Projeto ‘Cidadão VR’ abre portas para quem quer recomeçar em Volta Redonda

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O projeto teve início no último dia 10 e oferece capacitação profissional e aulas do 1º ao 9º Ano do Ensino Fundamental na modalidade EJA.- – Foto: Cris Oliveira(PMVR).

Volta Redonda-  Recomeçar significa começar de novo; refazer depois de uma interrupção ou simplesmente retomar de onde parou. Com o objetivo de fortalecer as políticas públicas voltadas para o atendimento de pessoas em situação de rua, é que surgiu o projeto “Cidadão VR”, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Ação Comunitária (SMAC), em parceria com a SME (Secretaria Municipal de educação) e Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda) . O projeto teve início no último dia 10 e oferece capacitação profissional e aulas do 1º ao 9º Ano do Ensino Fundamental na modalidade EJA. Os participantes ainda têm direito a uma bolsa no valor de meio salário mínimo, transporte, três alimentações diárias (café da manhã, almoço e lanche da tarde), além de uniforme e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Uma das beneficiadas com o projeto é Luciana Martins da Conceição, de 44 anos. Ela contou que há nove anos abdicou da vida que tinha, com o emprego de merendeira na rede pública por causa dos vício das drogas. Para trás, ela deixou dois filhos, gêmeos, e acabou nas ruas. Atualmente, vende balas e dorme em um abrigo da prefeitura, mas espera mudar essa realidade em breve.

“Tenho dificuldades, porque sou usuária de crack. É difícil. Às vezes bate abstinência, mas estou há um mês sem usar. Eu decidi viver de novo e com essa oportunidade que a prefeitura está me dando, quero me levantar”, disse Luciana, revelando que tem evitado se colocar em situações que facilitem o acesso às drogas.

“Meu futuro agora é sair daqui com uma profissão. Pretendo ser uma assistente social para poder ajudar pessoas na mesma situação em que eu me encontro. O papel que as meninas da SMAC e do Centro Pop fazem é muito bonito e quero retribuir”, revelou.

Já Marcos, de 25 anos, que preferiu se identificar somente desta forma, disse que foi parar nas ruas há pouco tempo, mas que a decisão de recomeçar aconteceu após ficar preso por três anos por tráfico de drogas.

“Desde os 11 anos de idade vendia drogas e acabei experimentando. Mas já paguei tudo, não devo nada para a Justiça. É um recomeço. Caí de muito alto. O tráfico te dá muito, mas ele cobra mais ainda e te tira. E o que me tirou tudo foi a droga”, relatou.

O jovem revelou que estudou até o 7º Ano do Ensino Fundamental (antiga 6ª série) e não tem uma profissão. Ele espera sair do “Cidadão VR” diferente.

“Estou em busca de um sustento. Minha maior dificuldade hoje é ficar longe das drogas e o projeto tem me ajudado com isso. Quero mudar de vida, construir uma família, conquistar alguma coisa, ter um diploma. Nas ruas, a gente tem que matar um leão por dia, você não tem sossego”, desabafou, revelando ter deixado a companheira grávida de uma menina e que espera poder voltar para acompanhar o crescimento da filha.

Outro que viu no projeto a chance de superar a dependência química e conquistar um lugar no mercado de trabalho foi Maurício dos Santos, de 48 anos. Ele disse que foi parar nas ruas há quatro anos, afundado no vício das drogas, deixando esposa e dois filhos.

“Fui parar na rua para não pedir ajuda a ninguém, mas lá eu fui caindo em abismo atrás de abismo. É um sofrimento sem fim. Decidi ir para São Paulo e na ‘Cracolândia’ queriam me matar, porque eu não tinha o perfil do usuário. Pensavam que eu era policial ou algum infiltrado de outra facção criminosa. Vim andando de lá para não morrer, até que cheguei a Volta Redonda”, contou.

Reescrevendo a própria história

Maurício disse que procurou o serviço da prefeitura depois de ficar por muito tempo calado com a sua dor. Neste período, ele encontrava alento nas drogas, mas após o uso excessivo, foi parar em um hospital.

“Cheguei a uma anemia profunda, depressivo, com problemas de pressão arterial que me causavam desmaios. E o Cais Aterrado me deu todo esse amparo, assim como o Centro Pop. Hoje eu me considero um cidadão de Volta Redonda. Renovei toda a minha documentação e estou muito feliz estudando. Os professores me ajudam e espero sair daqui pronto para reescrever uma nova história. Chega de decepcionar pessoas”, disse ele, apontando para o uniforme do projeto.

Resgate da cidadania

O secretário municipal de Ação Comunitária, Munir Francisco, destacou que o Cidadão VR é mais uma ação do governo municipal para reduzir o número de pessoas em situação de rua na cidade, resgatando a cidadania delas.

“Através deste belíssimo projeto, vamos facilitar o acesso à escolarização, qualificação profissional e colocação no mercado de trabalho, para os usuários atendidos no Abrigo Seu Nadim e no Centro Pop. Eu só tenho que agradecer ao prefeito Neto, por abraçar todos os nossos projetos. Agradeço também aos nossos parceiros que acreditam nesta ação. Estamos felizes e emocionados por poder contribuir com mais uma política pública em prol da população que está em situação de rua”, disse Munir.

Fotos: Cris Oliveira/Secom PMVR

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Fonte: Diário do Vale