São Gonçalo retoma cirurgia para pacientes ostomizados

Um tipo de cirurgia que não acontece em São Gonçalo há mais de cinco anos voltou a ser realizada no Hospital Luiz Palmier (HLP), no Zé Garoto, na última semana. A dona de casa Maria Simone Braga Campos, de 52 anos, foi a primeira paciente a ser submetida a uma reconstrução de trânsito intestinal após dois anos usando a bolsa de colostomia. Dos 600 pacientes cadastrados no Núcleo de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizadas II da cidade, cerca de cem pessoas estão aptas para a cirurgia. 

A reconstrução de trânsito intestinal é o fechamento da colostomia (cirurgia que liga o intestino grosso diretamente à parede do abdômen, permitindo a saída das fezes para uma bolsa fora do corpo). “Com a reconstrução, ela vai voltar a evacuar pelo ânus, voltando a ter a vida normal”, explicou Flávia Medeiros, enfermeira especializada em estomaterapia e que é responsável pelo Núcleo dos Ostomizados.

Maria Simone teve que usar a bolsa de colostomia após um atropelamento. Para fazer a reconstrução, ela passou por avaliação médica e realizou exames pré-operatórios. A indicação de fechamento ou reconstrução do trânsito intestinal depende de cada caso e é feita por um proctologista. “Não são todas as pessoas que usam as bolsas de colostomia que podem fazer esse tipo de cirurgia. Há uma série de questões a serem analisadas, como comorbidades e possibilidade de rejeição, por exemplo”, contou Flávia.  

A paciente, que nunca faltou ao tratamento do Núcleo dos Ostomizados, não via a hora de retirar a bolsa da colostomia. “Estou doida para retirar. Será um alívio. Ela incomoda muito e é desconfortável. Minha pele não segura mais direito. Aí tem que colar e dá feridas. Por conta do peso, quando começa a encher, ela também começa a vazar, dificultando até a saída de casa. Eu não consigo trocar e dependo da minha filha para isso. Ela também está muito feliz com essa cirurgia”, contou Maria Simone, antes da intervenção.

Após a operação, a paciente ainda será acompanhada pelos profissionais do Núcleo de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizadas II por três meses. “Todos os profissionais estarão à disposição dela para todas as orientações necessárias. O fechamento precisa ser feito corretamente e necessita do acompanhamento. A nutricionista, a psicóloga e a equipe de curativos serão essenciais após a intervenção”, finalizou Flávia. 

Núcleo dos Ostomizados

Pacientes que passaram por ostomia em São Gonçalo têm cuidados especiais no Núcleo de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizada, que atende em diferentes especialidades, distribuição de bolsas de colostomia e produtos usados para a manutenção, durabilidade e limpeza do coletor, além dos cuidados com a pele. Para ter acesso aos serviços, o gonçalense só precisa ter encaminhamento médico e fazer cadastro no local.  

Atualmente, 600 pacientes estão cadastrados no núcleo. Destes, 200 são atendidos por mês, em média, nas especialidades oferecidas, e 450 retiram as bolsas e materiais para a manutenção. Para a retirada dos materiais, outras três pessoas indicadas pelo paciente na ficha de cadastro da unidade podem fazer a retirada. 

O Núcleo de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizadas II fica na Avenida Presidente Kennedy, 207, Centro, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Cadastro

Para realizar o cadastro, o munícipe deve agendar consulta com a assistente social. Para o agendamento, basta ligar para o telefone (21) 2605-8086 ou ir direto à unidade.

Caso a bolsa e materiais sejam emergência, o paciente pode ir direto à unidade com encaminhamento de alguma unidade de saúde de São Gonçalo para a retirada. E, no mesmo dia, marcar a consulta com a assistente social, caso não seja dia de atendimento da profissional.   

Para o cadastro, basta levar os seguintes documentos com cópias no dia do atendimento:

 – Identidade

 – CPF

 – Comprovante de residência (últimos 3 meses)

 – Cartão do SUS

 – Laudo médico com CID

 – 2 fotos 3×4

Ostomizados e diferença entre colostomia, ileostomia e urostomia

Pessoa ostomizada é aquela que passou por uma cirurgia para fazer abertura no corpo para a saída das fezes, urina ou auxiliar na respiração ou na alimentação. Esta abertura de comunicação do corpo com o meio externo se chama estoma e é onde é colocada a bolsa de colostomia, ileostomia ou urostomia. A bolsa é um saco coletor que recebe as fezes ou a urina. Há vários tipos, que são indicados dependendo de cada caso. 

A Colostomia liga o intestino grosso diretamente à parede do abdômen, permitindo a saída das fezes para a bolsa. 

A Ileostomia liga o intestino delgado à parede abdominal, também permitindo a saída das fezes para a bolsa. 

A urostomia é a exteriorização dos condutos urinários através da parede abdominal.

Fonte: O São Gonçalo