Frio. Identificamos acampamentos na Praia do Forte (pelo menos dois), na esquina do Supermercado Extra do Braga, no Centro da cidade, onde há sempre pessoas dormindo pelas ruas. De São Cristóvão e outros bairros sempre nos chegam denúncias. Mas, desde o início do mês, estamos acompanhando o dia a dia de um cidadão que está literalmente MORANDO EMBAIXO DOS QUIOSQUES, nas áreas de respiração que não deveriam ter nada, nem lixo (o que aliás tem demais), muito menos pessoas morando.

Esse é o triste cenário que essa multidão de um milhão de pessoas vai testemunhar durante o carnaval na “nova orla” da Praia do Forte, inaugurada há APENAS CINCO ANOS. E não adianta dizer que não tem dinheiro, não teve tempo. Com o dinheiro absurdo que se cobra para a entrada de ônibus de excursão na cidade ” dos quais a Prefeitura também não prestou informações até hoje ” era possível fazer esses reparos. E mais do que isso, em quase todos esses casos é o simples trabalho de PREVENÇÃO e MANUTENÇÃO que daria jeito. Só nessas duas estruturas que citamos: a Praça das Águas e a Nova Orla dos Quiosques de Cabo Frio estão enterrados, em recursos públicos, mais de R$ 25 milhões de uma obra inaugurada no dia 15 de dezembro de 2013, e que tinha iluminação cênica especial, importada da Coreia.

Essa matéria é um EDITORIAL, portando, não cabe procurar a Prefeitura (ASCOM) para que eles deem uma resposta sobre todas essas denúncias. A melhor resposta é o trabalho, com planejamento e gestão, aliás, duas palavras que não saíram do vocabulário do prefeito Dr.Adriano Moreno, na campanha suplementar do ano passado. Agora, ao que parece, ele vem adquirindo os mesmos defeitos daqueles que sempre criticou. A melhor resposta é o trabalho! É esse que queremos ver, divulgar e aplaudir, mas nesse carnaval, ao que parece, a nossa expectativa quanto a isso vai mesmo é virar CINZAS!

REPORTAGEM DO G1 SOBRE A INAUGURAÇÃO DA PRAÇA DAS ÁGUAS

http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2014/03/praca-das-aguas-de-cabo-frio-no-rj-recebe-iluminacao-da-coreia-do-sul.html

REPORTAGEM DO JORNAL “O GLOBO” SOBRE AS OBRAS DA NOVA ORLA DOS QUIOSQUES, AO CUSTO DE R$ 25 MILHÕES

https://oglobo.globo.com/rio/bairros/cabo-frio-inaugura-15-novos-quiosques-apos-ordem-do-mpf-11063877

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