RJ autoriza volta as aulas; decisão divide opiniões entre escolas e sindicato de professores

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Sinepe-Rio se manifestou a favor da medida, enquanto o Sepe-RJ se mostrou contrário. Associação de produtores de teatro acredita que um retorno é precipitado. Decreto libera retorno das aulas na rede particular a partir de 14 de setembro
A determinação de uma data para o retorno às aulas no ensino privado e no presencial dividiu opiniões entre os representantes das escolas e o sindicato dos professores.
O Governo do RJ publicou nesta quarta-feira (19), em edição extra do Diário Oficial, um novo decreto de flexibilização das medidas contra a Covid-19.
O decreto estabelece normas para a retomada das aulas presenciais, tanto no ensino privado (com previsão a partir de 14/9) como na rede estadual, incluindo universidades (previsão para 5/10)
O retorno contempla as regiões do RJ que estão com bandeira amarela, ou seja, baixo risco de contaminação: da Baía da Ilha Grande, Baixada Litorânea, Metropolitana I, Metropolitana II, Noroeste, Norte e Serrana.
O Sinepe-Rio, que representa os responsáveis pelas escolas privadas afirma que a rede está preparada e que cada instituição terá a sua proposta pedagógica de retorno, seguindo os critérios para a prevenção da disseminação do coronavírus.
“A escola particular está preparada com base nos protocolos e nas regras de ouro que foram definidas em conjunto com as autoridades. O retorno vai ocorrer, com certeza, de uma forma bastante segura e controlada para os alunos, professores e demais profissionais”, destacou Frederico Venturini, do Sinepe-Rio.
Ele falou sobre as propostas que podem ser adotadas pelos colégios no retorno.
“Não haverá um modelo único. Cada escola particular será livre para definir a sua estratégia pedagógica. Algumas adotarão rodízio de turmas e o ensino híbrido, por exemplo: uma parte presencial e outra a distância”, disse Venturini.
O Sidicato dos profissionais de educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe), que representa os professores, acredita que um retorno neste momento é precipitado e pode trazer riscos à população.
“O governo do estado, assim como a Prefeitura do Rio de Janeiro, escolhem as pressões empresariais e eleitoreiras em vez de garantirem a proteção da comunidade escolar na reabertura das escolas. Não ouvem o conselho científico da Fiocruz, que é categórico que não é hora de reabrir as escolas. Não ouvem a comunidade escolar e muito menos os sindicatos”, afirmou Izabel Costa, coordenadora do Sepe.
Sala de aula
Jornal Nacional
Retorno
As especificações do retorno às aulas não foram oficialmente divulgadas pela Secretaria Estadual de Educação, mas o secretário Pedro Fernandes adiantou que, no começo, deve ser priorizado o retorno às aulas no 9°ano do ensino fundamental e o 3°ano do ensino médio para que os estudantes possam se formar.
Sobre as escolas particulares, o secretário afirmou que a rede privada não poderá voltar com mais de um terço da capacidade de alunos.
O Governo do RJ afirma que a decisão de volta às aulas está baseada em critérios técnicos elaborados pela Secretaria Estadual de Saúde.
“É mais avanço no controle da pandemia e o nosso Estado do Rio de Janeiro hoje nos permite, graças ao apoio da população, que ficou em casa e colaborou. O Rio é um ponto azul no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste. E assim estamos vencendo a pandemia. A flexibilização tem dados técnicos para podermos fazer este avanço.
Estabelecimentos culturais
O governo autoriza também, já a partir desta quinta-feira (20), o funcionamento e a reabertura de estabelecimentos culturais nestas mesmas regiões.
No entanto, o estabelecido pelo governo tem caráter de recomendação, ou seja, o estado reforçou que “os municípios têm autonomia para manter suas determinações e regras”.
Portanto, o funcionamento de estabelecimentos culturais na capital do estado, por exemplo, poderá ser determinado pela prefeitura.
A Associação de produtores de teatro se manifestou contra a flexibilização.
“Lógico que queremos voltar a trabalhar, evidente que queremos que a economia do setor cultural volte a girar. Porém, mais importante do que a economia, é a vida. Quem vai assegurar e manter a segurança dos técnicos, do elenco, do público?”, questionou Eduardo Barata, presidente da entidade.
Cinemas
Nas salas de cinema, a retomada parcial será com 40% das ocupações ou 2 metros de distanciamento, além dos protocolos sanitários desenvolvidos pela Federação Nacional Das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC), e aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Secretaria de Estado de Saúde.
Teatros e centros culturais
Salas de teatro, de concertos e centros culturais poderão abrir com 1/3 das ocupações dos espaços, desde que respeitadas as orientações e as normativas segundo o Protocolo de Segurança Sanitária elaborado pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ).
Transporte de detentos
A partir de 1° de setembro, o transporte de detentos para audiências fica liberado, de forma gradativa e observando os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias.
Restrições mantidas
Ao menos até 4 de setembro, segue suspensa a realização de eventos com a presença de público (eventos esportivos, shows, feiras, eventos científicos, comícios, passeatas), além da permanência, em praias, lagoas, rios e piscinas públicas.
O uso de máscara segue obrigatório em espaços públicos, transportes públicos, estabelecimentos comerciais e repartições públicas estaduais.
Crivella prorroga a Fase 5 no Rio
No domingo (16), o prefeito Marcelo Crivella anunciou a prorrogação por mais 15 dias da Fase 5 de flexibilização no Rio e reafirmou que cinemas, teatros e casas de eventos continuam proibidos de funcionar.
Em nota, nesta quarta, a Prefeitura do Rio reforçou que o regramento de reabertura é dado pelo município. “O que o estado faz é a recomendação, que normalmente é seguida por cidades que não têm regramento próprio. Em relação as escolas, a retomada está restringida por decisão judicial”, informou o município.
Em relação às atividades culturais, incluindo os cinemas, a prefeitura informou que a retomada estava prevista para a Fase 6, mas foi prorrogada por 15 dias.
“A Prefeitura fará a divulgação das novas liberações assim que elas forem definidas e sempre ouvindo o Comitê Científico do município”, esclareceu.


Fonte: G1

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