Como idosa salvou vidas com sua caminhonete rosa durante incêndio no Havaí




Pinky, de 70 anos, está vivendo em abrigo após asilo que morava em Lahaina ser destruído pelas chamas. Pinky ao lado de sua caminhonete decorada com gliter usada para salvar pessoas no incêndio
BBC
Lynette “Pinky” Iverson é presença constante na cidade havaiana de Lahaina há anos. Os moradores locais a conhecem por sua caminhonete extravagantemente decorada com gliter rosa e pelo seu chihuahua chamado Tiny.
O veículo foi uma salvação para muitos, pois ela carregou “pelo menos uma dúzia” de pessoas na traseira do carro e fugiu da cidade na terça-feira (8/8) quando os incêndios florestais se espalharam.
“Quando cheguei ao meu carro, ele já estava envolto em chamas ao redor dos pneus”, disse ela à BBC News do abrigo de emergência War Memorial Stadium, lembrando como a provação dela começou.
“Tentei salvar pessoas, mas algumas não consegui”, acrescenta ela.
Este é o desastre natural mais mortal da história do Havaí. Até a manhã de domingo (13/8), as autoridades locais já tinham confirmado ao menos 90 pessoas mortas.
Enquanto as chamas consumiam outras residências, ela jogava água na casa dela, na esperança de evitar que as brasas destruíssem o imóvel. Mas, apesar de seus esforços, ela se viu impotente ao testemunhar sua própria casa pegando fogo.
“Uma senhora não queria sair. Outro homem estava gritando socorro”.
“Naquele momento, estávamos engolfados pela fumaça preta, muito preta”, disse ela sobre a cena agitada.
Ela só conseguiu pegar Tiny e as chaves do carro antes de fugir.
Maui tem seis abrigos em operação para receber desabrigados pelo incêndio
BBC
Enquanto conversávamos, notei algo rastejando na cama a apenas alguns centímetros de seu cachorro. Sem saber o que era, ela usou um caderno para jogá-lo no chão, depois o esmagou com sua bota roxa de cowboy.
Era uma centopeia venenosa, disseram ela e outras pessoas do abrigo. Tiny poderia ter morrido se fosse picado, ela acrescentou.
Iverson ficou abalada com a provação e frustrada com a limpeza dos lençóis doados no abrigo.
Sem o telefone, ela diz que espera que o irmão dela, que vive em Nevada, veja que ela falou com a BBC e finalmente saiba que ela está segura.
Iverson viveu em sua caminhonete por seis anos antes de finalmente ser aceita em uma comunidade habitacional para deficientes e idosos em Lahaina.
Agora com 70 anos, ela espera poder encontrar um lugar para morar novamente.
Steve Strode, um ex-mergulhador comercial que vive em Lahaina há 10 anos, diz que é assombrado pelos vizinhos que foi forçado a deixar para trás enquanto fugia para salvar sua vida.
Falando de sua cama no mesmo abrigo, ele diz que havia um homem com deficiência em seu complexo de apartamentos que precisou da ajuda de várias pessoas para poder escapar.
Mas não deu tempo de reunir um grupo para ajudar, diz. “Eu tinha que contorná-lo”, lembra ele.
Ele e seu vizinho sobreviveram usando suas bicicletas para fugir. Os homens, ambos na casa dos 60 anos, tiveram que passar pelas chamas que às vezes chegavam a 3 metros de altura.
Os incêndios florestais na ilha de Maui, no Havaí, onde fica a cidade histórica de Lahaina, e na Ilha Grande começaram na noite de terça-feira. Os ventos do furacão e o clima seco ajudaram a alimentar as chamas, causando uma rápida propagação.
Milhares ficaram desabrigados pelo desastre e Maui tem seis abrigos em operação.



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