De volta ao planeta dos macacos

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Homem primata continua a ameaçar seus semelhantes com clavas atômicas.

É fato conhecido que 98% do DNA humano é idêntico ao do chimpanzé. Com toda a sua empáfia e arrogância o ser humano não passa de um macaco aperfeiçoado. É claro que as religiões, que lucram bilhões criando uma falsa realidade rósea para seus seguidores, não admitem a evolução das espécies. Em seu delírio de auto importância o homem macaco acha que foi feito a imagem e semelhança de um Deus super poderoso, criador do Universo. Os gregos antigos, que acreditavam em muitos deuses, tinham um nome para esse sentimento de vaidade extrema. De orgulho e autoconfiança excessivas. Hubris, que era a causa da derrocada de muitos de seus heróis mitológicos.

Infelizmente, nos tempos modernos, o homem macaco já chegou até no espaço sideral mas continua ameaçado de extinção por seus delírios de grandeza. Vejam a situação atual do nosso pobre mundo. O planeta Terra vive duas crises de proporções mundiais. O aparecimento de um novo vírus, que já matou milhões de pessoas no mundo inteiro. E uma mudança climática que já chegou a um ponto de onde será impossível retornar. O verão deste ano foi catastrófico no hemisfério norte. O Canadá, um país geralmente frio, experimentou temperaturas de 50 graus centigrados o que matou muita gente de insolação.

Nos Estados Unidos e na Rússia os incêndios florestais pipocaram sem controle, com florestas virando braseiros na Sibéria (Que já foi sinônimo de lugar frio) e na Califórnia. A Europa teve inundações e chuvas torrenciais que mataram mais de mil pessoas só na Alemanha. Aqui no Brasil uma pesquisa feita por cientistas do Inpe, e publicada na famosa revista Nature, mostra que a Amazônia desmatada virou uma fábrica de gás carbônico no lugar de oxigênio. É um efeito de retroalimentação onde a natureza agredida passa a alimentar o aquecimento provocado pelo homem no lugar de atenua-lo. E a principal autora do estudo, a cientista Luciana Gatti, adverte que podemos ter passado do ponto do qual não haverá mais retorno. O “novo normal” pós pandemia vai ser a normalidade da catástrofe.

Diante dessas duas crises mundiais era de se esperar que os homens esquecessem suas diferenças, seus nacionalismos e cooperassem para enfrentar a crise. Infelizmente não é o que acontece e líderes de nações ricas e poderosas voltam a investir em uma nova corrida armamentista. Brandindo seus tacapes nucleares em nome dos antigos instintos simiescos de posse e territorialidade. Recentemente o governo da Rússia anunciou sua nova arma. “O torpedo do Juízo Final”. Trata-se de uma arma disparada de submarinos com uma ogiva nuclear na ponta. Ao ser detonada em frente de uma cidade costeira ela provocará um tsunami de água radioativa sobre o país inimigo. O líder Vladimir Putin inspecionou seus novos aviões de bombardeio e assistiu ao teste de um míssil hipersônico.

Do outro lado do mundo a China insiste em ameaçar a pequena ilha de Taiwan. E lançou ao mar um novo porta-aviões para suportar seus futuros sonhos de conquista. O que levou o vizinho Japão a se rearmar enquanto os Estados Unidos reforçam sua marinha e aeronáutica para enfrentar os delírios expansionistas russos e chineses. Resultado, trilhões de dólares que poderiam ser empregados para combater as mudanças climáticas e o surgimento de novas doenças serão queimados em armas que só servem para provocar mais morte e destruição no mundo.

O que me lembra, é claro, o clássico filme de ficção “2001: uma odisseia no espaço”. Onde o homem macaco esmaga o crânio do inimigo e atira sua clava para o céu em triunfo. E num salto de quatro milhões de anos a clava se transforma num satélite portador de mísseis nucleares. “2001” trata do contato com uma civilização extraterrena. Coisa que nunca aconteceu na vida real. Afinal, qual extraterrestre inteligente iria querer se comunicar com gente assim.

Primata: O homem macaco ainda ergue sua clava.





Fonte: Diário do Vale