Alta do diesel impacta na inflação e afeta todos os setores da economia

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Volta Redonda – O aumento de 8,78% no preço do óleo diesel, anunciado e já colocado em prática pela Petrobras, vai acelerar ainda mais a inflação, que registrou 1,06% em abril e acumula 12,13% nos últimos 12 meses. Isso ocorre porque, com a logística brasileira fortemente atrelada ao transporte rodoviário, mesmo que o aumento no preço dos fretes compense o custo para os caminhoneiros, todas as mercadorias transportadas por rodovia – o que é praticamente tudo o que se consome no Brasil – vão ter o preço aumentado por causa do frete.
Os caminhoneiros estão entre os primeiros a reagir: o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Espírito Santo (Sindicam/ES) foi o primeiro órgão ligado a caminhoneiros a informar uma paralisação após o aumento no preço do diesel.
A notícia da paralisação preocupa o governo federal, que segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo, busca manter um nível de aproximação com os trabalhadores. Entretanto, a avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que não é possível manter a proximidade sem dar uma garantia de melhoria na situação para os caminhoneiros.

Agronegócio é um dos setores mais atingidos

Foto: Arquivo
Produtos agrícolas terão preço afetado pela alta do combustível

O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), defendeu, nesta terça-feira (10), que o preço do óleo diesel tenha um mecanismo de controle no Brasil. A afirmação foi feita em meio à entrada em vigor de novos valores para o combustível nas refinarias da Petrobras, também nesta terça-feira.
“Vai ter um impacto fortíssimo em todo o setor produtivo, em toda a cadeia e isso vai refletir na inflação. Estamos defendendo que o valor do diesel para a sociedade brasileira tenha um mecanismo de controle. Se o governo achar que o mecanismo é subsídio, tem que ver o espaço orçamentário que vai ter”, afirmou o deputado, em entrevista coletiva.
Souza criticou ainda decisões anteriores do governo, tomadas sob o argumento de controlar a inflação. Citou a medida adotada pelo Ministério da Economia, de zerar a tarifa de importação de alimentos como a muçarela. “Que impacto isso tem na inflação? quase zero, Mas na nossa cadeia produtiva aqui, do leite, tem enorme impacto”, disse o parlamentar.
A alta nos preços do combustível é preocupante porque impacta diversas etapas da produção agropecuária. A primeira delas, naturalmente, é o frete; não apenas o transporte dos produtos finais do campo para a cidade deve ficar mais caro como também o deslocamento de insumos, gerando um efeito cascata no setor.
É inviável para as transportadoras manter o custo do frete inalterado com tamanho aumento no preço dos combustíveis, já que, para as empresas, ele corresponde a cerca de 35% das despesas, podendo chegar a 50% para os autônomos.
O agronegócio também precisa do diesel para o uso de diversos tipos de maquinário, como tratores, colheitadeiras e geradores de eletricidade.
Sendo assim, o preço do combustível tem impacto direto nos custos de produção, que podem aumentar 90% no cultivo de grãos, de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A CNA fez uma análise de vários meses em relação ao preço pago pelo diesel. Para alguns produtores, o impacto nos custos pode chegar a 93%.
Um agricultor conta que está pagando R$ 6,40 no litro do diesel. Para 256 hectares plantados, todos os dias são usados mil litros de diesel, somando com outros produtos que também tiveram aumentos, os custos na produção já subiram 60%.
Além disso, o aumento dos custos de combustível está ameaçando acelerar ainda mais a inflação global de alimentos. O transporte já é um dos mais caros para levar as lavouras dos campos até seus destinos finais, que no caso da soja pode ser uma operação de alimentação de gado ou de processamento de alimentos.
No Brasil, mais da metade da produção de grãos e oleaginosas é transportada das fazendas para os portos por meio de caminhões, e os preços dos combustíveis determinam em grande parte as taxas de frete. A grande diferença entre as estimativas e o custo real do frete pode levar a perdas significativas para comerciantes, porque as empresas costumam descontar os custos do frete quando pagam aos agricultores, muitas vezes meses antes da colheita.

Próximas safras

Por mais que o maior aumento tenha sido aplicado em março de 2022, uma tendência de alta era observada desde o ano anterior. Contudo, as elevadas cotações das commodities no mercado internacional (e o dólar alto) permitiram que os produtores processassem grande parte desse custo sem repassá-lo.
No atual cenário, os produtores podem decidir cortar custos em algumas frentes, podendo até diminuir a área plantada em certas culturas. Os grãos deverão ser priorizados porque continuam sendo bem pagos no exterior, então podem faltar produtos para o mercado interno, pressionando ainda mais a inflação nos supermercados.
A saída para essa crise não é fácil, e o governo estuda financiar o congelamento de preços de combustíveis, cortar impostos ou subsidiar categorias mais vulneráveis. Para o agronegócio, outra saída é acelerar a transição energética para fontes além do petróleo, como a solar. Em curto e médio prazos, entretanto, os impactos negativos deverão ser sentidos por todos.

