Um planeta com três sóis no céu

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Mundo recém formado pode ficar na constelação do Orion, o caçador

Enorme: O disco de poeira cerca a estrela tripla

Nos filmes de Guerra nas Estrelas o planeta do herói, Luke Skywalker, orbitava uma estrela dupla. E tinha um poente com dois sóis. Tudo indica que a realidade já superou a ficção do George Lucas. Astrônomos que trabalham com dois supertelescópios, o Alma e o Very Large Telescope no Chile detectaram indícios de um mundo que orbita um sistema de três estrelas. Ou seja, ele tem 3 sóis no seu céu. Esse mundo fica na constelação do Orion e esta situado a 1300 anos-luz da Terra, o que elimina a possibilidade de algum turista espacial ir até lá conferir a paisagem.

A pesquisa foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society da Inglaterra. Tudo começou em 2018 quando os telescópios no Chile detectaram um disco de poeira envolvendo o sistema estelar GW Orionis, que fica na cabeça da constelação do Orion. Esses discos de poeira são chamados de protoplanetários, porque os planetas se formam a partir deles. No mesmo ano, em 2018, os astrônomos conseguiram fazer imagens, pela primeira vez, deste processo. Um planeta nascendo de um disco de poeira em torno de uma estrela.

Agora, ao estudar o disco de poeira da GW Orionis, os pesquisadores descobriram que ele tem um sulco que pode ter sido provocado por um novo planeta. Mas vão precisar fazer novas imagens para ter certeza. Estrelas solitárias, como o nosso Sol, são minoria no espaço sideral. A maioria das estrelas se forma em regiões de alta densidade de gases e poeira dentro de nebulosas e aglomerados de estrelas. E devido a esta alta densidade de matéria o resultado são gêmeas ou trigêmeas. Estima-se que 50% das estrelas são duplas, ou seja duas estrelas unidas pela força gravitacional. E 20% são triplas ou quadruplas. E muitos desses sóis múltiplos possuem sistemas de planetas. A pesquisa de planetas extra-solares já detectou planetas em 32 sistemas de estrelas triplas. A novidade é que a GW Orionis teria um planeta que orbita todos os três sóis do sistema.

Até agora os cientistas do Observatório Europeu Austral fizeram simulações em computadores que indicam a existência do planeta. Falta comprovar sua existência com fotografias. O cientista britânico J.B.Bernal disse uma vez, no século passado, que o Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, ele é mais estranho do que podemos imaginar. A maioria dos cenários que vemos em  filmes de ficção científica perdem em comparação com as paisagens fantásticas do Universo real. Mas como seria se pudéssemos viajar até o GW Orionis e contemplar o céu deste estranho mundo?

Provavelmente ficaríamos decepcionados. O planeta fica a 100 unidades astronômicas do seu sol triplo. Compare isso com o nosso sistema solar, onde o mundo mais afastado, Plutão, fica a 40 unidades astronômicas do Sol. Ou com a sonda espacial Voyager 1, que já chegou a 150 unidades astronômicas do Sol. Um mundo a essa distancia é muito escuro e frio, como Plutão. E os três sóis no céu parecem apenas estrelas muito brilhantes. Como Vênus, visto aqui da Terra. Na verdade GW Orionis só pode manter uma orbita estável por se encontrar bem longe do seu sol triplo.

As duas estrelas principais do sistema GW estão separadas por uma distancia de uma unidade astronômica. Que é a distancia que separa a nossa Terra do Sol. A terceira estrela do grupo fica mais afastada, a 8 unidades astronômicas. E envolvendo o trio existe um imenso disco de gás e pó que alcança uma distancia de 1300 unidades astronômicas. É um sistema estelar jovem e as trigêmeas que o compõem são bebês com apenas 1 milhão de anos de idade. Comparado com isso nossas vidas são um piscar de vagalume na noite cósmica.

 

Jorge Luiz Calife





Fonte: Diário do Vale