Novo imunizante é uma parceria do Instituto Butantan com empresa privada
A população brasileira de 2 a 60 anos poderá ser imunizada contra a dengue a partir do ano que vem, com o inicio da produção da vacina 100% brasileira anunciada nesta quinta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da ministra da Saúde, Nísia Trindade.
O portal iG conversou com Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, sobre a nova vacina.
“O Brasil e o mundo necessitam de mais doses contra a dengue. Infelizmente, o laboratório japonês que é o único detentor do registro só tem condições de entregar para o mundo apenas 15,5 milhões de doses em 2025. E, dessas, 9 milhões ficou para o Brasil; uma boa parte dessa produção. Porém, como são duas doses para cada indivíduo, acaba ficando uma quantidade insuficiente para imunizar uma parte significativa da população”, destacou o especialista.
Para o infectologista, a vacina brasileira ajudará a deter a progressão da dengue. Segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, o ano de 2024 teve 6.230 óbitos pela doença e ao menos 6,6 milhões de casos prováveis. Em 2025, o número de casos prováveis já ultrapassa os 400 mil.
”Contar com mais um produtor, ainda mais um produtor nacional, ainda mais uma vacina de dose única, certamente abre uma expectativa de ampliarmos muito a população vacinada e de caminharmos no sentido contrário dessa progressão que a doença tem mostrado nos últimos anos”, avalia Renato Kfouri.
Renato Kfouri, médico pediatra infectologista
A Butantan-DV, ainda segundo o especialista, tem a mesma plataforma da vacina do laboratório japonês, de vírus vivos atenuados, com algumas diferenças na produção, mas com indicações semelhantes.
A vacina QDenga que atualmente é aplicada no Brasil, no Sistema Único de Saúde (SUS), tem indicação de 4 a 60 anos, apesar de ser aplicada hoje na faixa etária de 10 e 14 anos, que tem mais chances de desenvolver os sintomas graves da doença. As doses são insuficientes para ampliar essa faixa etária hoje.
“A vacina do Butantan foi submetida à faixa de 2 a 60 anos, aumentando a cobertura pediátrica. A grande diferença mesmo está na comodidade posológica, a brasileira é uma única dose, o que faz muita diferença”, acrescentou o infectologista.
Kfouri afirma ainda que a Butantan-DV agora depende da aprovação da Anvisa, para que depois seja definida a capacidade de produção e, com isso, o público alvo.” A expectativa é que a aprovação ocorra ainda este ano, mas o processo de produção e distribuição leva mais tempo; deve ser ano que vem mesmo. Com o tempo, conforme formos acumulando vacinados, será notada uma mudança importante da dengue no Brasill, em se tratando de saúde pública”, considera.
IG Último Segundo