Voluntários plantam árvores nobres pelo Rio em projeto de reflorestamento urbano

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RIO — Em prol da preservação da natureza do Rio, voluntários estão arregaçando as mangas e ocupando espaços da cidade para promover ações de reflorestamento urbano. Através de doações de mudas, sementes e outros recursos, grupos metem a mão na terra e resgatam na paisagem da cidade árvores nobres, como pau-brasil. O arquiteto ambientalista José Guimaraens, de 37 anos, coordena ações de revitalização ambiental na Zona Sul do estado.

— Eu encaro isso como um serviço do poder público, mas que a gente tomou como nosso. E é uma resposta muito forte, porque se a gente não fizer (o serviço), o espaço da árvore vai ser ocupado com cimento, e vai ser perdido para sempre. De tanto ver isso, o grupo se rebelou. Se tal órgão tira a árvore, a gente planta de novo — comenta.

José e as demais pessoas do grupo que atuam no projeto dependem de doações via vakinha online para manterem o serviço.

O grupo do qual José participa foi criado em 2015 pelo analista de sistemas Pedro Maia, de 39 anos, junto com um amigo, e hoje conta com 50 voluntários, incluindo especialistas, que entendem da parte técnica do reflorestamento urbano. Em 2019, eles conseguiram plantar 102 árvores em locais da Zona Sul, incluindo Pau-Brasil, Mutambo, Mirindiba, Aldrago, Cedro, Gonçalo-Alves, Clusia e Figueira. Embora a pandemia possa ter atrapalhado um pouco o projeto, outras 87 foram erguidas.

— Eu e o meu amigo sempre fomos envolvidos com essa questão ambiental, sempre tivemos essa preocupação. Então, começamos a ver como podíamos ajudar dentro do cenário de destruição das florestas que estávamos vendo. No primeiro momento, a adesão foi pequena. Mas depois mais pessoas vieram ajudar, começaram a doar mudas, sementes — relembra Pedro.

Há seis anos morando no Rio, a espanhola Diana Casali, de 44 anos, encontrou no grupo uma forma de suprir a necessidade de mexer com a terra, uma atividade que a aproxima da natureza, segundo ela.

— Eu sempre estive ligada à natureza. Na Espanha, eu tinha uma horta comunitária, e era a forma de eu me conectar com a natureza. Tocar a terra, para mim, é uma forma de alegria e de recuperar certa humanidade que às vezes a gente perde. Depois de cinco anos morando aqui, senti que estava faltando essa atividade na minha vida. No grupo, encontrei pessoas que têm ideias sobre a natureza muito semelhantes às minhas — diz ela, que participa das ações de plantio há um ano.

Projeto de revitalização ambiental na Zona Oeste

Na Zona Oeste, Patrícia Carvalho, moradora da comunidade do Cesarão, faz um trabalho semelhante. A funcionária pública, de 44 anos, criou o projeto “Reflorestar Zona Oeste”, que foi desenhado para dar oficinas de educação ambiental e promover ações de reflorestamento urbano na região de Santa Cruz. Até o momento, 250 árvores foram erguidas pelo grupo.

— Me juntei com um engenheiro florestal e um arquiteto e urbanista para continuar um projeto que tinha participado antes. A gente chegou a pedir para a prefeitura plantar árvores nas valas que encontrávamos, mas nada nos impedia de fazer isso também — comenta Patrícia. — Fazemos um planejamento antes das ações e chamamos as pessoas das comunidades a participar. Esse ano, por conta da pandemia e das regras de distanciamento, não estamos fazendo as ações. Mas enquanto isso montamos a composteira, o viveiro, num espaço que conseguimos implantar o projeto, no Cesarão. Vamos usar esse espaço para montar a biblioteca comunitária e as salas para as oficinas.

Grupo
Grupo “Reflorestar Zona Oeste” em ação Foto: Divulgação





Fonte: G1

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