Mulher chama atendente de ‘macaca’ e diz a policial que ‘está falando com uma juíza’, afirma vítima; vídeo | Região Serrana

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Uma mulher de 78 anos chamou de ‘macaca’ uma atendente de uma loja de ração no bairro Barra, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. O caso aconteceu na última quarta-feira (16), quando a cliente foi até o estabelecimento querendo trocar um saco de ração. O momento do insulto foi registrado em vídeo por testemunhas.

A vítima, Thainá Rocha, de 25 anos, acionou a polícia e contou que, ao ser abordada por um policial, a idosa afirmou ser juíza e disse que só falaria com o presidente do tribunal, segundo Thainá.

“Até aí [antes da chegada da polícia] ela não tinha se identificado como juíza. Quando o policial [militar] chegou, ela falou: ‘eu só falo com o presidente do tribunal’. E aí o policial disse ‘como é que é?’ e ela respondeu ‘é, porque você está falando com uma juíza’. Então ele falou ‘então, cadê seu registro?’ e ela disse ‘meu filho, eu não ando com minha carteirinha porque eu não dou carteirada em ninguém, mas você está falando com uma juíza”, relata Thainá.

De acordo com a Polícia Civil, um inquérito foi aberto para apurar o fato. “Testemunhas estão sendo ouvidas e a investigação está em andamento”, declarou em nota.

O nome que consta no registro de ocorrência fornecido pela vítima foi enviado ao Tribunal de Justiça pelo G1, que confirmou se tratar de uma juíza aposentada. A Polícia Civil, no entanto, não confirmou o nome e nem a profissão da idosa.

“Não informamos nomes de acusados por conta da lei de abuso de autoridade”, afirmou a polícia.

Em nota enviada ao G1, a Polícia Militar afirmou ter atendido uma pessoa que relatou situação envolvendo injúria racial e encaminhou as duas à delegacia. A Polícia Militar, no entanto, não se posicionou quanto a reação da mulher no momento da abordagem.

O G1 também pediu um posicionamento do Tribunal de Justiça sobre a atitude da magistrada e aguarda retorno.

Mulher chama atendente de ‘macaca’ em loja de ração de Teresópolis, no RJ — Foto: Reprodução/Inter TV

De acordo com Thainá, a cliente chegou à loja alegando que tinham entregado o produto errado. Segundo testemunhas, a mulher chegou ao estabelecimento alterada. A atendente pediu, então, para que a cliente tivesse calma que a situação seria resolvida, foi quando a mulher a insultou.

“Eu não consegui dormir, eu fui deitar às duas horas da manhã e acordei seis horas. Não preguei o olho, não consegui me alimentar porque tá entalado na minha garganta a impunidade”, disse Thainá.

No vídeo gravado por testemunhas, é possível ver a cliente discutindo com a atendente e dizendo “vai plantar batata, macaca”. Ao ser questionada por Thainá, a mulher diz “é isso mesmo que você ouviu”.

De acordo com o registro de ocorrência enviado pela vítima, Thainá Rocha se identifica como uma mulher branca e o caso foi registrado como injúria. A mulher foi ouvida e liberada.

O G1 questionou a polícia o motivo pelo qual o caso não foi tratado como injúria racial, mas, até a última atualização da matéria, não recebeu resposta ao questionamento.

Thainá trabalha no estabelecimento há 3 meses e tem uma filha de 8 anos. Quando ela chegou da delegacia, a filha a perguntou se era verdade o que tinha acontecido com a mãe. Abalada, Thainá confirmou e disse que ninguém tem o direito de chamar ninguém de “macaca” e que o que a mulher fez “é uma coisa muito feia”.

“Isso doeu muito. E eu falei: ‘foi, filha, é verdade’. Ela perguntou quem chamou e eu falei que foi uma moça no serviço da mamãe, mas que a gente já ia resolver. Isso aí vai se resolver”, disse Thainá.



Fonte: G1