Os Jogos Olímpicos de 2020: Livro de 1980 imaginou que a festa do esporte seria realizada na Lua

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No filme Ellie Parker, a atriz Naomi Watts tem um monólogo onde diz: “Eu me lembro quando o futuro era uma promessa, agora é uma ameaça”. O filme é de 2005 e naquela época a nossa realidade já começava a ficar sombria. Quinze anos depois estamos testemunhando o tamanho da ameaça prevista pela Ellie. Uma pandemia com mais de um milhão de mortos, e o aquecimento global com ondas de calor elevando a temperatura de regiões frias, como o Canadá, para a marca dos 50 graus.

Mas nem sempre foi assim. Entre 1960 e 1980 o mundo viveu uma era de otimismo onde o futuro parecia o melhor lugar para se viver. Sim, havia problemas naquela época, como a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, o conflito no Vietnã, a ditadura no Brasil, mas mesmo assim as pessoas ainda acreditavam que os problemas seriam superados e que tempos melhores viriam. Principalmente no século 21, que era visto como um tempo de maravilhas.

Semana passada eu estava fazendo uma limpeza na minha biblioteca quando topei com o livro “Futuro”, uma produção da editora inglesa Usborne que saiu no Brasil pela editora Abril em 1981. No livro o futurólogo britânico Kenneth Gatland se une ao ilustrador Dave Jefferies para imaginar as maravilhas do século 21. E entre elas estariam os Jogos Olímpicos de 2020, que seriam disputados na Lua, isso mesmo, no satélite natural da Terra, num estádio pressurizado e coberto por uma cúpula transparente.

O livro conta a história do atleta africano Yuri Umtali, que recebe a tocha olímpica na Grécia e viaja para a África, onde embarca em uma nave espacial. “Tudo estava pronto quando ele embarcou na nave às 11 horas da manhã. A tocha foi fixada num suporte especial enquanto a comissária de bordo prendia Yuri no seu assento de aceleração. Quando a contagem regressiva chegou a zero os motores foram acionados e a nave se elevou sobre a plataforma”.

E o livro continua: “Menos de 30 minutos depois a nave se aproximou da gigantesca estação espacial em forma de roda, orbitando o planeta Terra. Para o ônibus espacial a jornada termina quando ele engata na comporta da estação. Para Yuri esta apenas começando.”

Na estação espacial o atleta embarca num confortável transporte comercial para a jornada de três dias até a Lua. O pouso é feito numa replica do módulo lunar Eagle, usado pelo astronauta Neil Armstrong durante a missão da Apollo 11 em 1969. A nave parece a mesma mas seus sistemas “primitivos” de propulsão, controle e suporte de vida foram trocados por versões modernas, robotizadas.

“O pouso foi tranquilo, e aqui Yuri parou posando para os fotógrafos e câmeras de vídeo antes de caminhar para o estádio recém-construído. A tocha olímpica encontra-se acondicionada dentro de um recipiente em forma de globo. No punho há um cilindro de oxigênio e um pequeno ventilador para criar uma corrente de ar. Sem ela a chama se apagaria já que não existe ar na Lua. Dentro de alguns minutos os Jogos Olímpicos de 2020 vão começar. O estádio encontra-se coberto por um enorme domo transparente. De onde os visitantes da Terra poderão ver o seu lar no céu da Lua.” (Confira as ilustrações do Dave Jefferies na reprodução aí embaixo).

É triste ver como a realidade sabotou esses sonhos. Na vida real os Jogos Olímpicos de 2020 deviam ter acontecido em Tóquio, no Japão, mas foram adiados devido a pandemia do vírus mortal. Potências como os Estados Unidos, a China e a Rússia planejam construir uma base na Lua aí por volta do ano de 2030. Mas vai ser uma instalação modesta, para alojar meia dúzia de astronautas. E com a deterioração das condições aqui na Terra é provável que aqueles sonhos de “Jornada nas Estrelas” nunca aconteçam.

Como disse a Naomi Watts, o futuro virou uma ameaça. E o sonho é um pesadelo.

Futuro: A Olimpíada lunar no livro de 1980





Fonte: Diário do Vale