Suspeito de manter esposa e duas filhas em cárcere privado se entrega à polícia em Valença | Sul do Rio e Costa Verde

O caso foi divulgado pela polícia na última semana de setembro. Desde então, José do Carmo João, de 60 anos, vinha sendo procurado.

Segundo a Polícia Civil, o homem informou que passou esse tempo dormindo em uma área de mata, mas que após ficar com fome e com medo de uma onça que rondava seu esconderijo, decidiu se entregar.

José vai responder por violência doméstica, cárcere privado, porte de arma, abandono material e intelectual. Ele também será julgado por homicídio qualificado, crime pelo o qual era foragido.

O homem será transferido para cadeia pública de Volta Redonda (RJ) na tarde desta segunda-feira (10).

José estava escondido em uma área de mata — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Segundo a Polícia Civil, a família vivia em condições precárias em uma casa que fica em uma área rural de difícil acesso no distrito de Pentagna.

Na última semana de setembro, a polícia foi até o local após uma denúncia de que o suspeito teria ameaçado vizinhos. No momento em que os agentes tentaram fazer a abordagem, o homem foi visto fugindo para uma área de mata e não foi mais localizado. Veja no vídeo abaixo.

VÍDEO: imagens da casa onde a família era mantida em cárcere privado em Valença

VÍDEO: imagens da casa onde a família era mantida em cárcere privado em Valença

Na residência, viviam três mulheres: a esposa e duas filhas do fugitivo, sendo uma aparentemente maior e a outra menor de idade — não há confirmação das idades porque as filhas não foram registradas e, por isso, não possuem documentos de identificação civil.

Segundo a polícia, as filhas do suspeito nunca frequentaram a escola e também eram desestimuladas a receber atendimentos de saúde do município.

A esposa contou ainda que a filha mais nova nasceu em casa porque o marido a impedia de fazer pré-natal e também a proibiu de ser assistida no momento do parto.

As três mulheres foram retiradas da situação de cárcere privado durante a ação, que foi feita por policiais civis das delegacias de Valença e de Rio das Flores, além de guardas municipais de Valença.

As vítimas juntaram pertences pessoais e foram levadas para a casa de parentes, onde ainda permanecem.

“Procuramos um abrigo, encontramos a família da esposa, que, inclusive, acreditava que ela já estava morta, pois ela não dava notícias durante toda a expedição do mandado do marido”, acrescentou o delegado.

Casa onde a família vivia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

No imóvel, foram apreendidas uma espingarda calibre 28 e várias munições.

Espingarda e munições apreendida no imóvel — Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil apurou mais detalhes sobre a condição de vida da família, e os indícios levaram o delegado a determinar que o caso seja tratado como cárcere privado.

“Ele está há quase 20 anos submetendo tanto a esposa quanto as duas filhas a essa condição de vida dele. Então, é uma condição de vida reclusa, de cárcere forçado, ele não permite que as filhas dele deixem a casa, não permite que a mulher deixe a casa, não permite que elas tenham contato com qualquer outra pessoa que não seja ele”, detalhou o delegado Flavio de Almeida Narcizo.

Além do mandado de prisão por homicídio qualificado, agora o homem também passa a ser investigado e procurado por cárcere privado.

Quem presenciar situações deste tipo pode fazer denúncias à polícia pelo telefone (24) 2452-3769. O anonimato é garantido.

Casa onde a família vivia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

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Fonte: G1