Mapa da época do Brasil Colônia é encontrado durante limpeza de biblioteca atingida pelas chuvas em Petrópolis, no RJ | Região Serrana

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Um mapa de 1757, época que o Brasil ainda era colônia de Portugal, foi encontrado durante trabalhos de recuperação do acervo da Biblioteca Municipal Gabriela Mistral, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

A biblioteca, que é considerada a terceira maior e mais importante do Estado do Rio de Janeiro, com um acervo de 150 mil volumes, teve parte do acervo atingido pelas chuvas do dia 15 de fevereiro.

De acordo com a Prefeitura de Petrópolis, boa parte destas obras não foi atingida, já que ficava nos andares mais altos. No entanto, 8 mil exemplares que ficavam no térreo foram impactados pela inundação, que chegou a 1,60 m de altura.

O documento do século XVIII traz informações sobre as movimentações da Coroa Portuguesa e da Espanha nas chamadas Guerras Guaraníticas, quando povos da etnia Guarani lutaram pelas terras próximas ao Rio Uruguai.

Equipes atuam na recuperação de acervo em biblioteca atingida pela chuva em Petrópolis há 3 meses — Foto: Divulgação/Prefeitura de Petrópolis

Além deste documento, mapas e livros históricos para o Brasil, incluindo relações com outros países, também foram redescobertos.

“O acervo da nossa biblioteca é riquíssimo. Após resgatarmos os materiais da inundação no andar térreo, estamos trabalhando na limpeza, conservação curativa e iniciando os trabalhos de restauração. Na reorganização do acervo, acabamos realizando descobertas que estavam fora do catálogo. Em breve, tudo isso estará novamente à disposição do público”, explicou a presidenta do Instituto Municipal de Cultura, Diana Iliescu.

Equipes trabalham para limpar e organizar material resgatado de acervo em biblioteca após chuvas em Petrópolis — Foto: Divulgação/Prefeitura de Petrópolis

Equipes de colaboradores trabalham para limpar e organizar material resgatado após chuvas.

“Esse trabalho de resgate começou no dia 19 de fevereiro. É gratificante poder receber a ajuda de colaboradores que entenderam a importância da Biblioteca para a sociedade, e também as instituições parceiras, como Arquivo Nacional, o Museu Imperial, a Fiocruz, o Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região e a Aperj (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro), que estiveram presentes aqui dando apoio e contribuindo com orientações”, disse a gerente da Biblioteca, Lorena de Oliveira Cristiano, lembrando também de doações de instituições e voluntários.

Outras peças descobertas

Documentos históricos foram redescobertos durante o trabalho de recuperação do acervo atingido pela chuva — Foto: Divulgação/Prefeitura de Petrópolis

No trabalho de recuperação também foram encontradas peças como uma coleção de documentos que mostram a disputa entre Portugal e Inglaterra pela Guiana Inglesa e um mapa do Continente Europeu em alemão. As descobertas encantaram o historiador e professor universitário Felipe Monteiro, um dos colaboradores no trabalho de salvamento das obras.

“Soube da enchente e imaginei que o acervo geral tivesse sido atingido. O que me surpreendeu foi o acervo incomum que encontramos aqui para uma biblioteca municipal. Para mim, que sou historiador e já trabalhei com arquivos em vários lugares do país, foi surpreendente e muito gratificante poder salvar essas obras, algumas muito valiosas”, explicou.

Segundo o município, uma suspeita é que, tanto o mapa das Guerras Guaraníticas quanto a coleção da Guiana Inglesa, tenham sido em algum momento parte da propriedade do Barão do Rio Branco, que foi um importante diplomata brasileiro, com casa em Petrópolis. Mas ainda são necessárias investigações para descobrir a verdadeira origem do material.

Documentos recuperados após acervo ser atingido pela chuva em Petrópolis são limpos e catalogados — Foto: Divulgação/Prefeitura de Petrópolis

Em uma sala reservada, as equipes limpam e secam os livros, com cuidados como luvas e máscaras, já que algumas obras foram contaminadas por agentes biológicos, como fungos. Assim como o historiador, outros apaixonados pela biblioteca se colocaram à disposição para ajudar.

“Me coloquei à disposição com a minha experiência, pois isso é um patrimônio da cidade e da história do nosso país. Muitas pessoas precisam dessa biblioteca para estudo. É um grande prazer estar aqui fazendo esse trabalho”, afirmou o conservador de documentos Maurício Mendonça, que tem ampla experiência em cultura e preservação de patrimônio.

A importância da Biblioteca também ultrapassa gerações. Desde que foi fundada, em 1871, tem servido de fonte de pesquisa a diversos estudantes. Foi o caso da tecnóloga em papel e tela, Margarete Mattos, que também atua na força-tarefa.

“Vim imediatamente, pois eu e minha filha utilizamos a biblioteca. Foi imediata minha adesão”, disse.

Fonte: G1