Garis da Comlurb anunciam greve por tempo indeterminado no Rio de Janeiro

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Parte dos trabalhadores da Comlurb faz uma paralisação desde meia-noite desta sexta-feira (26/04), segundo o sindicato da categoria. Em alguns pontos do Rio, o lixo já começa a se acumular pela calçada. Em ruas da Tijuca, moradores ressaltam que o caminhão da Comlurb ainda não tinha passado até as 8h e o lixo estava espalhado por calçadas das ruas Uruguai e Conde de Bonfim. Eliano Souza, porteiro de um prédio da região, passou a madrugada esperando os garis. Segundo ele, o lixo é colocado na calçada por volta das 20h e o caminhão passa entre 21h e 22h.

“Mas hoje, à 1h35 e não passou ainda. É esperar para ver”, disse o porteiro que até às 7h desta sexta não teve o lixo do prédio recolhido. Os quatro caminhões que recolhem o lixo na Tijuca ficaram parados na Praça da Bandeira, na Zona Norte. O responsável pela coleta noturna no bairro, Valter Tomás, explica o que aconteceu. Ele conta que estava trabalhando normalmente. “Estava aqui fazendo a coleta domiciliar. E aí, o pessoal do movimento sindical passou, segundo os colegas de trabalho, e falou que eles tinham que parar porque a partir da 0h era greve. Resolvemos parar para evitar aí um confronto”, disse o funcionário.

A greve dos trabalhadores da Comlurb começou à meia-noite e vai durar por tempo indeterminado, até que a prefeitura atenda à reivindicação da categoria: reajuste salarial de 10%. Os trabalhadores também querem adicional de insalubridade para agentes de preparação de comida, vigias e auxiliares de serviços gerais.

O movimento tinha sido suspenso pelos trabalhadores na terça-feira (23/04), depois que a Comlurb apresentou uma nova proposta de reajuste. Na quinta-feira (25/04), a categoria recusou a oferta de 4% de aumento. No domingo (21/04), a Justiça do Trabalho determinou que pelo menos 60% do efetivo da Comlurb continuasse trabalhando. No Leme, na Zona Sul, o expediente dos garis foi normal durante a madrugada. Caminhões e tratores circularam para recolher o lixo. Duas grevistas foram até a gerência da Comlurb no bairro para convencer os colegas a aderirem ao movimento.

“Os serviços essenciais não serão suspensos. Nós vamos respeitar o limite de greve, se sair alguma nota de algum desembargador pedindo que aumente mais ainda o efetivo isso será respeitado, nós não queremos prejudicar em nada a população”, disse a gari Elaine Ferreira, membro da comissão de negociação do sindicato. Em nota, a Comlurb informou que menos de 20% dos garis aderiram ao movimento e que as gerências na Zona Oeste, incluindo Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Bangu, Campo Grande, funcionam normalmente. A companhia também informou que iniciou as áreas afetadas por piquetes de funcionários sofrerão atrasos pontuais, mas que os serviços não deixarão de ser realizados.

A ÍNTEGRA DA COMLURB SOBRE A PARALISAÇÃO

“A Comlurb informa que menos de 20% dos garis aderiram à greve decretada a partir desta sexta-feira (26/04) pelo Sindicato dos Empregadores de Empresas de Asseio e Conservação do Rio (Siemaco-Rio), apesar de a Companhia ter feito um esforço para elevar a proposta de reajuste salarial para 4%, percentual superior à reposição da inflação acumulada no ano, e ter atendida todas as reivindicações da categoria (abono de falta do dia de greve de 22/4, adicional de insalubridade para Agentes de Preparo de Alimentos (APAs), vigias e auxiliares de serviços gerais, na forma da lei, entre outras medidas). O Sindicato está desrespeitando o prazo legal previsto na Lei de Greve, que exige que paralisação em serviços essenciais precise ser avisada à população com 72 horas de antecedência.

As gerências da Comlurb na Zona Oeste, incluindo Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Bangu, Campo Grande, entre outros, estão funcionando normalmente. Nos bairros de Piedade, Marechal Hermes, Tijuca, Laranjeiras e Copacabana, os garis que querem trabalhar estão sendo intimidados por piquetes nas portas das gerências. Esse tipo de atitude dos grevistas vai contra a determinação da Justiça que garante aos garis trabalhar sem ser intimidados por piquetes, sob multa diária de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) em caso de descumprimento. De acordo com a mesma determinação da Justiça, o Sindicato também deve continuar a manter um contingente mínimo de 60% do efetivo, garantindo a manutenção da prestação dos serviços, não podendo afetar a coleta domiciliar, limpeza hospitalar, limpeza de logradouros, encostas, ralos e bueiros, escolas e preparo de alimentos nas escolas municipais.

A Companhia iniciou o plano de contingência para garantir a manutenção dos serviços em toda a cidade. Nos locais que estão sofrendo com piquetes, a Comlurb avisa que os serviços podem ter atrasos pontuais, mas não deixarão de ser realizados. A Comlurb poderá remanejar funcionários de uma gerência para outra evitando problemas nos atendimentos.

O percentual oferecido pela Companhia era extensivo a todo o pacote de benefícios, que soma mais de 20 itens, a maioria não sendo de obrigação legal. Vale lembrar que a Companhia oferece a melhor cesta de benefícios da categoria no país, incluindo planos de saúde e odontológico extensivos aos dependentes, auxílio-creche, entre outros. Só o vale refeição é o mais alto pago por toda a Prefeitura do Rio. Pela nova proposta, chegaria a R$ 738,40. A Prefeitura reconhece a importância dos garis para a cidade do Rio e isso se reflete no fato de ser a única categoria que conta com reajuste salarial todos os anos, mesmo com as dificuldades financeiras que passa a atual administração municipal.

A Comlurb enfatiza que a remuneração básica de um gari é de R$ 2.560, incluindo salário referência, insalubridade, anuênio e horas extras. O salário de um gari líder de coleta pode alcançar até R$ 5 mil. São valores que nenhuma outra cidade do país paga. A Companhia pede responsabilidade ao movimento grevista para que não prejudique a cesta de benefício conquistada ao longo de 40 anos de luta da categoria. Também lembra que o momento de paralisação é inoportuno, quando a cidade ainda se recupera das consequências nefastas de um período de chuvas intensas e pela decretação de estado de calamidade pública”.


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