Família perde tudo após casa ser inundada em Petrópolis, RJ; ‘cena não sai da minha cabeça’, diz moradora | Região Serrana

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Foram poucas horas de chuva, mas os estragos causados na tarde desta segunda-feira (16), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, deixaram famílias fora de casa e ruas alagadas. Uma das regiões mais afetadas foi a localidade de Vila Rica, em Pedro do Rio, onde duas famílias ficaram desalojadas porque um grande volume de água invadiu as casas.

A cabeleireira Viviane Gomes da Silva perdeu tudo. Dos cômodos ao salão de beleza, que funcionava na garagem, só sobraram móveis revirados, destruídos e cheios de lama.

Família perde tudo após casa ser inundada em Petrópolis, no RJ — Foto: Arquivo pessoal

Ela contou que, só com a perda dos produtos do salão, o prejuízo foi de R$ 3 mil. “Eram umas três da tarde, eu tava trabalhando e começou a chuva. Fui ver no fundo de casa, tava tudo certo. Segundos depois, meu filho olhou pela sala e já tava vindo armário, geladeira. Só deu tempo de tirar meu filho de lá. Um móvel chegou a fechar a porta da sala, vidros começaram a quebrar. Foi uma coisa que eu não sei nem falar… A cena não sai da minha cabeça”, contou, assustada.

Na casa dela, tudo ficou debaixo d’água. As marcas na parede chegam a 1,5 metro. Na hora da chuva, o portão da casa chegou a ser arrancado.

Água chegou a 1,5m em casa de moradora que perdeu móveis e eletrodomésticos em Petrópolis, no RJ — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com moradores, o problema é causado por causa da obra de um condomínio, que está embargada desde 2017. A água que invadiu a casa da Viviane veio pelos fundos, onde, no terreno da obra, foi feita uma contenção com sacos de terra, que estaria agravando ainda mais a situação.

“Só soube do embargo ano passado. De 2017 a 2019, vimos gente trabalhando aí normalmente. Quando tentávamos filmar, as pessoas se escondiam. A comunidade toda já assinou um abaixo-assinado e eu já fui ao Ministério Público denunciar”, disse André Evilázio, marido de Viviane.

De acordo com informações da Prefeitura, antes da obra ser embargada pela Secretaria de Meio Ambiente, em 2017, só havia autorização para intervenções de drenagem no local. Só que, ainda segundo a Prefeitura, a empresa responsável começou a movimentar terra sem permissão, o alvará expirou e não foi renovado e, por isso, a obra foi embargada e o responsável multado.

A multa pelas intervenções sem autorização ambiental foi estabelecida no último mês de agosto em R$ 21,8 mil. Toda área está interditada e o caso já foi relatado ao Ministério Público. A Secretaria de Obras afirma que não há falta de fiscalização na obra e que está acompanhando a situação.

A Defesa Civil e a Assistência Social estão dando apoio para as duas famílias e realizando o cadastro delas para verificar quem tem direito aos benefícios de aluguel social.

A Companhia de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) está na região realizando a limpeza da localidade. As famílias estão recebendo kits de higiene e cestas básicas.

O G1 tenta contato com a empresa responsável pela obra do condomínio na Vila Rica.

A Defesa Civil e Ações Voluntárias registrou um total de 11 ocorrências. O maior índice de chuva foi registrado na localidade de Duarte da Silveira, no Bingen, onde, nas últimas 24 horas, choveu 32 mm. Não houve protocolo para o acionamento de sirenes em áreas de risco, e não houve feridos.

A Defesa Civil de Petrópolis, RJ, registrou 11 ocorrências nesta segunda (16). — Foto: Reprodução

Pontos de alagamentos também foram registrados na Rua Coronel Veiga, na Mosela e em Itaipava, além de quedas de árvores no Castelânea e na Vila Rica.

Em Itaipava, uma cratera aberta na rua, e que dá acesso a uma pousada, deixou 16 famílias ilhadas. Segundo a prefeitura, o imóvel não corre riscos.

Problemas na rede elétrica

Pontos de alagamento foram registrados em várias localidades de Petrópolis, no RJ — Foto: Arquivo pessoal

Por causa das fortes rajadas de vento, bairros como o Independência, Duarte da Silveira, Carangola, Secretário, Pedro do Rio, Itaipava e Nogueira, tiveram interrupções no fornecimento de energia.

A concessionária responsável pelo abastecimento informou que aumentou o número de equipes nas ruas para realizar os reparos e normalizar o fornecimento o quanto antes.



Fonte: G1