‘Witzel deveria estar de Bangu 8 se defendendo’, diz deputado durante processo de cassação; acompanhe

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RIO — A sessão que definirá o destino de Wilson Witzel, alvo de um processo de impeachment, começou com críticas e frases de efeito contra governador afastado. O PSL foi o primeiro dos 13 partidos que vão se manifestar na sessão da Alerj nesta quarta-feira, dia 23, iniciada às 15h. “Witzel deveria estar de Bangu 8 se defendendo”, atacou Márcio Gualberto. Flavio Seranifi (PSOL) destacou “que as denúncias contra o senhor Wilson Witzel são muito sólidas”. Ja Felippe Poubel (PSL) lembrou as vítimas da Covid-19 e acusou: “A mão do governador está suja de sangue das pessoas inocentes”.

São necessários minimamente 47 votos para o afastamento de Witzel. Se for aprovado, será criada comissão mista de desembargadores e parlamentares para julgamento. Cinco representantes de cada partido podem expor seus pensamentos entre 5 e 10 minutos. Ao todo, serão 31 deputados. Por fim, Witzel fará sua defesa. Ele decidiu se pronunciar remotamente.

A atenção dos deputados aos discursos não é mais a mesma do início da sessão. Depois de mais de duas horas, deputados bolsonaristas estão focados em lives que fazem pelos seus celulares direto do plenário. O deputado federal bolsonarista Otoni de Paula está no plenário da Alerj, sem máscara, participando de uma transmissão ao vivo da sessão.

Confira os destaques dos discursos

Impeachment de Witzel: Deputados votam nesta quarta início do processo de cassação; acompanhe

Alana Passos (PSL)

— Vivemos um momento tão sensível com a pandemia com a Covid-19, um momento não esperado, mas o mínimo esperado, seria o respeito, a humanidade do governador e de toda equipe que ele montou mas o que foi visto não foi nada disso — disse Alana Passos, do PSL, primeiro partido a falar durante as discussões.

— Durante meses e meses do meu mandato eu venho aconselhando arduamente o governador sobre as atitudes e passos que ele vem tomando. Ele foi eleito para servir a população com respeito e dignidade, mas o que se observou durante todo o mandato do governador Wilson Witzel foi que ele estava mais preocupado em fazer negociações, oferecer cargos, obter pessoas de fato na sua base, do que o respeito para com a população — acrescentou.

Aglomeração democrática de deputados de todos os partidos no lado esquerdo do plenário
Aglomeração democrática de deputados de todos os partidos no lado esquerdo do plenário Foto: André Coelho

Filippe Poubel (PSL)

O deputado Filippe Poubel (PSL) culpou Witzel por vidas perdidas durante a pandemia e definiu os hospitais de campanha não entregues como “circos” feitos pelo governo.

— O governador cerceou o direito da população de bem de lutar pelo seu bem mais precioso, que é a vida. A mão do governador está suja de sangue das pessoas inocentes que não tiveram o direito de lutar pela sua vida por conta da corrupção instalada no Rio de Janeiro — afirmou.

Rodrigo Amorim (PSL)

O deputado Rodrigo Amorim (PSL) que foi um dos aliados do governo Witzel durante seu mandato, e durante as eleições esteve presente ao lado do então candidato ao governo do Rio no episódio da quebra da placa com o nome de Marielle Franco, citou a relação pessoal que construiu com o governador afastado durante o período eleitoral, de seus filhos e criticou a postura de Witzel de querer se lançar candidato contra Jair Boslonaro nas eleições em 2022:

— No campo institucional e pessoal fui um dos que colaborei e fiz a ligação com a população com a mudança de 2018. Não me eximo da responsabilidade, sobretudo na noite da apuração que o sonho conservador se confirmava. Iniciamos ali um processo, ao me ver, de mudança. A primeira crítica que fiz foi quando Witzel lançou, afrontando o presidente, o seu anseio de se candidatar em 2022. Talvez o início da derrocada foi esse — afirmou. — Nunca foi segredo minha relação pessoal fruto da amizade de nossos filhos , e que irá continuar depois disso. Em meu caso especial muito me entristece como político e cidadão esse momento horroroso.

Márcio Gualberto (PSL)

O deputado Márcio Gualberto (PSL) também fez críticas a Witzel e disse que o governador afastado teria que se defender do presídio de Gericinó, não em plenário.

