Secretário de Direitos Humanos de Niterói é ameaçado de morte após denúncias à ONU

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O secretário de Direitos Humanos de Niterói, Raphael Costa, pode ser incluído no Programa de Proteção à Testemunhas, após receber ameaças de morte por sua atuação à frente da pasta. As últimas ameaças foram recebidas pelo Disque 100 e através do telefone pessoal do secretário.

Desde 2019, quando liderou um movimento contra o despejo de 400 famílias do Edifício Nossa Senhora da Conceição, conhecido como ‘Prédio da Caixa’, na Avenida Amaral Peixoto, no centro de Niterói, Raphael começou a receber ameaças contra a sua vida, sendo inclusive, agredido fisicamente.

O secretário contou ao OSG que vem tomando medidas com relação à sua segurança. Na última sexta-feira (25) ele recebeu informações do Programa de Proteção à Testemunhas de que teria que adotar algumas medidas para sua própria proteção.

“No último dia 16 de março eu recebi uma homenagem da ONU em Nova Iorque, e durante um evento do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU apresentei para o Alto Comissariado para Direitos Humanos uma denúncia contra o Governo Estadual do Rio de Janeiro. Nada pessoal, mas uma denúncia pela série de violações e omissões dos órgãos estaduais contra os direitos humanos. Essa denúncia foi redigida por um grupo de advogados juristas, e baseada num relatório da Defensoria Pública. Por estar na sede da ONU, apresentei e protocolei essa denúncia. Desde então, eu recebo todos os dias mensagens via Telegram, via mensagem normal de telefone, Whatsapp com ameaças. Tomei medidas iniciais de segurança, acreditando ser algo passageiro e pequeno. No entanto, na última sexta-feira (25), a equipe do Programa de Proteção à Testemunhas me informou que também havia monitorado pelo Disque-Denúncia, pelo Disque 100 e pelo sistema de inteligência as ameaças contra mim, me orientaram sobre medidas de segurança e marcaram uma reunião com o Ministério Público Federal para estabelecer medidas de segurança”, contou.

Algumas medidas de segurança já foram tomadas, como sua mudança de endereço. “Por um lado, fico bastante apreensivo, porque, embora já tenha sofrido muitas ameaças, estou convicto de que nosso trabalho é importante e urgente, pois se está incomodando esses grupos criminosos, é porque deve continuar”, afirmou. 

Desde 2019, quando ainda não era secretário, ele já recebia ameaças de morte por causa da sua atuação na defesa dos despejados do ‘Prédio da Caixa’. “Eu já acompanhava aquela situação pela Pastoral do Povo de Rua, onde era coordenador, e, em 2019, quando foi feito o despejo dos moradores. Nesta época, eu estava atuando como sociedade civil para defender o direito dos moradores. Ali já entramos em conflito com um grupo criminoso que controlava a rede de venda de drogas e prostituição no prédio e em outros pontos de Niterói. Em 2019, cheguei a ser agredido dentro do prédio, fui empurrado pela escada e espancado, mas consegui fugir. Em 2021, já como secretário, voltei na defesa dos direitos dos moradores despejados, e recebi ameaças, mas a gente decidiu não dar visibilidade ao fato”, disse.

As ameaças contra Raphael foram registradas na 77ªDP (Icaraí) e seguem sobre investigação.



Fonte: O São Gonçalo