alunos e professores comentam o que acharam do tema


Prova do  Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023
Reprodução

Prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023

O tema da redação do Enem 2023 foi ‘Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho do cuidado realizado pela mulher no Brasil’
 e seguindo o padrão dos últimos anos, abordou um problema da sociedade brasileira. 

Na mesma semana em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou dados mostrando que o Brasil está mais velho e mais feminino, com 51,5% de mulheres e a idade mediana de 35 anos, a prova abordou a invisibilidade do que especialistas chamam de economia do cuidado. 

O termo é usado para se referir ao trabalho realizado majoritariamente por mulheres, no ambiente doméstico, com baixa ou nenhuma remuneração e que contempla realizar tarefas da casa, cuidar dos filhos pequenos e de parentes idosos. 

O que dizem os alunos 

A candidata Layla Nogueira, de 20 anos, fez o  Enem
neste domingo para tentar uma vaga no curso de Sistemas de informação e diz que achou o tema “pertinente” e “esperado” e que não se surpreendeu tanto com a proposta, porque ela já contava  que a redação abordasse a invisibilidade de algum grupo minoritário. 

“Quando a gente estuda a trajetória da mulher e o papel feminino na sociedade, vemos esse assunto. Construí meu texto falando da sobrecarga da mulher e da dupla jornada, relacionando ao fator histórico do período colonial a pobreza de hoje,  para falar como ainda lidamos com o reflexo desse período.” 

Para Talita Ventura, aluna de Geografia que tenta uma vaga para cursar uma segunda graduação em Engenharia da Computação, o tema surpreendeu porque para ela, a economia do cuidado é discutida em pequenos grupos de interesse, normalmente entre mulheres e não em uma escalada tão grande quanto a repercussão que tem a redação do Enem

“Para mim esse trabalho é uma imposição de gênero e quando uma mulher não segue esse papel, ela é julgada de alguma forma. Pensando nisso, usei como argumento o contrato social de Durckheim e o capital cultural de Bourdieu, porque a longo prazo as mulheres são impedidas de terem as mesmas oportunidades que os homens, já que precisa dar conta de uma dupla jornada de trabalho.”

O que dizem os professores 

O professor Thiago Braga, do Sistema de Ensino PH, diz que o tema surpreende justamente pela invisibilidade da questão e por ser um problema ignorado.

“Mas os alunos estão preparados para falar sobre isso. Nessa última semana, trabalhamos na escola o empreendedorismo feminino e maternidade, questões ligadas a igualdade de gênero no mercado de trabalho, que são pontos que contribuem para uma argumentação.” 

O especialista problematiza a forma como o tema foi apresentado e faz um alerta para os alunos.  “A frase tema é muito complexa. Tem muitas palavras chave e isso dificulta a leitura  na hora de produzir o texto. É muito longa e complicada. Os alunos também precisavam ter precisão para trabalhar a questão da invisibilidade, que era realmente o tema e não exclusivamente o trabalho do cuidado, para não perder pontos por só tangenciar o assunto.” 



IG Último Segundo