Indústria também sente reflexos da alta

Foto: Arquivo
Mesmo a queda do preço do barril de petróleo foi insuficiente para reduzir preços de combustíveis

O aumento do diesel deve atingir em cheio o setor industrial, que já vinha sofrendo com os aumentos do combustível antes da alta decretada pela Petrobras. De acordo com reportagem da Agência Brasil, os preços no setor industrial em março de 2022 aumentaram para 3,13% em relação ao mês anterior, após subirem 0,54% em fevereiro frente a janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa foi de 18,31%. No acumulado do ano, os preços da indústria cresceram 4,93%, abaixo do verificado no primeiro trimestre de 2021 (13,92%). Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado hoje (28), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, o IPP mede a variação dos preços de produtos na porta da fábrica, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Dessas, 16 apresentaram alta em março.
As maiores influências vieram de refino de petróleo e biocombustíveis (alta de 1,23 ponto percentual), alimentos (0,71 ponto percentual), indústrias extrativas (0,61 ponto percentual) e outros produtos químicos (0,57 ponto percentual). “Essas quatro atividades responderam por 3,12 pontos percentuais, praticamente todo o índice”, disse, em nota, o gerente do IPP, Manuel Campos.
Segundo o pesquisador, esse aumento de 3,13% do IPP é influenciado pelos custos e pelo movimento internacional, começando com o preço do barril de petróleo. “Quando aumenta o preço do barril, sobe o preço dos derivados.
Os preços do setor de refino de petróleo e biocombustíveis subiram 10,84% em março, com destaque para o óleo diesel e gasolina”, afirmou.
“Além disso, também aumentaram os preços nas indústrias extrativas, pois o óleo bruto de petróleo é uma commodity [produtos primários com cotação internacional] com preço cotado no mercado internacional”, explicou o gerente. Em março, os preços nas indústrias extrativas tiveram aumento de 10,69%, a terceira alta consecutiva.

Petróleo cai, mas diesel continua em alta

Apesar de o preço internacional do barril de petróleo ter recuado das máximas próximas aos US$ 140 — cotação atingida no começo da guerra na Ucrânia, em 25 de fevereiro —, o óleo diesel continua em alta no mundo. O barril de petróleo tipo Brent, principal referência internacional para a commodity, encerrou abril a US$ 107,14. Com isso, a média mensal do preço foi de US$ 105,15 o barril, patamar 62% acima do registrado em igual mês no ano passado. Ao todo, os preços do Brent já subiram 38,5% nos quatro primeiros meses deste ano.
Já a referência americana para o barril de petróleo, o WTI, encerrou abril em US$ 102,94. A média mensal do WTI subiu 63,17% em relação ao preço médio de abril de 2021.
Analistas dizem que a guerra é o principal fator que mantém os preços em patamares altos. Entretanto, a liberação de reservas pelos Estados Unidos ajudou a dar um alívio aos preços em abril. “A liberação das reservas cria um ‘colchão’, que serve para limitar as variações de preços tanto para cima quanto para baixo”, diz a chefe de análises integradas da consultoria S&P Global Commodity Insights, Jennifer Van Dinter.
Um fator que influenciou o barril em abril foram as medidas da China para lidar com a covid-19, o que incluiu novas restrições à mobilidade. A incerteza sobre a demanda do país asiático pressionou o petróleo para baixo.
“Os lockdowns na China que levaram a congestionamento nos portos globais, assim como o aumento do dólar são fatores relevantes que surgiram em abril e vão ter impacto nos próximos meses”, diz o analista sênior de óleo e gás da Bloomberg Intelligence, Fernando Valle.
Para maio, a tendência é que os preços sigam voláteis. Van Dinter afirma que possíveis novas sanções ao fornecimento de energia da Rússia à Europa podem levar a novos aumentos de preços, mas, por outro lado, a inflação pode reduzir o consumo global.

 

Sindicatos alertam para crise no transporte urbano

O reajuste de 8,8% no preço do óleo diesel pode causar falta de ônibus em todo o Estado do Rio, aumentando ainda mais a crise no setor, segundo nnota divulgada, no dia 09 de maio, pelos sindicatos das empresas de ônibus (Setrerj, o Setransduc e o Transônibus), da região de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá, haverá redução de frota.
Os sindicatos informaram, por meio da nota, que “é importante ressaltar que os impactos causados pelo reajuste do diesel ao longo dos últimos dois anos não foram compensados, até agora, por aumentos de tarifa ou subsídios por parte de prefeituras ou do governo do Estado”.
-Por isso, torna-se urgente e inadiável a adoção de ações emergenciais por parte dos governos federal, estadual e municipal, no sentido de garantir a continuidade da operação de um setor vital para a população e para a economia fluminense – conclui a nota.

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Fonte: Diário do Vale