Chuvas prejudicam a produção de folhosas em Santa Rita de Cássia

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De acordo com produtores, se o tempo instável persistir pode haver o risco de faltar esse tipo de produto na mesa dos consumidores da região

Foto: Divulgação
Produtores afirmam que chuva e calor prejudicam as folhosas

Barra Mansa – O grande acúmulo de chuvas, na primeira quinzena de janeiro, já reflete em muitos prejuízos para os produtores rurais do Distrito de Santa Rita de Cássia, em Barra Mansa. Conforme ressalta, a queda na produção de folhosas como alface, couve, espinafre, mostarda, cheiro verde, entre outras, está girando em torno de 60% a 70%. A previsão, caso as chuvas não deem uma trégua, é de que a situação piore nos próximos dias e que haja o risco de faltar esse tipo de produto na mesa dos consumidores da região.

Conforme ressalta o produtor Geraldo Magela Moreira, a produção de folhosas é a que mais vem sofrendo com o excesso de chuvas e que, segundo ele, tem deixado os produtos em condições muito escassas.

– Tivemos uma queda de cerca de 60% nesses últimos dias. O que esse longo período de chuvas fez com as verduras foi brutal e assustador. O que estamos colhendo agora foi plantado há cerca de 60 dias, mas a qualidade está muito ruim. Em outras épocas essa verdura nem iria para o comércio e seria descartada na própria roça, no entanto, não está se encontrando folhosas em lugar nenhum e no momento é o que os produtores estão tendo para oferecer – destacou Moreira.

De acordo com ele, para as próximas semanas a oferta de folhosas para os supermercados, restaurantes e hortifrutis da região vai depender da estabilidade do tempo. Hoje, conforme destaca, o que está chegando para os consumidores “está muito inferior ao que os produtores estão acostumados a oferecer”.

– A qualidade das folhosas vai depender do tempo. Se as chuvas intensas continuarem a tendência é piorar e correr o risco de desabastecimento de alguns produtos como a alface, que já tem três semanas que eu, por exemplo, não consigo plantar. Um restaurante que antes comprava cinco pés de alface, hoje tem que comprar de 8 a 10 para poder aproveitar alguma coisa – comparou o produtor.

 

Risco de desabastecimento

 

Há trinta anos trabalhando na lavoura, o produtor rural Reginaldo Luiz Amorim também se preocupa com a probabilidade de mais chuvas para os próximos dias, o que poderá refletir no risco de desabastecimento de folhosas. De acordo com ele, embora os produtores já estejam acostumados com perdas, em determinadas épocas do ano, neste início de verão a situação está sendo diferente porque todas as regiões e outros estados, como Minas Gerais e São Paulo, também estão tendo suas lavouras castigadas pelas chuvas.

– Para não deixar nossos clientes sem verdura, nós buscamos em outros lugares, mas muitas cidades também já não têm quase nada. Eu cheguei de Piedade (SP), na manhã desta sexta-feira (14), devo voltar na segunda-feira (17), mas não sei se vou conseguir encontrar alguma coisa – ressaltou o produtor.

De acordo com ele, para manter os compromissos com os clientes muitos produtores têm buscado mercadorias em outras cidades, no entanto, isso acarreta em um custo muito maior do que as vendas. Sobre a possibilidade de plantio, ele explica que com o solo encharcado fica inviável as máquinas entrarem na roça e que até o trabalho manual não dá para executar.

– Se parar de chover com essa intensidade vai dar para normalizar, mas, se continuar a chover vamos ter mais prejuízos. Eu estou há trinta anos nesse ramo, nunca fiquei um dia sem atender a um cliente, porém,  estou vendo a possibilidade disso acontecer. Nunca passei por uma situação dessas, com a produção, e acho que se as coisas não melhorarem vai faltar verdura na mesa da população – afirmou Amorim.

O secretário de Finanças da Associação de Produtores Rurais de Santa Rita de Cássia, Luiz Flávio de Almeida,  explicou que a realidade da maioria dos cerca de 70 produtores do distrito tem sido comprar as verduras mais caras para manter o compromisso com o mercado.

– Não  tem nada aguentando essa chuva; eu, por exemplo,  tive perda de 90% da produção. O ruim é que o mercado está cada dia mais predador, sufocando cada vez mais o produtor, trabalhando com um margem cada vez maior e a gente acaba saindo no prejuízo, tendo que ir para outros lugares buscar verdura mais cara para manter o compromisso – lamentou o secretário.

Conforme ele explica, embora as verduras necessitem de água, o excesso provocado pelas fortes chuvas prejudica todo o plantio e produção. Algumas, segundo ele, morrem no próprio canteiro, sem ao menos terem tempo de ser recolhidas.

– Todas as hortaliças sofrem com esse excesso de chuva e calor. A umidade apodrece a raiz e aí elas perdem toda a qualidade ou acabam não resistindo – concluiu.





Fonte: Diário do Vale