Bernardo Rossi recebe R$ 2,9 milhões e concentra quase metade dos recursos partidários destinados a candidatos de Petrópolis

Bernardo Rossi recebe R$ 2,9 milhões e concentra quase metade dos recursos partidários destinados a candidatos de PetrópolisOito candidatos a deputado federal receberam juntos R$ 6,37 milhões; os dois maiores repasses representam quase 69% do total

Um levantamento baseado nos dados de prestação de contas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra uma forte concentração dos recursos partidários destinados aos candidatos de Petrópolis que disputam uma vaga para deputado federal nas Eleições 2026.

Os oito candidatos relacionados no levantamento receberam juntos R$ 6.378.300,00. Desse total, quase metade foi destinada a Bernardo Rossi, do União Brasil, que recebeu R$ 2.899.800,00.

O valor corresponde a aproximadamente 45,5% de todos os recursos distribuídos aos candidatos listados.

Na segunda posição aparece Hugo Leal, do PSD, com R$ 1.500.000,00. Somados, os repasses recebidos por Bernardo Rossi e Hugo Leal chegam a R$ 4.399.800,00, o equivalente a quase 69% do total destinado às oito candidaturas.

A diferença entre os extremos também chama atenção. Bernardo Rossi recebeu aproximadamente 215 vezes mais recursos do que Marcus São Thiago, do PSB, que declarou ter recebido R$ 13.500,00 do partido.

Veja quanto cada candidato recebeu

  • Bernardo Rossi (União Brasil): R$ 2.899.800,00;
  • Hugo Leal (PSD): R$ 1.500.000,00;
  • Marcos Vinicius Nescau (Podemos): R$ 874.000,00;
  • Júlia Casamasso (PSOL): R$ 492.500,00;
  • Matheus Quintal (PL): R$ 300.000,00;
  • Rubens Bomtempo (PT): R$ 228.500,00;
  • Professor Leandro Azevedo (Republicanos): R$ 70.000,00;
  • Marcus São Thiago (PSB): R$ 13.500,00.

Os três maiores repasses — Bernardo Rossi, Hugo Leal e Marcos Vinicius Nescau — somam R$ 5.273.800,00, ou 82,7% do total informado no levantamento. Os outros cinco candidatos dividiram os 17,3% restantes.

Distribuição desigual levanta questionamentos

A legislação eleitoral permite que os partidos estabeleçam critérios para distribuir recursos entre seus candidatos, respeitando regras de gênero, raça, transparência e prestação de contas.

A existência de uma diferença significativa entre os repasses, por si só, não comprova irregularidade, favorecimento ilegal ou uso indevido de dinheiro público. No entanto, a concentração dos recursos levanta uma questão de interesse público: quais critérios foram utilizados pelos partidos para definir os valores destinados a cada candidatura?

Também é necessário diferenciar os tipos de recursos. O quadro consultado informa o valor recebido do partido, mas a origem específica de cada repasse deve ser conferida na rubrica correspondente da prestação de contas. Os valores podem estar relacionados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), ao Fundo Partidário ou a outras receitas partidárias.

O TSE disponibiliza no sistema DivulgaCandContas informações sobre arrecadação, despesas, doadores, fornecedores e recursos transferidos pelos partidos. Como as prestações de contas ainda podem ser atualizadas ou retificadas, os valores podem sofrer alterações ao longo da campanha.

O levantamento oferece um retrato provisório da desigualdade na distribuição de recursos entre candidatos de uma mesma cidade. A diferença mais expressiva está entre os R$ 2,9 milhões recebidos por Bernardo Rossi e os R$ 13,5 mil destinados a Marcus São Thiago.

A pergunta que permanece é: por que quase 69% dos recursos destinados a essas oito candidaturas ficaram concentrados em apenas dois candidatos?