O James Webb, finalmente está pronto para voar

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Telescópio espacial de 10 bilhões de dólares será lançado da Guiana

JamesWebb: O telescópio de 10 bilhões de dólares

Depois de anos de atrasos o enorme telescópio espacial James Webb esta pronto para ir ao espaço. Os testes finais foram concluídos semana passada nos hangares da empresa Northrop-Grumman na Califórnia. Com 13,2 metros de comprimento e 4,2 de largura o novo olho espacial da Nasa tem o tamanho de um caminhão e pesa 6,5 toneladas. Quando for desdobrado no espaço o guarda-sol protetor terá o tamanho de uma quadra de tênis. Projetado há 30 anos para ser o sucessor do Hubble, o James Webb deveria ter sido lançado em 2018, mas o delicado processo de construção e montagem sofreu sucessivos atrasos. Agora, se tudo correr bem, ele deve ir ao espaço no final de setembro.

O lançamento será feito por um foguete Ariane 5, disparado do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa. O Ariane 5 foi escolhido por ser um dos foguetes mais seguros que existem. Afinal a Nasa não quer correr riscos com um projeto que já custou 10 bilhões de dólares. Normalmente os engenhos espaciais são levados de avião até a base de lançamento. Mas no caso do James Webb o transporte aéreo também foi considerado muito arriscado. Embrulhado num casulo protetor especial, o James Webb será embarcado num navio. A viagem da Califórnia até a Guiana Francesa inclui uma passagem pelo canal do Panamá, que liga o oceano Pacífico ao Atlântico. A chegada na base espacial europeia esta prevista para o início de setembro. Então o telescópio espacial será desembarcado do navio e submetido a uma nova bateria de testes, para garantir que não sofreu nenhum dano durante a viagem.

Se tudo correr bem este olho dourado da Nasa será colocado no cone do foguete Ariane, e preparado para o lançamento. O James Webb foi batizado em homenagem ao diretor da agência espacial americana durante os anos iniciais do projeto Apollo, que levou os americanos à Lua na década de 1960. Projetado para superar o Hubble o James Webb é maior e mais sofisticado em tudo.

O Hubble foi lançado em 1990, pelo velho ônibus espacial americano e colocado em uma órbita baixa, a 545 quilômetros da Terra. Em seu formato o Hubble ainda lembra um telescópio convencional, com as lentes e o espelho côncavo colocados dentro de um tubo de metal. Já o James Webb se afasta radicalmente desse desenho. Seu espelho de 6,5 metros de largura é formado por favos hexagonais folheados a ouro. E ao contrário do Hubble esse espelho não fica dentro de um tubo. Ele ficará exposto ao espaço, protegido dos raios do Sol por uma enorme sombrinha.

O foguete Ariane 5 deverá levar o James Webb até o ponto de Lagrange, onde a gravidade da Terra e da Lua criam um ponto de equilíbrio. Esse ponto fica a nada menos de um e meio milhão de quilômetros do nosso planeta. De lá o telescópio poderá sondar os limites do universo conhecido, dando prosseguimento as pesquisas iniciadas pelo seu antecessor. Espera-se que o James Webb complete o levantamento das galáxias mais distantes, que ficam nas fronteiras do espaço e do tempo. Ele também será capaz de observar com detalhes os planetas que orbitam as estrelas mais próximas do nosso sistema solar. Ajudando a determinar se existe vida nesses mundos distantes.

Espera-se que o James Webb venha a produzir imagens tão espetaculares quanto as do Hubble. Mas para isso é preciso que tudo corra perfeitamente durante o lançamento e a colocação em órbita. Porque, ao contrário do Hubble, o James Webb não poderá ser consertado pelos astronautas. Ele estará longe demais para isso.

 

Jorge Luiz Calife

 





Fonte: Diário do Vale