sem perder a fé, mães e pais tiveram que adaptar gestação e pós-parto neste momento de incerteza

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‘Foi o maior e melhor presente da minha vida inteira”. Assim a professora de Educação Física Tainá Soares, de 35 anos, definiu o nascimento de sua filha Maria Júlia, em 13 de novembro, dia do seu aniversário. O bebê, que nasceu prematuro, é um dos muitos que foram gerados no começo da pandemia e se tornaram símbolo de um mundo melhor, não só para suas famílias. São crianças que nasceram junto com o início da aplicação internacional da vacina contra a Covid-19, que tem previsão de chegar para os cariocas nessa semana. A notícia traz esperança de um novo tempo, apesar de os números da contaminação ainda estarem altos.

— Ela vem trazendo esperança de um mundo melhor. Precisamos de mais amor — disse Tainá, que mora no Humaitá.

Ela dá aulas em uma academia de ginástica que fechou e foi obrigada a se reinventar, partindo para as turmas on-line. Ao descobrir a gravidez teve medo pelo fato do marido, o guarda municipal João Paulo Rosa, de 39, não ter se afastado do serviço.

—Também fiquei em pânico achando que representava um risco. No começo não queria ir trabalhar, mas fui cauteloso e tudo deu certo. Nesse período fiz seis testes (de Covid) que não deram nada — disse João.

Jamylle com seu Gael.
Jamylle com seu Gael. Foto: Leo Martins

A gravidez da empresária Jamylle de Sá Rocha, de 35 anos, moradora em Vargem Pequena, começou tensa. No dia 4 de abril, descobriu que esperava Gael, seu terceiro filho, nascido em 16 de dezembro. Dez dias depois veio o susto: ela e o marido Daniel Lacerda da Rocha, de 45, testaram positivo para Covid. O casal teve atendimento e se curou em casa.

— Eu me senti incapaz de conceber e proteger um recém-nascido sem saber como seriam os dias atuais. Hoje sinto a sensação de benção. Num período de tantas mortes, desespero e medo, ser presenteado com uma nova vida. Espero que tenha saúde e que ele tenha segurança de conviver com outras crianças — deseja para Gael, a mãe, que tem mais duas meninas, de 8 e 13 anos.

Já Kissyla Lucas, de 25, moradora em Rocha Miranda, teve uma gravidez tranquila.

— A gente foi obrigado a aprender a lidar. Tomei todos os cuidados, mas não parei a vida. Continuei trabalhando, assim como meu marido (Wellington Lucas, de 31), que é motorista. Só peço um mundo sem essa pandemia. Tirando isso, a gente consegue viver — acredita mãe de Mirella, que nasceu de parto prematuro no dia 1º de janeiro e só foi para casa no último domingo. Visita até agora, só dos avós.

Quem também chegou junto com o Ano Novo foi Kauany. Nascida aos três minutos de 2021, a menina é a primeira filha de Carolayne Labradas, de 23 anos. A mãe era vendedora e parou de trabalhar durante a gestação com medo de contaminação.

— Ficava o tempo todo em casa e só saía para o posto — diz a moradora de Vilar dos Teles.

André Henrique veio ao mundo no dia 7 de dezembro, dentro de um táxi, a caminho da maternidade. A descoberta da gravidez em maio trouxe de início preocupação, mas foi graças a ela que Bruna Silva, de 31 anos, conseguiu recuperar o emprego numa loja de conveniência. Ela tinha sido dispensada na pandemia.

Para a bailarina carioca Ingrid Silva, de 32 anos, que saiu de Benfica para Nova Iorque, engravidar num momento em que está afastada dos palcos significa a oportunidade de ter o tempo necessário de recuperar o corpo para a dança, sem a pressão do trabalho. Laura nasceu no dia 27 de novembro:

— Ela veio na melhor hora. É o sol para um futuro melhor.

Riscos e cuidados necessários

A médica pediatra Daniela Piotto recomenda que além da atenção básica com os recém-nascidos — que inclui evitar sair de casa com a criança nos três primeiros meses, não ir a lugares fechados e aglomerados e restringir visitas — as mães dos bebês da pandemia devem redobrar os cuidados. Isso inclui higienização rigorosa antes de qualquer contato com a criança, principalmente no caso dos pais que trabalham fora. Estes devem também recorrer ao uso de máscara, se tiverem tido contado com quem tenha apresentado sintomas da Covid.

Para garantir a segurança dos bebês, avós e tios, ela sugere que a apresentação da criança seja por chamada de vídeo.

— Nesse primeiro momento, façam vídeos, passeio de carro com vidro fechado.

A médica lembra que os calendários de vacinação contra a Covid divulgados até agora não incluem as grávidas nos primeiros grupos a serem imunizados pela falta de estudos que comprovem eficácia e os efeitos adversos na gestante. Porém, tranquiliza as futuras mamães de que não há comprovação de risco de contaminação intra-útero ou pelo parto, se a gestante tiver contraído o coronavírus. Mas alerta que há risco de coagulação sanguínea que evolui para pneumonia, crescendo a chance de parto prematuro.





Fonte: G1

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