Anéis, braceletes e cordões são criados a partir da reutilização criativa de resíduos têxteis | Renova Friburgo

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Produzir novas peças de maneira criativa a partir do reaproveitamento dos resíduos têxteis é a técnica conhecida como upcycling que ganha cada vez mais força e adeptos no mundo da moda e tem a ver com o movimento “slow fashion”, que estimula uma produção mais lenta no setor a fim de contribuir com a sustentabilidade do planeta.

Foi pensando em como reaproveitar as sobras menores de microfibra dentro da Monthal, confecção de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, que trabalha com moda íntima e homewear, que surgiu o projeto Reboard. O objetivo é transformar em novos produtos aqueles resíduos que teriam o lixo como destino.

Segundo o gerente de produção, planejamento e desenvolvimento da Monthal, Felipe de Souza e Silva, a confecção tinha como desafio o reaproveitamento desses tecidos menores. A partir disso foi pensada a mistura desses resíduos com a resina a fim de criar peças rígidas. Com este olhar surgiram os bancos de retalhos. Um deles chegou a ganhar destaque no Museu de Artes de São Paulo (MASP).

Porém, ao encontrar muitos entraves para continuar a produção de mobiliário, a empresa optou por investir no desenvolvimento de acessórios como cordões, anéis e braceletes. É uma ideia “da moda para a moda”, segundo ele. A partir dos moldes é colocada tanto a microfibra quanto a resina que cura a quente. Após esfriar, o material se transforma em novos objetos.

Vanessa Wagner é responsável por transformar as sobras de microfibra em acessórios — Foto: Divulgação Arquivo Vanessa Wagner/ Zóia

Foi por meio da parceria com a Zóia, empresa carioca que tem a sustentabilidade como propósito, que surgiram as peças que tem como características o fato de serem únicas, além de sustentáveis. Segundo a designer, Vanessa Wagner, a criação desses acessórios foi um sucesso.

“O projeto virou um case. A gente acredita que a sustentabilidade está totalmente ligada a criatividade. Mais do que vender um colar, eu quero vender emoção e atitude. Como designer meu desafio diário é de transformação. Eu sempre me questiono: ‘o que eu posso fazer com aquilo (resíduo)?’”, disse.

Para Vanessa, este período de pandemia em 2020 reforçou ainda mais conceitos relacionados aos cuidados com o planeta e também de economia circular, mas ela afirma que trabalhar na área não é ainda uma tarefa simples. Por este motivo, considera o processo resiliente, mas que não pode parar. Portanto, segundo a designer, é necessário cada vez mais trabalhar com a conscientização da sociedade.

“Entendo a sustentabilidade dentro de um contexto cultural. Não é só uma questão social e econômica, é uma nova forma de encarar o nosso estar no mundo”, afirma.



Fonte: G1

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