China usa tecnologia americana para driblar restrições dos EUA


Você já ouviu a expressão “a China é a fábrica do mundo”? Bem, é a fábrica de “quase” tudo. Ao longo de seu processo de desenvolvimento, a China avançou sobre múltiplas indústrias, muito além das roupas e brinquedos de plástico. O país produz transmissores de redes 5G, equipamentos espaciais, turbinas de jatos supersônicos… Mas há uma linha de produtos que a China não consegue produzir completamente: os chips usados em computadores.

Na verdade, diversas indústrias nacionais fabricam chips, mas de arquiteturas mais modestas e em escala insuficiente para sua faminta indústria de tecnologia.

Os servidores, carros autônomos e equipamentos de inteligência artificial feitos no país, quase sempre, usam chips importados, como os da Intel, Nvidia, AMD ou Qualcomm.

Ocorre que está cada vez mais difícil importar tais componentes —essenciais para o desenvolvimento da economia de qualquer nação— uma vez que a lista de empresas chinesas “bloqueadas” pelo governo dos Estados Unidos, sob acusações diversas, não para de crescer.

Como resposta, a China tem feito um esforço hercúleo para fazer sua indústria nacional se sofisticar neste segmento estratégico.

Na última semana, executivos da Nuclei Systems, uma empresa local de chips para carros elétricos apresentou um ambicioso projeto para usar uma tecnologia americana para driblar as restrições criadas pelos Estados Unidos.

Peng Jianying, um dos executivos da Nuclei, anunciou um programa para atrair até US$ 10 bilhões, até 2025, de um consórcio de empresas chinesas para investir em uma arquitetura de chips chamada RISC-V.

Já participam de pesquisas baseadas em RISC-V corporações chinesas como Alibaba, Tencent Holdings, Huawei e ZTE.

A RISC-V é uma tecnologia modular criada inicialmente na Universidade de Berkeley que permite que qualquer pessoa implemente, modifique e distribua projetos de arquitetura de chips sem restrições.

Em outras palavras: é uma tecnologia livre e aberta, o que a tornou muito popular em campos como IoT e servidores de alto desempenho.

Do ponto de vista jurídico, trata-se de uma jogada brilhante: por ser livre, não pode ser envolvida nos programas de sanções econômicas do governo americano.

Para muitos analistas, a tentativa de “sufocar” o crescimento chinês restringindo o acesso de algumas companhias locais estratégicas à importação de processadores do Ocidente está tendo sucesso em “atrasar” a economia chinesa.

Por outro lado, está fomentando projetos como o RISC-V, o que pode, na verdade, acelerar a “autossuficiência” da China em áreas tão sensíveis como a indústria de semicondutores.



UOL Tecnologia