— Uma quadrilha que assaltou os cofres públicos através da Secretaria de Saúde e se espalhou por outros órgãos — definiu. — O governador virá essa tarde se defender (Witzel deve defender-se por videoconferência). Ele terá liberdade ampla para fazer sua defesa. Mas o que dizer daqueles que morreram? Segundo o MPF o governador Wilson José Witzel é o grande líder da organização criminosa. Ele deveria estar preso e não fazendo sua defesa em plenário. Deveria estar de Bangu 8 se defendendo.

Dani Monteiro (PSOL)

Segundo partido a ter a palavra em plenário, o PSOL começou com Dani Monteiro.

– O governador Wilson Witzel é um personagem caricato, egocêntrico, fechado em sua própria vaidade, que inventou uma faixa de governador para se assimilar à faixa presidencial. Em seu primeiro dia eleito se colocou sob essa possibilidade de concorrer à presidência – introduziu Dani Monteiro.

A parlamentar citou as investigações sobre a primeira-dama do estado, e fez comparação o com a primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro:

– A gente espera que a Justiça tenha celeridade frente a outros agentes públicos que cometeram crimes também. Por que uma primeira dama é investigada e outra não? – disse.

Flávio Seranifi (PSOL)

Flávio Serafini (PSOL) definiu a quarta-feira como ‘um dia triste’, mas ressaltou diversos pontos da denúncia apresentada à Casa, a qual ele julgou sólida.

– Mais uma vez, a soberania do voto popular precisa ser interrompida porque um governador se locupletou em esquemas que tiraram as condições de que ele permanecesse no cargo – afirmou.

– É importante frisar que as denúncias contra o senhor Wilson Witzel são muito sólidas. Ao chamar pra si a responsabilidade de recredenciar uma OS (UNIR Saúde) que havia sido descredenciada pelo corpo técnico do estado, ele assumiu um risco da relação com essa empresa, com essa organização.

Carlos Macedo (Republicanos)

Já Carlos Macedo (Republicanos) chegou a falar de improviso por um breve momento, mas logo depois começou a ler um discurso que levou consigo. Ao ler parte do currículo do governador afastado, Macedo citou que colheu as informações na enciclopédia online “Wikipédia”.

— Uma de muitas ferramentas que me apaguei para me aproximar da Justiça é a capacidade de percepção. Para tanto recorri levantar sua rica biografia curricular, a fonte é o Wikipédia. Não há como, em minha percepção, indicar que o governador, tendo em vista sua qualificação e currículo, enquanto juiz federal que julgou uma série de crimes, não consigo acreditar que um homem com essa qualificação pode não ter percebido tudo que estava acontecendo na sua gestão.

Capitão Paulo Teixeira (Republicanos)

O deputado capitão Paulo Teixeira (Republicanos) disse que Witzel usou o senador Flávio Bolsonaro para conseguir eleger-se como governador do Rio, disse se sente culpado por apoiá-lo durante a corrida eleitoral e relembrou até o caso da geosmina, quando disse que chegou a procurar atendimento médico.

– O governo Wilson Witzel mentiu e a própria verdade da Covid e outras coisas que aconteceram mostraram a realidade que se escondeu atrás de uma máscara, que iludiu o povo do Rio de Janeiro e os deputados bolsonaristas – disse.

O parlamentar disse ainda que espera que a Justiça obrigue Witzel a devolver o que, segundo ele, foram saqueados.

– Que a justiça seja feita e que Wilson Witzel fique apenas com a roupa do corpo. Ele e a sua esposa. E que todos os seus bens sejam devolvidos ao povo do Rio de Janeiro, como defendeu São Tomás de Aquino.

Martha Rocha (PDT)

A deputada Martha Rocha (PDT) citou as diversas irregularidades que os técnicos da secretaria de Saúde apontou para a desqualificação da OS Unir Saúde, a qual Witzel requalificou por uma decisão própria.

— A sensação que tenho é que o governador não sabe ler ou precisa de um novo par de óculos. Os técnicos da Secretaria de Saúde apontava 19 processos punitivos em face da Organização Social, como déficit de pessoal, inoperância de equipamentos e o não recolhimento de impostos. Como o Estado com uma crise financeira aceita reconduzir uma OS que não recolhe impostos? Mas o governador não teve dúvida de autorizar a OS e o pagamento de R$ 26 milhões. Não há dúvida que Witzel tinha ciência do que acontecia nos porões da Secretaria de Saúde e de um crime que pode ser considerado crime hediondo — afirmou Martha.





Fonte: G1

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