Salles é acusado de apologia à ditadura e PGR é acionada


Ex-ministro do GSI, Gonçalves Dias, e deputado federal Ricardo Salles (PL-SP)
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Ex-ministro do GSI, Gonçalves Dias, e deputado federal Ricardo Salles (PL-SP)

O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do MST (Movimento dos Sem Terra), deputado Ricardo Salles, é acusado por colegas de fazer apologia à ditadura e deve ser denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Durante oitiva do general Gonçalves Dias, na última terça-feira, na CPI, o ex-ministro de Jair Bolsonaro perguntou várias vezes ao depoente sua opinião sobre o golpe de 1964. Gonçalves Dias é ex-titular do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

As perguntas de Salles provocaram bate-boca com parlamentares da esquerda, que tentavam desqualificar o mérito das questões. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que não havia pertinência nas perguntas, já que não existe conexão com o tema da comissão. “A senhora fala na sua vez”, rebateu Salles, acalorando a discussão.

“Seus colegas, unanimemente, defendem a ação de 1964. Vou perguntar novamente, é a última oportunidade” insistiu Ricardo Salles, dirigindo-se a GDias, como o militar é conhecido.

Dias disse que não gostaria de entrar nessa seara, mas chegou a chamar o golpe de “movimento de 64”.

“Deputado, isso não é objeto da comissão. O Exército pauta a sua conduta em cima de hierarquia, disciplina e cadeia de comando, amalgamado pelos valores éticos”, afirmou.

Um grupo de dez deputado acionou a PGR alegando “postura lamentável e indecorosa” do relator da CPI, que “realizou de forma injustificável a defesa e apologia do regime de exceção que vigorou entre os anos de 1964 a 1985 no país”. “A fala”, pontuam os deputados, “para além de violação ao decoro parlamentar, configura, em tese, crime comum, além de navegar na contramão da história”.

“Não se pode admitir como possível que um deputado federal, que ocupa um do cargo de representante popular e de defensor das instituições e da Constituição Federal, eleito sob os cânones democráticos, possa vir a público, numa sessão de Comissão Parlamentar de Inquérito, promover apologia a defesa, direta ou subliminar, de um regime de exceção que, em um passado recente, vitimou centenas de vidas e mutilou a ideia de democracia que conduz as nações prósperas e que se orientam no respeito da dignidade da pessoa humana”, frisa um trecho do documento obtido pelo jornal O GLOBO.

O pedido é assinado pelos deputados Padre João (PT-MG), Nilto Tatto (PT-SP), João Daniel (PT-SE), Marcon (PT-RS), Valmir Assunção (PT-BA), Paulão (PT-AL), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Daiana Santos (PCdoB-RS).



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