Cemitério iraquiano de 700 anos tem 6 milhões de sepultados; veja
Construído no século 14, o cemitério de Wadi-us-Salam, no Iraque, impressiona pelo tamanho e pelas histórias. Conheça!Entre os mortos do Wadi-us-Salam, estão pessoas que foram vítimas de guerra, doenças, acidentes e velhice.Anualmente, peregrinos de outros lugares viajam para visitar o cemitério, que abriga os restos mortais de profetas, nobres árabes, cientistas, entre outros.Nesse lugar escuro, cheio de túmulos, abóbadas e catacumbas, as lágrimas e as orações são como a moeda da vida cotidiana.A área foi construída perto do mausoléu do respeitado Imam Ali, uma figura central no Islã xiita.Segundo um historiador local, para os xiitas, que formam a maioria religiosa no Iraque, é de grande importância ser enterrado próximo ao Imam Ali.No cemitério histórico, também repousam sultões, soldados, sacerdotes, profetas e também muitos cidadãos comuns.Desde a morte de Ali em 661 d.C., e seu enterro próximo a este local, as pessoas optaram por não sepultar mais seus entes queridos em outro cemitério senão no Wadi-us-Salam.Najah Marza Hamza, gerente de uma empresa funerária, explica que cavar uma sepultura no Wadi-us-Salaam custa 150 mil dinares (cerca de R$ 238 mil), e as lápides têm preços entre 250 mil e 300 mil dinares (equivalente a R$ 397 mil a R$ 476 mil).Estima-se que mais de 6 milhões de pessoas repousem neste cemitério, sendo predominantemente xiitas iraquianos, mas também incluindo iranianos e paquistaneses, de acordo com alguns historiadores.Para Hakim, ex-presidente da vizinha Universidade de Kufa, o número de enterrados pode ser muito maior, mas é impossível quantificar.Não existem mapas para guiar os visitantes pelo cemitério, que pode se tornar um enorme e complexo labirinto.Uma curiosidade é que o próprio Guinness Book reconheceu o Wadi-us-Salam como o maior cemitério do mundo.Por conta do volume de visitantes, não é incomum encontrar congestionamentos quilométricos nas imensas avenidas que cortam o cemitério.Muitas das pessoas enterradas em Wadi-us-Salam foram vítimas da violência que afetou o Iraque, especialmente nas últimas décadas marcadas por ditadura, guerras e conflitos sectários.Outros indivíduos enterrados perderam a vida durante os períodos anteriores de tristeza e tragédia no Iraque, incluindo a guerra de 1980-1988 com o Irã durante o governo de Saddam Hussein.Abu Mehdi al-Mouhandis, tenente iraquiano do influente general iraniano Qassem Soleimani, também está enterrado no cemitério Wadi al-Salam – ambos perderam a vida em um ataque de drone dos Estados Unidos em janeiro de 2020..Ainda de acordo com o coveiro, eles chegaram a ter que enterrar mais de 200 corpos por dia.