Mortos por terremoto na Turquia e na Síria passam de 12 mil; turcos cobram ação do governo, e Erdogan admite dificuldades


Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que ‘o tempo está acabando para os milhares de feridos e desaparecidos entre os escombros’

EFE/EPA/REFIK TEKINMais de 2 mil pessoas morreram por causa de um terremoto que atingiu Turquia e Síria
Milhares de socorristas trabalham em temperaturas gélidas para encontrar sobreviventes

O terremoto de 7,8 graus de magnitude registrado na Turquia e na Síria provocou, até o momento, mais de 12 mil mortes. Na Turquia, o número de vítimas fatais chegou a 9.057, de acordo com último balanço apresentado pelas autoridades locais. O governo declarou sete dias de luto e estado de emergência de três meses nas províncias mais afetadas. Já na Síria o número de mortos subiu para 2.992. A informação é do governo de Damasco e das equipes da defesa civil nas zonas controladas por rebeldes. No momento, milhares de socorristas trabalham em temperaturas gélidas para encontrar sobreviventes sob as ruínas de edifícios que desabaram dos dois lados da fronteira. Nesta quarta-feira, 8, apesar das dificuldades, as equipes de resgate salvaram crianças que estavam nos escombros de um imóvel na província turca de Hatay, onde municípios desapareceram por completo. No entanto, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que “o tempo está acabando para os milhares de feridos e desaparecidos entre os escombros”.

Mesmo com os trabalhos constantes, milhares de turcos cobram ação do governo para intensificar os resgates. Um deles é Ali, que está na cidade de Kahramanmaras, no epicentro do terremoto. Ele tem esperança de encontrar com vida o irmão e o sobrinho, presos entre os escombros. “Onde está o Estado? Onde está?”, pergunta, desesperado. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que visitou a província de Hatay nesta quarta-feira, destacou que existem “deficiências” na resposta ao terremoto e disse que “é impossível estar preparado para uma catástrofe como essa”. A angústia também domina a localidade síria de Jindires, em uma área controlada pelos rebeldes, onde “há mais pessoas sob os escombros do que acima deles”, afirmou Hassan, morador da região. “Há cerca de 400, 500 pessoas presas sob cada edifício, com apenas dez tentando retirá-las. E não há máquinas”, lamentou.

Após o desastre, países prometeram ajuda a Turquia. Entre eles estão China, Estados Unidos, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos. O governo brasileiro também informou nesta quarta-feira que está enviando uma missão humanitária para ajudar nas buscas e resgate das vítima do terremoto. A missão humanitária será composta por 22 socorristas e médicos do Corpo de Bombeiros de São Paulo, outros 20 das Defesas Civis de Minas Gerais e Espírito Santo e quatro cães especializados na busca de sobreviventes – um dos animais participou do resgate das vítimas do desastre da cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, que deixou quase 270 mortos em 2019. A missão humanitária ordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também prevê o transporte de cinco toneladas de equipamentos para busca de pessoas e de ajudas para as vítimas. Já a Síria conta principalmente com a ajuda da Rússia.





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